Pelicano, generosidade e vida eterna

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21 Junho 2017

“Curiosamente, na sala da Última Ceia em Jerusalém, encontramos uma das primeiras representações do pelicano que alimenta seus filhotes”, anota Mario Colavita, em artigo publicado por Settimana News, 17-06-2017. A tradução é de Ramiro Mincato.

Eis o artigo.

"Pio Pelicano, Senhor Jesus, imundo sou, purifica-me com o teu sangue, do qual uma só gota pode salvar o mundo de todo pecado".

Os hinos eucarísticos expressam a fé viva que povo crente canta e toma como regra de fé. O hino, por si só, indica um motivo certo para caminhar ao longo de uma estrada.

A liturgia nos ensina que o hino abre o caminho para o mistério, nos faz entrar e encontrar Cristo celebrado.

O mestre dos hinos eucarísticos é, sem dúvida, Tomás de Aquino. Ele, segundo a tradição, em 1264, escreveu, também para celebrar a nascente festa de Corpus Domini, cinco hinos, entre os quais, o Adoro te devote, para expressar a fé em Jesus Eucaristia. A adoração é um sinal de reconhecimento de Deus, é um gesto teo-lógico, é uma resposta de oração ao mistério.

Quando Santo Tomás evoca a imagem do pelicano quer chamar a atenção para o mito do "estranho pássaro com bico longo". Parece que o pássaro branco do Egito, alimentando seus filhotes através de uma abertura no pescoço, deu origem à lenda da entrega da própria carne para a vida dos filhos, tornando-se aos poucos “emblema da caridade", até o sacrifício.

Para alguns, o simbolismo do pelicano expressa a generosidade: "na falta dela, na iniciação, tudo permaneceria irremediavelmente vão".

No mundo cristão, em parte como resultado de um trabalho de caráter simbólico - o Fisiólogo, IV sec. dC - a imagem do pelicano se imporá gradualmente como símbolo de Cristo Eucaristico, que alimenta com sua carne e seu sangue a vida de seus filhos.

O Fisiólogo conta que o pelicano ama muitíssimo seus filhotes: "Quando os gera, estes, não apenas um pouco crescidos, batem nos pais; os pais, então, os golpeiam e matam. Em seguida, porém, sentem compaixão, e durante três dias chorram os filhotes que mataram. No terceiro dia, a mãe fere-se o lado, e seu sangue derramado sobre os cadáveres dos filhotes, os ressuscita".

O pelicano se presta a uma dupla simbologia: compreende-se tanto como imagem de Cristo, que se deixa crucificar e doar seu sangue para redimir a humanidade, seja como a imagem de Deus Pai, que sacrificou seu Filho, ressuscitando-o dos mortos depois de três dias.

O pelicano é uma ave difícil de se ver, e é por isso que se torna pura imagem do Espírito, que chama a atenção para a Pureza, Cristo, "nosso Pelicano", como o chama Dante, quando se refere ao apóstolo João: "Este é aquele que jazia / sobre o peito do nosso Pelicano, e Este foi/ de sobre a cruz ao grande ofício eleito". (Paraiso, XXV, 112-114).

Curiosamente, na sala da Última Ceia em Jerusalém, encontramos uma das primeiras representações do pelicano que alimenta seus filhotes.

O hino eucarístico de São Tomás termina com estas palavras: "Ó Jesus, que agora eu olho velado, oro para que aconteça o que desejo: que contemple o teu vulto revelado, e com essa visão seja eu abençoado com a sua glória. Amém".

Em Jerusalém a festa de Corpus Christi se celebra na quinta-feira, como antigamente. O curioso é o lugar: onde Cristo ressuscitou, nós festejamos a Eucaristia, a carne e o sangue de Cristo ressuscitado. Tôdas as vezes que comemos o pão e bebemos o sangue de Cristo, nós anunciamos sua ressurreição enquanto esperamos a sua vinda.

O mistério da Eucaristia renova a Páscoa da vida, e nos ajuda a ler a presença de Deus na história.

Tal como o antigo Deus alimentava o povo com o maná, no momento presente, este pão eucarístico dá a força de Deus, sinal de unidade e lembrança da eternidade.

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