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04 Junho 2017

Enquanto a maioria de nós continua vivendo “como se” – como se o mundo não fosse hoje uma terra de robôs e de selvagens – e “vai levando” a jornada, talvez se iludindo de que pax italica pode durar infinitamente; e enquanto uma multidão de professores e de “adeptos à mídia” falam e falam de tudo, com culpada superficialidade, atentos apenas à sua audiência e à sua carreira, mas prontos para saltar em cima de todo assunto, até mesmo dos mais terríveis, para dizer aquilo que presumem pensar; há, no entanto, intelectuais que “se dão conta” e que tentam avisar, que é, aliás, o máximo que podem e deveriam fazer aqueles que escrevem e falam em público, se tivessem uma ética profissional adulta.

O comentário é do crítico cinematográfico, literário e teatral italiano Goffredo Fofi, publicado por Avvenire, 02-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nas mesas das livrarias, acumulam-se livros falsos de pensadores falsos, aqueles que “nos apodrecem”, cujo maior esforço de originalidade está, às vezes, no título, mas para por aí. Mas, na pilha, também aparecem livros que são o resultado de reflexões motivadas e preocupações sentidas, e sobre os quais é necessário refletir.

Destes dias são nada menos do que dois livros estimulantes das edições Nottetempo, L’espulsione dell’Altro [A expulsão do Outro], de Byung-Chul Han, o filósofo coreano que ensina em Berlim, autor do iluminante Nello sciame, sobre o povo da internet, e Esiste un mondo a venire? Saggio sulle paure della fine [Há um mundo por vir? Ensaio sobre os medos do fim], dos brasileiros Deborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro, que se propõem a falar em chave de uma antropologia radical não de um novo mundo, mas de um novo povo que creia na salvação do mundo, que o mundo deve durar.

Para Han, o Outro substituiu o Igual, figura fundamental para o domínio, um Igual que se acredita um Eu e que cuida para não se deixar pôr em crise pelo Outro. Han é um autor ao qual é preciso voltar e que tem a vantagem de escrever ensaios breves e leves, mas muito intensos.

Em La grande regressione (Feltrinelli), 15 nomes de protagonistas, ou bravos, ou famosos da cultura “de todo o mundo”, sempre rigorosamente reconhecido pela Academia, levantam o problema de uma nova revolução cultural ou, como escreveu um deles, Bauman, de “uma visão global de longo prazo”, que precisará de muita paciência. Como se não houvesse pressa, como se o mundo pudesse durar eternamente! Como se não devêssemos hoje, obrigatoriamente, e não só do ponto de vista moral, nos movermos de acordo com a “divina impaciência” de que falava Aldo Capitini (e da qual nos falava, bem antes, Jesus).

É muito mais convincente ler o ágil panfleto de Tomaso Montanari – historiador da arte, mas também um acérrimo defensor do patrimônio cultural italiano, que é também um ambiente físico e natural e histórico concreto – intitulado Cassandra muta. Intellettuali e potere nell'Italia senza verità [Cassandra muda. Intelectuais e poder na Itália sem verdade], editado pelo Gruppo Abele.

“Trazer a verdade à tona” seria a principal tarefa dos intelectuais. Com a franqueza que lhe é própria, Montanari nos guia em um mundo de silêncios e de mentiras, ajuda-nos a desconfiar de “uma cultura que não salva”, que não inquieta, que não adverte e, quando possível, propõe alternativas , novas estradas. Embora, infelizmente, sempre se trate de palavras.

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