O alerta nuclear de Chomsky

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07 Julho 2017

Noam Chomsky confessou seu medo de que uma guerra nuclear ecloda durante o mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de acordo com o que revelou em uma entrevista concedida ao jornal The New York Times publicada nesta quarta-feira. O intelectual estadunidense fez referência às advertências de um dos estrategistas nucleares mais destacados do momento, William Perry, que disse, recentemente, que estava aterrorizado com as repetidas e extremas ameaças de um conflito nuclear e a falta de preocupação com essa questão. “Perry tem razão ao estar aterrorizado. E todos deveríamos estar, sobretudo por causa da pessoa que tem o dedo sobre o botão (nuclear) e seus sócios surrealistas”, disse Chomsky, referindo-se à liderança do milionário do setor imobiliário.

A reportagem é publicada por Página/12, 06-07-2017. A tradução é de André Langer.

O intelectual estadunidense também expôs as razões pelas quais assinala que o mundo está agora mais perto de um conflito nuclear do que durante a Guerra Fria, época em que os Estados Unidos e a União Soviética protagonizaram sérias ameaças e vários momentos de alta tensão. O filósofo, de 88 anos, aponta para o programa de modernização das forças nucleares durante a Administração Barack Obama e que Trump manteve, que, afirma, representa riscos extraordinários devido ao seu potencial de destruição em massa, segundo revelou um artigo publicado em março passado pelo Boletim de Cientistas Atômicos.

De acordo com estes especialistas, esta modernização fez com que a capacidade de matança dos Estados Unidos se multiplicasse por três, o que forçaria um primeiro ataque surpresa de um dos seus rivais como única forma para desarmar e vencer as forças estadunidenses. “Significa que em um momento de crise, dos quais há muitos, os estrategistas militares russos podem concluir que, sem uma razão dissuasiva, sua única esperança de sobrevivência é um primeiro ataque, o que significaria o final de todos nós”, sentenciou. Chomsky qualificou as ações na Síria e na fronteira russa como “ameaças de confronto muito sérias que poderiam desencadear uma guerra”. Assinalou também que o conhecido como “Relógio do Apocalipse”, um relógio simbólico criado pelo Boletim de Cientistas Atômicos e que mede a proximidade da destruição da humanidade desde 1947, não esteve tão perto do limite conhecido como “meia-noite”.

“Em 1953, moveu-se para dois minutos antes da meia-noite depois que os Estados Unidos e a União Soviética detonaram duas bombas de hidrogênio. Em janeiro passado, logo depois da posse de Trump, os ponteiros se moveram para dois minutos e meio antes da meia-noite, o mais próximo que estiveram desde 1953”, explicou. Por outro lado, Chomsky opinou sobre as políticas climáticas de Trump, que, recentemente, anunciou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Ele afirma que a liderança do Partido Republicano está quase exclusivamente ocupada em destruir as oportunidades de uma sobrevivência decente.

Diante destes problemas, o intelectual destacou que a ação cidadã pode provocar uma reversão em programas altamente perigosos. “Também pode pressionar Washington para que explore opções diplomáticas – que estão disponíveis –, ao invés das reações reflexas de força e extorsão em outros casos, como os da Coreia do Norte e do Irã”, disse.

Chomsky, um dos grandes intelectuais da esquerda dos Estados Unidos, já tinha considerado que Trump era o resultado de uma sociedade quebrada pelo neoliberalismo. “As pessoas se sentem isoladas, desamparadas e vítimas de forças mais poderosas que não entendem e sobre as quais não têm poder de influência”, assinalou em uma entrevista concedida ao sítio de notícias estadunidense Alternet.

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