Bergoglio e as finanças, a natureza estranha do debate público italiano

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02 Junho 2017

Giuseppe Laterza, economista e editor da importante editora italiana Laterza, comenta o encontro do Papa Francisco com os trabalhadores e trabalhadoras em Gênova, Itália, em artigo publicado por Huffington Post, 30-05-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Eu não li críticas à duríssima acusação contra a lógica de mercado proferida por Francisco Bergoglio, no último sábado, na fábrica da Ilva em Gênova. No entanto, as coisas que disse o Papa - sobre as finanças, os lucros, as demissões - deveriam ter causado o clamor de todo o nosso sistema econômico, cujos fundamentos há tempo vêm sendo questionados pelo Papa. Mas a hipocrisia reina soberana em nosso país. Criticar o Papa não é conveniente, melhor ignorá-lo. É ignorado pelos empresários e gestores (e suas associações de classe). É ignorado pelos economistas ortodoxos. É ignorado - pelo menos nesta circunstância - também pelos líderes políticos, que em dias alternados prestam homenagem ora a Bergoglio, ora a Marchionne (CEO da Fiat Chrysler, ndt). Por outro lado, basta apenas uma pequena oscilação da bolsa, que venha a coincidir com a discussão da reforma eleitoral, para que insignes colunistas escrevam que "o mundo financeiro" teme a instabilidade da política italiana.

Mas quem é o "mundo financeiro"? E que autoridade e credibilidade teria para julgar as regras eleitorais de um país? Como podemos aceitar que um índice da bolsa seja univocamente interpretável (por outro lado, ninguém pode desmentir)? E que ainda expresse uma lógica de raciocínio, aliás, de "pragmatismo" em vez de milhares de dúvidas, medos e previsões dos diversos atores financeiros?

Mas este também é um dos muitos preconceitos de nossa época, parte de uma ideologia oposta à de Bergoglio, mas que se apresenta como simples "bom senso". Amartya Sen em um brilhante artigo de alguns anos atrás - "A democracia dos outros" - escreveu que a qualidade de uma democracia é medida, mais que pelas regras eleitorais, pela natureza do seu debate público. Talvez seja inclusive por isso que eventos públicos, como o Festival da Economia que tem início na quinta-feira em Trento, estão lotados por tantas pessoas que sentem a necessidade de raciocinar de maneira rigorosa.

A complacência hipócrita sobre as palavras do Papa e a objetivação acrítica do juízo das finanças são duas faces especulares da superficialidade do debate público no nosso país.

Um país em que há muito tempo parece que a nossa classe dirigente - política, econômica e midiática – só é capaz de raciocinar no curtíssimo prazo, no intervalo incerto que nos separa do próximo pleito eleitoral: não é por acaso se os nossos índices de leitura de livros estão entre os mais baixos da Europa ...

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