Nove milhões de mortes por ano: a poluição mata 15 vezes mais do que as guerras

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23 Outubro 2017

A poluição tornou-se a mais séria ameaça à saúde. Em 2015 causou 9 milhões de mortes, um sexto do total. Três vezes maior que o efeito combinado de AIDS, malária e tuberculose, e 15 vezes mais do que todos os conflitos armados e outras formas de violência. Os números foram divulgados pelo relatório da The Lancet Commission on Pollution & Health assinado pela Global Alliance on Health and Pollution e pelo Icahn School of Medicine of Mount Sinai (New York).

A reportagem é de Antonio Cianciullo, publicada por Repubblica, 20-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um preço muito alto, não só em termos de vidas humanas, mas também do ponto de vista econômico: doenças relacionadas com a poluição em países de renda média e baixa resultam em uma redução anual do PIB de até 2% e, nos países de renda alta, em um aumento das despesas em saúde de 1,7%. Enquanto as perdas de bem-estar resultantes da poluição são estimadas em 4,6 trilhões de dólares por ano: 6,2% da produção econômica mundial.

Entre as principais causas deste quadro sanitário, inclusive pela ligação cada vez mais estreita entre poluição e mudanças climáticas, aparecem os combustíveis fósseis: o seu uso, somado com a combustão da biomassa em países de baixa renda, produz 85% do material particulado e uma proporção significativa de outros poluentes atmosféricos.

Diante desses números alarmantes, existem vantagens registradas graças às leis de proteção ambiental. As melhorias na qualidade do ar nos Estados Unidos - testemunha o estudo - não só reduziram as mortes por doenças cardiovasculares e respiratórias, mas também produziram US $ 30 de benefícios para cada dólar investido desde 1970.

Na ausência de intervenções eficazes, em 2050 o agravamento do caos climático somado à progressiva urbanização irá resultar, no entanto, num aumento de 50% da poluição. "Nós podemos evitá-lo, porque há estratégias bem testadas e de baixo custo que permitem manter a poluição sob controle: precisamos parar de envenenar-nos", comentou o co-presidente da Comissão, Richard Fuller.

“Em especial é preciso regulamentar o uso de determinadas substâncias químicas particularmente prejudiciais, tais como os metais pesados e os disruptores endócrinos que danificam o aparelho reprodutor e o sistema neurológico. Infelizmente, na Europa os avanços nesse campo são retardadas pela ação dos lobbies dos setores industriais envolvidos", acrescentou Roberto Bertollini, o único italiano presente na Comissão.

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