México, um homicídio a cada 16 minutos

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29 Novembro 2017

Dezesseis minutos e nove segundos. Encurtou-se ainda mais o intervalo entre um homicídio e outro no México: até setembro era de vinte minutos. Nunca - desde que as autoridades começaram o levantamento, em 1997 - houve tantos assassinatos como este ano. E 2017 ainda não acabou. Em 31 de outubro já eram 23.968. Dos quais 2.764 só em outubro: uma média de 89 vítimas de assassinato por dia. Após uma década de guerra contra o tráfico de drogas - e da relativa retórica por parte dos dois governos que fizeram sua gestão - o México parece ter perdido a batalha. Não se trata apenas de números. Partes inteiras da nação são subtraídas à lei da República, e sujeitadas às regras dos traficantes. Na área de Montaña Baja del Guerrero, o crime organizado fechou escolas, deixando sem aulas 63 mil crianças. As comunidades rurais de Sinaloa estão há meses sem atendimento médico: os médicos têm muito medo de ir até lá. Desde 2006, já são 43 os sacerdotes assassinados. Nos cinco anos da atual administração, um padre foi morto a cada dois meses.

A reportagem é de Livia Capuzzi, publicada por Avvenire, 28-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Sinal eloquente - no país com maior taxa de católicos no mundo – de uma violência que está fora de controle. Ontem, foi morto o prefeito de número 57 na década: Víctor Manuel Espinoza, prefeito de Ixhuatlán de Madero, em Veracruz, emboscado com sua esposa e outras três pessoas. Sábado, a pouca distância de onde era inaugurada a Feira de Guadalajara – a mais importante vitrine da literatura de língua espanhola - foi sequestrado um funcionário da Comissão Nacional para os Direitos Humanos.

"A questão não é a derrota na guerra para conter o tráfico de drogas. Pois esta guerra, o México nunca poderá ganhar, enquanto do outro lado da nossa fronteira, nos EUA, houver um mercado de 30 milhões de consumidores de todo tipo de drogas. A que perdemos, foi a batalha para garantir a segurança dos cidadãos", explicou ao jornal Avvenire Guillermo Valdés Castallanos, especialista em crime organizado do centro de pesquisa Gea, ex-diretor da inteligência mexicana e autor de Historia del narcotráfico en México (Aguilar).

Por quê? Em torno dessa questão gira o presente e o futuro do México. Valdés Castellanos - como a maioria dos analistas - aponta o dedo para "a fragilidade das instituições". Dez anos atrás, no início de 2007, quando o então presidente Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN), colocou o exército nas ruas contra as organizações do tráfico de drogas - os chamados cartéis – havia sete poderosas organizações que estavam disputando o corredor de passagem da cocaína sul-americana para o hemisfério norte. Estas haviam crescido durante os 71 anos consecutivos (1929-2000) do poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI). A estratégia de Calderón – segundo muitas opiniões, motivada pela ânsia de legitimar uma futura eleição - centrou-se na eliminação, "manu militari" dos lideres das facções criminais. O fenômeno terminou por acelerar a fragmentação dos bandos. A administração seguinte - que marcou o retorno do PRI ao governo com Enrique Peña Nieto - tinha uma política "cosmética". Na prática, limitou-se - e limita-se - a minimizar a violência e a resposta militar do Estado. Não foram feitas reformas para fortalecer as instituições. O drama atual, portanto, é o resultado da mistura explosiva de fragilidade do Estado e pulverização dos cartéis. "Dos sete antigos grupos, cinco foram atomizados em 300 bandos de escala local ou regional. O negócio das drogas exige um nível de organização que estes não têm. Um total de 295, assim, tiveram que migrar para outros mercados ilegais mais "fáceis", do contrabando de pessoas à prostituição e à extorsão. Crimes que têm um forte impacto na sociedade. As instituições, cada vez mais fracas, não conseguem fazer frente a isso", enfatiza o especialista. Essa situação é agravada pelo conflito em curso nas regiões do Pacífico entre os dois cartéis "sobreviventes": Sinaloa e Jalisco Nueva Generación. Este decidiu aproveitar o vazio deixado pelo rival com a extradição para os Estados Unidos - em 19 de janeiro último - do líder Joaquín El Chapo Guzmán. Na mira está, principalmente, o lucrativo negócio do cultivo de papoulas para extração do ópio e o comércio dae heroína. A substância inunda os EUA, com um recorde de 12.898 vítimas de overdose em cinco anos. Tanto é assim que a Administração Trump declarou uma emergência nacional.

No entanto, além da retórica do muro antitraficantes, Washington tem dificuldade para encontrar uma estratégia adequada para a cooperação com o seu vizinho para combater o crime organizado. "Eles deveriam inverter suas prioridades. Os EUA destinam 65 por cento dos recursos para a guerra contra as drogas. E 35 por cento para a redução da demanda através da prevenção. Deveriam fazer o contrário - conclui Valdés Castellanos. E deveriam impor uma repressão à venda de armas e à lavagem do dinheiro". Os lucros das drogas são investidos no norte do continente e do mundo. É por isso que a "narcoguerra mexicana" é, de fato, um conflito global. Uma peça daquela Terceira Guerra Mundial em pedaços de que tanto tem falado o Papa Francisco.

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