O Papa reabilita sacerdotes incômodos

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21 Junho 2017

Os túmulos de dois padres, padre Primo Mazzolari e padre Lorenzo Milani - em sua época e ainda hoje um "sinal de contradição" na Igreja italiana – serão no dia 20 a meta de uma peregrinação singular do Papa Francisco, que, meio século após a sua morte, decidiu render-lhes oficialmente justiça. padre Mazzolari morreu em abril de 1959, dois meses depois de ser recebido em audiência por João XXIII e ter sido saudado como "a trombeta do Espírito Santo, no Vale Padano". Palavras fortes que compensavam o sacerdote por tantas amarguras sofridas pelas hierarquias eclesiásticas.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por Trentino, 19-06-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Capelão militar durante a Primeira Guerra Mundial, pároco de Bozzolo (diocese de Cremona, na província de Mântua), de 1932 até sua morte, ele pregou uma Igreja confiante no Senhor, longe das lógicas mundanas e aberta ao sofrimento das pessoas. Por suas críticas ao comprometimento da Igreja de Roma com o poder político, foi extremamente malvisto por Roma; também foi considerado um "inimigo" pelo regime fascista durante a Segunda Guerra Mundial, por ser favorável à Resistência, fato que o obrigou a viver na clandestinidade por determinado tempo.

Após a guerra, por causa de suas orientações pastorais, publicadas especialmente pela revista "Adesso", muitas vezes divergentes daquelas oficiais - embora, como será visto mais tarde, antecipatórias de teses assumidas pelo Concílio Vaticano II - foi marginalizado pelos superiores eclesiásticos.

Diferente, mas, sob alguns aspectos bastante similar, é a história de padre Milani. Malvisto pela Cúria de Florença, em 1954 foi "exilado" como prior de Barbiana, uma pequena aldeia de Vicchio, nas colinas de Mugello, onde fundou uma escola para meninos que já na época gerou controvérsias entre quem a considerava "tendenciosa", e quem, incrivelmente frutífera.

O resultado daquele projeto foi a "Carta a uma professora", um livro "odiado" por muitos e "amado" por tantos outros. Além da escola, ele envolveu-se em várias frentes, especialmente no pacifismo: quando um grupo de capelães militares toscanos que haviam considerado "um insulto à pátria" a objeção de consciência ao serviço militar - tema em discussão também no Concílio - ele respondeu com uma carta na qual defendia tal escolha. Por isso, foi levado a julgamento por "apologia ao crime": foi absolvido em primeira instância, mas, em segunda, foi condenado: crime, porém, "extinto pela morte do réu" (26 de junho de 1967).

Do ponto de vista estritamente religioso, o seu livro mais importante foi "Experiências pastorais" (1958): obra altamente criticada pela cúpula eclesiástica, porque balançava desde a raiz uma religiosidade superficial e vazia, mesmo que acriticamente aceita, salvo exceções, pelo clero. Em entrevista à Rádio Vaticana sobre a viagem do papa para rezar nos túmulos de padre Mazzolari e padre Milani, o trentino monsenhor Giancarlo Bregantini, arcebispo de Campobasso, comentou: "É uma redescoberta e uma reparação. Ambos foram feridos pela Igreja oficial: ambos estão agora reabilitados, recuperados, relançados".

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