Relatório de Regensburg. “Quem errou deve pagar. Há vontade de limpeza na Igreja.” Entrevista com Hans Zollner

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20 Julho 2017

“Estou contente que tudo veio à tona. É justo que aqueles que erraram mostrem a cara. A Igreja quis esse resultado hoje, e deve ser reconhecido ao bispo de Regensburg, Rudolf Voderholzer, o fato de ter tido a coragem, mesmo que os erros tenham sido cometidos por outra pessoas e até mesmo pelos seus antecessores, décadas antes da sua chegada.” O Pe. Hans Zollner, jesuíta alemão, membro da comissão vaticana contra a pedofilia e presidente do Centro de Proteção dos Menores, da Universidade Gregoriana, tem em mãos o relatório feito pelo advogado Ulrich Weber em nome da Igreja de Regensburg sobre os abusos perpetrados contra mais de 500 menores do Coro da Catedral de Regensburg.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 19-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Fala-se também de Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI, diretor do coro de Regensburg de 1964 a 1994. O que o senhor pensa a respeito?

Eu ainda não pude ler todo o relatório. Contudo, é preciso dizer que o monsenhor Georg era diretor do coro enquanto a maioria dos abusos ocorreram em uma escola dependente do coro, mas situada em uma localidade vizinha. Dito isso, certamente, toda responsabilidade será verificada, e é justo que seja assim.

A limpeza sobre os abusos cometidos contra menores na Igreja Católica ainda é uma miragem distante?

O relatório é mérito da vontade de limpeza presente dentro da Igreja. São fatos terríveis, mas hoje ninguém mais tem a intenção de encobrir qualquer coisa.

Além dos abusos sexuais, fala-se de violências corporais.

Infelizmente, em muitas escolas, pelo menos até os anos 1960 e 1970, um certo tipo de “educação” era práxis. Não é bonito admitir isso, mas se costumava fazer isso. Não sei na Itália, mas na Alemanha era costume.

Na sua opinião, Bento XVI estava informado do que acontecia lá?

Eu realmente acredito que Joseph Ratzinger não sabia de nada. Eu descartaria isso.

O Papa Francisco acompanhou a evolução do caso?

Eu acho que ele, como todos nós da Comissão para a Proteção dos Menores, esperava os resultados. Eles tinham que chegar perto da Páscoa, mas o advogado teve problemas com o Judiciário alemão devido a outros casos, e tudo foi adiado por alguns meses.

O que a Igreja deve fazer que ainda não fez?

Deve continuar trazendo à tona todos os erros do passado e, depois, ouvir as vítimas e indenizá-las, tanto quanto possível. Esse é o único caminho, e eu espero que a coragem do bispo de Regensburg faça escola em muitas outras Igrejas locais.

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