EUA. General pronto para desobedecer a Trump: "Recusarei lançar a bomba atômica”

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21 Novembro 2017

"Lançar uma bomba atômica? Se a ordem fosse 'ilegal' eu iria dizer não ao presidente". John Hyten não é um general qualquer, é o militar (Força Aérea), que tem sob seu controle todo o arsenal nuclear dos EUA. Um homem de poucas palavras, atento aos mínimos detalhes e como qualquer bom soldado pronto para obedecer às ordens.

A informação é de Alberto Flores D’Arcais, publicada por Repubblica, 19-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Donald Trump é seu "Commander in Chief", mas em resposta a uma pergunta específica (durante a conferência internacional sobre a segurança que está sendo realizada em Halifax, Canadá), o comandante do Us Strategic Command considerou uma possível insubordinação.

"Acredito que algumas pessoas pensem que somos estúpidos. Não, não somos. Quando alguém tem uma responsabilidade como essa, como seria possível pensar em não ponderar cuidadosamente as próprias ações? Meu trabalho é dar conselhos ao presidente, depois ele irá, como 'Commander in Chief', determinar o que fazer. Se, no entanto, a ordem fosse 'ilegal' adivinhem o que aconteceria? Eu diria 'Mr. President, isso não é legal'. E se ele me perguntasse o que seria legal eu poderia lhe apresentar diferentes opções, um mix das nossas capacidades de resposta a qualquer situação de crise. Esta é a maneira como as coisas funcionam, não é complicado. Além disso, se você obedecer a uma ordem ilegal você acaba na prisão, e pode ficar na cadeia pelo resto de sua vida".

Resta entender o que seria uma "ordem ilegal" vinda do presidente dos Estados Unidos; na declaração de Hyten não é especificado e o Pentágono não quis comentar publicamente as palavras do general da Força Aérea.

Nos Estados Unidos, diante das provocações de Kim Yong-un, o debate sobre o uso (ou não) de armas atômicas voltou com toda a força meio século depois da Guerra Fria. Considerando que na Casa Branca está um presidente sobre o qual pairam dúvidas (no Congresso, na Intelligence, entre a cúpula militar) quanto às suas reais capacidades de enfrentar uma grande crise, eis que a intervenção do comandante das forças nucleares estadunidenses assume certa relevância.

Se e em que medida o Presidente / Commander in Chief tenha ou não a autoridade para ordenar um ataque nuclear foi discutido nos últimos dias também pela comissão do Senado liderada pelo senador republicano Bob Corker, um dos líderes do 'dissenso’ com a Casa Branca no Grand Old Party. E muitos disseram não: a um Dr. Fantástico do novo milênio os militares podem desobedecer.

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