Papa Francisco reforma o IOR para fechar a temporada das suspeitas

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • In memoriam do teólogo que apostou no “ministro da comunidade” para superar o clericalismo

    LER MAIS
  • Uma Igreja pobre? Dinheiro, sectarismo e tradição católica. Artigo de Massimo Faggioli

    LER MAIS
  • Abuso de autoridade na igreja. Problemas e desafios da vida religiosa feminina

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


26 Fevereiro 2018

Para o IOR, banco do Vaticano, é hora de fazer um balanço, ajustes internos. E de reformas destinadas a marcar o futuro do banco do Vaticano, que não desfruta de boa reputação por causa de escândalos passado e recentes: basta pensar na condenação por má gestão sofrida nas últimas semanas pelo ex-diretor Paolo Cipriani e seu vice Massimo Tulli ou do inquérito do Vaticano que vê investigado por peculato o ex-presidente Angelo Caloia.

A primeira novidade no horizonte se refere às reformas do estatuto, preparadas pelo conselho de supervisão (o conselho leigo) e aprovadas pela comissão de cardeais e pelo Papa.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por La Stampa, 25-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

As reformas contêm modificações na legislação do Vaticano vigente, mas não só. Desaparece, por exemplo, o colégio de três revisores, um organismo criado pelo estatuto de 1990. A justificativa oferecida pelo conselho aos cardeais da comissão de vigilância foi esta: no sistema bancário internacional, não existem as figuras de auditores internos. De fato, desde meados dos anos 1990, apesar de terem apenas introduzido os auditores, o IOR tinha recorrido a uma auditoria externa, confiando a verificação dos balanços para Pricewaterhouse Coopers e, depois, para a Deloitte & Touche.

Não passou a proposta de criação de um conselho consultivo de especialistas externos para ajudar os cardeais a entender os balanços e números. Enquanto emerge com maior força o papel de diretor geral Gian Franco Mammì, que usufrui da confiança absoluta do papa Francisco e deverá fortalecer ainda mais a equipe de colaboradores após a chegada no último mês do novo responsável pela gestão dos ativos que se ocupa dos investimentos, e do novo chefe de relações com os clientes, Luca Saletti.

Espera-se o balanço de 2017: desta vez também terá um resultado positivo - no ano passado o lucro foi de 36 milhões - graças ao bom desempenho dos investimentos e à redução das despesas. Mas, ao mesmo tempo, haverá um ligeiro declínio dos recursos em gestão (foram 5,7 milhões de euros em 2016): isso se deve ao fato de que o IOR paga o preço de não ser um banco offshore, bem como é uma empresa pequena, que não concede hipotecas ou empréstimos e deve enfrentar a concorrência das outras instituições, com suas numerosas filiais, home-banking e caixas eletrônicos que possibilitam fazer saques em qualquer lugar. A transparência e adesão a padrões internacionais, iniciada por Bento XVI que chamou para a presidência Ettore Gotti Tedeschi, e continuada por Francisco, levou à revisão das contas IOR e ao fechamento de cerca de cinco mil destas. Nem todas por atividades suspeitas, mas por serem "inativas" ou porque os proprietários não tinham mais direito de serem correntistas. Decidiu-se focar na clientela original do Instituto, ou seja, as ordens religiosas e as dioceses. O acordo fiscal assinado em abril de 2015 com a Itália, que definitivamente enterrou as vantagens offshore, foi um dos motivos que levaram à saída de alguns clientes. "No caso das ordens religiosas, para alguém também foi significativo o fato de não querer que no Vaticano, com um papa tão atento à gestão do dinheiro, se soubesse quanto dinheiro tinham", relata um analista alemão ao La Stampa. No ano passado, para compensar algumas das saídas, chegou a decisão de uma diocese italiana que transferiu uma parte substancial dos fundos administrados por ela ao banco do Vaticano, justamente para apoiar o processo de transparência.

Como é notório, o IOR foi ameaçado de fechamento no início do pontificado de Francisco. Em seguida, decidiu-se por sua manutenção. Em julho de 2014, concomitantemente com a chegada do novo presidente Jean-Baptiste de Franssu e a nova diretoria, o Prefeito para a Economia, cardeal George Pell, tinha planejado usar depósitos da instituição nos mercados internacionais para maximizar os lucros, criando um fundo "Sicav" - sociedade de investimento de capital variável - em Luxemburgo. Mas Bergoglio decidiu rejeitar a operação, preferindo que o banco redescobrisse a própria vocação de apoio às obras religiosas.

A missão do Instituto parece definida hoje, e o presidente colabora a contento com o diretor geral Mammì. Este último, graças à relação de confiança com Francisco, efetivamente tem reduzido a cadeia de comando, para um IOR cada vez mais “banco do Papa". Mesmo assim nos últimos meses não faltaram reviravoltas. Algumas relacionadas com atividades operacionais normais, como o afastamento, em outubro passado, de um funcionário que não se comportava de maneira adequada. Outras mais rumorosas, como a demissão súbita em novembro de 2017 de Giulio Mattietti, o diretor "adjunto" que auxiliava Mammì, escoltado até as fronteiras do Vaticano com a interdição de retornar ao território. Uma demissão decidida pela autoridade superior, cujos motivos reais permaneceram desconhecidos até mesmo para os cardeais da comissão de vigilância. Em janeiro, Santo Mirabelli, depois de apenas 12 meses de serviço como responsável pelo departamento de segurança informática, deixou o cargo retornando ao emprego anterior no Ministério do Interior italiano. A sua – garantem no Vaticano - foi uma demissão voluntária por razões puramente pessoais. Finalmente, há poucos dias, foi anunciada a demissão do conselho diretivo de Mary Ann Glendon, a primeira mulher com um cargo na cúpula do Instituto, ex-embaixadora dos Estados Unidos junto à Santa Sé. Segundo algumas fontes ela não estaria em sintonia com as últimas decisões tomadas, especialmente na gestão do caso Mattietti, e teria preferido retirar-se. Com a renúncia de Glendon enfraquece aquele 'eixo americano' antigamente forte no IOR. Embora, na realidade, por trás das últimas turbulências que sacudiram o instituto, dessa vez não parece haver grandes escândalos financeiros nem conflitos entre facções antigas e novas, e nem mesmo brigas entre honestos defensores da transparência e obscuros nostálgicos do offshore . É mais provável que se trate mais de acomodações do poder interno e de incompatibilidades pessoais.

Apesar das dificuldades, também marcadas por duas cartas anônimas que circularam internamente contra o atual diretor do IOR, a mensagem que sai da torre Nicolau V, a histórica sede do Instituto, é positiva: o conselho, afirma-se em um comunicado enviado à imprensa, "manifesta a própria satisfação com os progressos alcançados. Os últimos meses testemunharam uma aceleração no processo de transformação e de vários resultados importantes sob a direção de uma equipe de gestão que continua a ser reforçada. As mudanças nunca são fáceis e exigem tempo, mas o objetivo final permanece o de assegurar que o Instituto continue no caminho empreendido em conformidade com os mais altos padrões internacionais, atendendo às expectativas dos clientes, apesar da conjuntura financeira difícil e garantindo os elevados padrões éticos que justamente se esperam de uma instituição como o IOR".

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Papa Francisco reforma o IOR para fechar a temporada das suspeitas - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV