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14 Dezembro 2017

O último relatório do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), divulgado na segunda-feira, revela que 31,4% dos argentinos vivem atualmente em uma situação de pobreza, o que representa 13,5 milhões de pessoas, sendo que 5,9% estão em situação de indigência.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 13-12-2017. A tradução é do Cepat.

Neste sentido, o diretor do Observatório, Agustín Salvia, afirmou que à luz dos resultados do trabalho existe uma Argentina “fraturada, dividida e claramente preterida”, embora ressaltou que, “hoje, há menos pobres na proporção que em 2015, mas um pouco mais indigentes”.

Neste ponto, especificou que, de acordo com o último levantamento realizado pelo Observatório da Dívida Social, há “aproximadamente 180.000 a mais” em situação de indigência, “mas 600.000 a menos na pobreza”.

O relatório, que reúne dados a partir de uma nova metodologia de medição, que considera valores que a medição do INDEC não incluía, e revela os dados do terceiro trimestre de 2017, destaca, além disso, que 48% da população que vive abaixo da linha da pobreza são crianças de entre 0 a 14 anos.

No entanto, embora a porcentagem seja menor que a da última medição, divulgada em março passado, quando apontou 32,9%, o último levantamento atinge uma maior quantidade de pessoas.

Neste sentido, Salvia destacou que “há 48% de crianças pobres e 10% de crianças na indigência”.

“A situação é também urgente para uma grande parte da Argentina, pois temos ainda 34% dos lares com déficit em serviços de água corrente, esgoto ou fonte de energia, 21% dos lares sem moradia digna e 35% dos lares com alguma criança ou adolescente sem estudar”, apontou Salvia em declarações para diferentes rádios.

Nesse marco, Salvia recordou que, no ano passado, “a pobreza tinha aumentado em matéria de ingressos, assim como a indigência”.

Por outro lado, apontou que, em 2017, “são boas as notícias porque baixou a indigência e a pobreza, inclusive em relação ao ano de 2015”.

“Temos hoje menos pobres na proporção que em 2015, mas um pouco mais de indigentes, aproximadamente 180.000 pessoas a mais, mas temos 600.000 a menos na pobreza”, enfatizou Salvia.

Nesse sentido, o pesquisador esclareceu que, “hoje, há menos pobres que em 2015, mas os pobres de hoje são mais pobres, pois os pobres de hoje estão mais distantes de sair da pobreza, porque não há mercado interno”.

Em relação à classe média, Salvia destacou que “está se vendo uma certa recuperação”, embora no segmento dos 40% mais pobres tenha dito que “a situação não é tão favorável”.

Segundo Salvia, essa situação “é difícil de modificar, caso não haja políticas para o mercado interno”. Diante de uma consulta, considerou que os novos aumentos em tarifas de serviços, assim como a modificação da fórmula de cálculo de ativos das aposentadorias, “produziriam um aumento na pobreza, que só poderia ser compensado por uma baixa significativa da inflação”.

Finalmente, o pesquisador defendeu que “um número de 24% de pobreza, em 2019, seria o desejável sob a dinâmica atual” e especificou que essa redução da pobreza “seria voltar aos níveis de 2011”.

O novo esquema metodológico de medição da pobreza do Observatório Social da UCA, para o terceiro trimestre de 2017, leva em conta aglomerados urbanos com 80.000 habitantes, realiza uma amostra pontual de aproximadamente 5.700 lares e revela uma maior profundidade de dados da amostra em 30 municípios da região metropolitana de Buenos Aires.

Os dados são elaborados a partir da informação de lares e ingressos captados pela Pesquisa da Dívida Social Argentina - Série Bicentenário (EDSA 2010-2016) e pela EDSA-Nova Etapa (2017-2025), para o total dos aglomerados urbanos considerados.

O Observatório da Dívida Social Argentina constitui um programa de pesquisa, extensão e formação de recursos humanos da UCA, instituído no ano de 2002, e reúne projetos de pesquisa que contam com o apoio de entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, que promovem o desenvolvimento social.

Durante todos estes anos, os números da pobreza divulgados pela UCA se tornaram referências para a análise da evolução da situação social.

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