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24 Janeiro 2017

Em uma entrevista concedida ao jornal El País, Francisco mostrou-se preocupado com a América Latina e as políticas de exclusão ali aplicadas e cauteloso quando foi perguntado sobre o novo presidente norte-americano.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página/12, 23-01-2017. A tradução é de André Langer.

Em uma longa entrevista concedida ao jornal espanhol El País, o Papa Francisco mostrou-se cauteloso quando se lhe pediu uma opinião sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinalando que “é preciso ver o que ele vai fazer” para não cair em uma “grande imprudência”, repassou temas da política internacional, fez considerações de índole conceitual sobre questões como o “populismo” e suas diversas acepções e sobre a Teologia da Libertação, da qual resgatou aspectos positivos.

Sobre o novo presidente dos Estados Unidos, o Papa Jorge Mario Bergoglio disse que não devemos nos “assustar ou alegrar com o que vai acontecer” nem “ser profetas de calamidades ou de bem-estares que não vão acontecer” porque seria “cair em uma grande imprudência”. “Veremos”, afirmou o Papa. “Veremos o que acontece e então avaliamos. Sempre no concreto”, porque o “cristianismo, ou é concreto ou não é cristianismo”. Francisco reafirmou na ocasião que “nós perdemos muito o senso do concreto” e recordou que “outro dia, um pensador me dizia que este mundo está tão desorganizado que falta um ponto fixo. E é justamente o concreto que nos dá pontos fixos. O que você fez, o que disse, como age”. E continuando com sua postura diante da nova realidade política dos Estados Unidos finalizou dizendo que “por isso, eu, diante disso, espero e vejo”. E consultado sobre se o que Trump disse até agora já não é motivo de preocupação, o Papa reafirmou: “Eu espero. Deus me esperou por tanto tempo, com todos os meus pecados...”

Outra pergunta referida às atitudes de xenofobia e ódio em relação aos estrangeiros que existem em diversas partes do mundo e que Trump encarnou durante a sua campanha e ao assumir a presidência, permitiu ao Papa fazer uma consideração sobre “os populismos” e discernir sobre a condição “equívoca” do vocábulo. Para Bergoglio, “na América Latina o populismo tem outro significado”, diferente da ideia de quem propõe que “busquemos um salvador que nos devolva a identidade e defendamo-nos com muros, com arames farpados, com qualquer coisa, dos outros povos que podem nos tirar a identidade”. Segundo Francisco, “isso é muito grave” e por isso deu como exemplo a Alemanha em 1933: “um povo que estava naquela crise, que procurava sua identidade, e então apareceu esse líder carismático (Hitler) que prometeu dar-lhes uma identidade, e deu-lhes uma identidade distorcida e sabemos o que aconteceu”.

Sem fazer nenhuma referência direta a Trump e suas propostas o Papa manteve na entrevista concedida ao El País, que “cada país tem o direito de controlar suas fronteiras, quem entra e quem sai, e os países que estão em perigo – de terrorismo ou coisas desse tipo – têm mais direito de controlar mais, mas nenhum país tem o direito de privar seus cidadãos do diálogo com os vizinhos”.

Para Bergoglio, ao contrário, a ideia de “populismo” é diferente na América Latina e, por esse motivo, “quando ouvia falar em populismo aqui (na Europa) não entendia muito, ficava perdido, até que percebi que eram significados diferentes dependendo dos lugares”. De acordo com Francisco “ali (na América Latina, o populismo) significa o protagonismo dos povos, por exemplo, os movimentos populares. Organizam-se entre si... é outra coisa”, afirmou referindo-se precisamente a expressões políticas às quais ele mesmo, do Pontificado, deu importante apoio, estimulou e promoveu a organização nos últimos anos.

Em sua trajetória como sacerdote e bispo, Bergoglio enquadrou-se na corrente chamada “Teologia do Povo”, um de cujos principais expoentes foi o já falecido teólogo também argentino Lucio Gera. Para Emilce Cuda, coordenadora do Grupo de Trabalho CLACSO “Teologia ética e política”, o Papa Francisco encarna uma proposta dissonante no cenário da política atual partindo da base de que “para a noção de povo argentina, povo é o povo pobre trabalhador, onde o ético opera antes do político, e não é o coercitivo ou doutrinal a priori, mas que é fruto de uma prática cultural que articula a posteriori essas duas dimensões relativas ao sujeito nós-povo: a dimensão vertical com o Outro e a horizontal com o outro”. É, disse a autora, “uma ética histórica onde a noção de sujeito-indivíduo isolado como sujeito moral é deslocada pela noção de nós-povo situado” (Cuda, E., “Teología del pueblo: ¿teología de la liberación o movimiento populista?”, U. N. Arturo Jauretche).

A esta visão outros autores atribuem a proposta encarnada nos documentos de Francisco, especialmente na Evangelii Gaudium (24.11.13) onde defende: “não à economia da exclusão”, “não à nova idolatria do dinheiro”, “não a um dinheiro que governa em vez de servir”, “não à iniquidade que gera violência”.

Para Francisco, “a Teologia da Libertação foi uma coisa positiva na América Latina”, porque “teve aspectos positivos e também teve desvios, sobretudo na parte da análise marxista da realidade”.

De acordo com o Papa, “a América Latina está sofrendo os efeitos de um sistema econômico que tem no seu centro o deus dinheiro, e então [esses países] caem em políticas de fortíssima exclusão. E então se sofre muito. E evidentemente hoje em dia a América Latina está sofrendo um forte embate de liberalismo econômico forte, desse que eu condeno na Evangelii Gaudium quando digo que ‘esta economia mata’. Mata de fome, mata de falta de cultura”. Para assinalar em seguida que “a emigração não é só da África para Lampedusa ou para Lesbos. A emigração é também do Panamá para a fronteira do México com os Estados Unidos. (...) Fabricam-na para cá, para os ricos, e perdem a vida nisso. E há os que se prestam a isso”, destacou.

Referindo-se a outras questões, o Papa reiterou que a China e o Vaticano estão trabalhando de maneira conjunta e mostrou-se disposto a visitar o país asiático “quando me convidarem”. Disse que “eles sabem” (os chineses). E acrescentou que, “além disso, na China as igrejas estão cheias” e que “se pode praticar a religião na China”.

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