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20 Julho 2017

Depois de Regensburg, “é necessário que a Igreja não só faça um profundo ato de contrição e um pedido de perdão, mas também inicie um gigantesco e público processo de autoconsciência, de autocrítica: algo semelhante ao que fizeram os alemães depois do fim do nazismo”.

A opinião é do sociólogo italiano Marco Marzano, professor da Universidade de Bérgamo, em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 19-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

São aterrorizantes as notícias que nos chegam de Regensburg. Aquela escola de Regensburg se assemelhava definitivamente a um campo de concentração: muitos que tiveram a desgraça de passar por ela dizem que passaram os “piores anos” da sua vida. Como em todos os campos de concentração, os carrascos eram numerosos e organizados: de acordo com os dados do relatório, nada menos do que 50 deles já foram identificados, mas é provável que haja muitos mais.

Georg Ratzinger, o irmão do papa emérito, foi, durante 30 anos, um renomado diretor daquele campo de concentração. De acordo com quem redigiu o relatório, ele sabia, acobertava e protegia os autores das violências.

A primeira reação a essa notícia consiste em pensar que a horrível situação pode ter estado, pelo menos em parte, na origem da surpreendente renúncia de Ratzinger: como se sabe, a relação entre o papa emérito e o irmão sempre foi muito forte e psicologicamente inclinada em favor do maior dos dois, isto é, do ex-diretor do coro-campo de concentração.

O que teria acontecido se o pontífice alemão ainda estivesse reinante no momento da publicação do relatório? Quanto descrédito cairia sobre o Vaticano depois das ações do irmão do chefe? Nós nunca saberemos, porque, talvez para a sua sorte, Ratzinger não é mais papa. Mas não acho que esse seja o elemento sobre o qual devamos nos concentrar.

Porque há um mais importante: a Igreja Católica encontrou-se e se encontrará no futuro, dezenas de vezes, posta sobre o banco dos réus pelas ações execráveis de alguns dos seus membros. Chegou a hora de a grande instituição assumir diretamente a responsabilidade por tudo isso, admitir que esses crimes não são apenas o resultado do comportamento de algumas personalidades malvadas ou perversas, mas também, em grande medida, a consequência de um modelo formativo, de um treinamento especializado, de uma imagem do padre e do seu papel que a instituição construiu em séculos distantes (nos quais a pedofilia e as surras nos menininhos não eram nem mesmo crimes) e que obstinadamente se recusa a mudar, mesmo diante de evidências como a de Regensburg.

Portanto, eu acho necessário que a Igreja não só faça um profundo ato de contrição e um pedido de perdão, mas também inicie um gigantesco e público processo de autoconsciência, de autocrítica: algo semelhante ao que fizeram os alemães depois do fim do nazismo. Seria um gesto libertador e extraordinário, que realmente levaria a Igreja à modernidade, redimindo-se de uma das suas páginas mais obscuras.

Pense nisso, Francisco. Seria um modo de realmente entrar para a história.

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