''A Turquia deve respeitar os curdos'': um aviso claro do papa a Erdogan

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07 Fevereiro 2018

Um papa rígido. Pelo menos no início da conversa. Exatamente como há quatro anos, em Ancara, quando ele foi o primeiro líder a atravessar a porta do faustoso palácio presidencial recém-inaugurado pelo sultão, e Francisco não sorriu. Depois, mais relaxado, até mesmo distendido, após o encontro e a troca dos presentes. A ponto de fazer com que a parte turca definisse a visita de Recep Tayyip Erdogan ao Vaticano como “muito bem-sucedida”, embora no respeito das posições individuais.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 06-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ancara ficou satisfeita por ter encontrado sobre a questão de Jerusalém, fim principal da viagem após a decisão de Donald Trump de reconhecê-la como única capital de Israel, “uma linha comum” com a Santa Sé, onde o papa, de fato, pressiona pelo status quo (e as duas diplomacias agora manterão contato constantemente sobre o assunto).

E o Vaticano está pronto para levantar o tema dos direitos humanos e da defesa da minoria cristã, mas sobretudo um ponto: a proteção dos curdos. Assim, se os dissabores do passado (a ira de Erdogan há três anos porque o papa, pela primeira vez, falou de “genocídio armênio”) não foram evocados, a Santa Sé reiterou com força um tema que está no coração do papa: “o respeito pelos curdos”. Com o pedido explícito de que haja um imediato “cessar das mortes em curso”, em particular das vítimas civis.

Uma posição que o líder de Ancara escutou, embora o ataque de 15 dias atrás das Forças Armadas turcas no enclave de Afrin, no território sírio, contra as unidades de maioria curda tenha começado por sua indicação. Para Erdogan, como se sabe, trata-se de “terroristas filiados ao PKK”, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, fundado por Abdullah Ocalan, que, justamente em Roma, nos seus dois meses italianos de fuga entre 1998 e 1999, apelou por carta a João Paulo II: “Santidade, eu luto pela liberdade”.

Desde então, ele não mudou muito sobre o assunto na Turquia, onde a guerra no sudeste da Anatólia, entre o Exército de Ancara e os guerrilheiros curdos, se espalhou agora para a fronteira que beira a Síria.

O presente dado por Bergoglio a Erdogan não foi casual. “Eis – explicou o papa ao sultão, colocando um medalhão em suas mãos –, este é um anjo da paz, que estrangula o demônio da guerra.” E acrescentou: “É o símbolo de um mundo baseado na paz e na justiça”.

O convidado retribuiu com uma magnífica e longa cerâmica celestial que representa uma panorâmica de Istambul, indicando a Francisco, de vez em quando, “aqui o Bósforo, aqui a Mesquita Azul, esta é a parte europeia da cidade, e esta, a asiática”.

Depois de quase uma hora de diálogo, o presidente turco e sua esposa, Emine, cumprimentaram o pontífice com uma leve inclinação e com a mão no coração. Depois, o debate entre as delegações. Uma liderada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado vaticano, e a outra com cinco ministros turcos, entre os quais se destacava o delfim do sultão, o jovem e poderosíssimo ministro da Energia, Berat Albayrak, seu genro, que entrou com sua esposa, Esra, filha de Erdogan.

Do lado de fora, do outro lado do Castel Sant’Angelo e, portanto, longe do evento, centenas de manifestantes protestaram contra a visita. Penalistas, jornalistas e curdos manifestaram pacificamente em favor de seus colegas presos na Turquia. Um grupo de ativistas, depois, tentou sair em uma marcha não autorizada rumo a São Pedro, e a polícia os impediu: uma pessoa ferida e dois presos.

No pano de fundo, uma Roma totalmente blindada, onde muitos transeuntes no centro comentavam, suspirando: “Não víamos medidas de segurança como essas nem mesmo quando Trump veio”.

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