Novo líder do Opus Dei trabalhou no Vaticano. Contribuiu na Dominus Iesus

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25 Janeiro 2017

O monsenhor espanhol Fernando Ocáriz foi confirmado pelo Papa Francisco como novo líder do Opus Dei após a eleição em um congresso para esta finalidade. Ocáriz, 71, há tempos é consultor para a Congregação para a Doutrina da Fé e desempenhou tarefas sob o reinado do Papa Bento XVI.

A informação é publicada por Crux, 23-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O monsenhor Fernando Ocáriz, padre espanhol, consultor da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé e de outros dicastérios vaticanos, foi confirmado pelo Papa Francisco como o novo líder do Opus Dei após ser eleito ao cargo em um congresso.

Ocáriz torna-se o terceiro sucessor de São Josemaría Escrivá, que fundou o Opus Dei, tecnicamente uma “prelazia pessoal” sob o Direito Canônico, em 1928.

Tido como o principal candidato no congresso eleitoral do Opus Dei, Ocáriz vinha sendo o vigário auxiliar do grupo. A sua eleição foi confirmada pelo Papa Francisco no mesmo dia da eleição.

A escolha de um novo líder seguiu-se à morte de Dom Javier Echevarría em 12 de dezembro. Se as coisas transcorrerem conforme as normas e em consonância com o status do Opus Dei como uma prelazia, o Papa Francisco provavelmente fará de Ocáriz um bispo.

Considerado como o teólogo mais destacado no Opus Dei, Ocáriz nasceu em Paris em 1944, filho de uma família espanhola que viveu no exílio durante a guerra civil da Espanha. Formado em física pela Universidade de Barcelona, cursou teologia na Universidade Latrense, de Roma, e na Universidade de Navarra, na Espanha, instituição afiliada ao Opus Dei.

A área de especialização teológica de Ocáriz é cristologia, ou o ensino da Igreja sobre Cristo. Entre outros livros, escreveu “The Mystery of Jesus Christ”, publicado pela Four Courts Press em 1998.

Embora Ocáriz não tenha sido amigo íntimo de Escrivá no mesmo sentido em que foram os dos primeiros sucessores do santo, ele viveu com Escrivá na década de 1960 na qualidade de estudante. Durante 22 anos, Ocáriz também acompanhou Echevarría em visitas a mais de 70 países.

Em 1986, Ocáriz foi designado consultor como Congregação para a Doutrina da Fé sob o então cardeal Joseph Ratzinger, quem mais tarde se tornaria o Papa Bento XVI, saindo-se como um membro cada vez mais valorizado na equipe de Ratzinger.

Ocáriz foi um dos principais redatores do documento Dominus Iesus, de agosto de 2000, que suscitou uma polêmica por afirmar que os não cristãos encontram-se em uma “situação gravemente deficitária” no tocante à salvação, “se comparada com a daqueles que na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação”. Ocáriz apareceu ao lado de Ratzinger em uma coletiva de imprensa no Vaticano no intuito de apresentar o documento.

Como papa, quando Bento XVI criou uma comissão para dialogar com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de cunho tradicionalista, visando trazer o grupo de volta à comunhão, Bento encarregou Ocáriz de participar. Na época, uma hipótese para reintegrar o grupo, cujos membros são conhecidos como “lefebvristas”, foi a criação de uma prelazia pessoal, e Ocáriz trouxe o seu conhecimento desta estrutura às negociações.

Ocáriz também atuava como consultor para a Congregação para o Clero desde 2003, e para o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização desde a sua criação sob Bento XVI em 2011.

Com o passar dos anos, o Opus Deis passou a ser um centro polêmicas. Alguns críticos acusam o grupo de praticar o recrutamento e de manter um controle sobre os membros ao estilo de algumas seitas, enquanto outros fazem objeções ao que consideram como o perfil conservador do grupo em matéria de política secular e ensino católico.

As críticas chegaram ao ápice com o romance e o filme “O Código Da Vinci”, em que o vilão era um monge assassino albino retratado como integrante do Opus Dei.

Em entrevista concedida em 2004, no entanto, Ocáriz insistiu que o real espírito do Opus Dei é radicalmente diferente destas caricaturas, e que a sua espiritualidade origina-se na visão que Escrivá tinha da “santificação do trabalho ordinário [comum]”.

“Todas as realidades humanas, todas as circunstâncias da vida humana, todas as profissões, cada família e situação social são meios de santificação”, disse Ocáriz, explicando o legado espiritual de Escrivá.

“Não só as pessoas todas deveriam ser santas apesar do fato de não serem sacerdotes ou monges, mas exatamente que todas as realidades da vida são lugares que podem levar a pessoa ao Senhor”, disse.

Ocáriz falou que um trabalho santificador como entendia Escrivá significa “transformar o próprio trabalho em uma oferenda real a Deus”, o que, segundo disse, implica em duas coisas: a) “buscar fazer bem o trabalho, pois se verdadeiramente creio que esse ato é uma oferenda a Deus, seria absurdo não tentar fazê-lo bem” e b) “ter a intenção correta de buscar servir a Deus e aos outros através deste trabalho em particular”.

Isso, diz Ocáriz, é “sempre um campo de batalha, porque há sempre o egoísmo, o orgulho, e assim por diante”, coisas que acompanham todo empreendimento humano, mas que é o drama do caminho espiritual do Opus Dei.

Antes de se tornar o vigário auxiliar em dezembro de 2014, Ocáriz trabalhava como vigário geral, a liderança número 2 na estrutura do Opus Dei. Além de seus interesses teológicos, Ocáriz é também um ávido jogador de tênis.

Uma declaração do Opus Dei nesta segunda-feira diz que, nos próximos dias, Ocáriz irá propor uma lista de vigários e conselheiros para o congresso, pessoas que deverão auxiliá-lo nos próximos oito anos.

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