Os homens do Papa na Igreja estadunidense, contra o “vírus da polarização”

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22 Novembro 2016

Kevin Farrell, Blase Cupich, Joseph Tobin. Os três homens de confiança de Francisco na Igreja estadunidense não receberam apenas das mãos do Papa no último final de semana o anel e o barrete cardinalícios. Aceitaram também dele uma tarefa urgente: a de superar o “vírus da polarização e da inimizade”, males contra os quais o Pontífice advertiu em sua homilia no Consistório.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 21-11-2016. A tradução é de André Langer.

“O problema que temos hoje, não apenas na sociedade, mas também na Igreja, é que estamos muito polarizados”, disse Kevin Farrell, prefeito do Dicastério dos Leigos, Família e Vida, em uma entrevista concedida ao sítio America publicada neste domingo. “Em ambos os lados, na esquerda e na direita, acreditamos que nos convertemos em deuses, mas nenhum lado tem razão”.

O novo cardeal, recém chegado a Roma de Dallas, aprofundou com essas palavras, no sítio jesuíta, os comentários que fez aos meios de comunicação no mesmo dia do Consistório, nos quais refletiu sobre o lugar da misericórdia na vida da Igreja após o fim do Ano Jubilar.

“Todos temos que nos envolver mais e mostrar mais misericórdia e compaixão a cada um dos nossos irmãos e irmãs”, declarou o cardeal Farrell naquela coletiva de imprensa.

“Temos de aprender a nos respeitar uns aos outros. Podemos ter divergências em muitas coisas, mas temos que entrar em diálogo e conversar. É o que o Santo Padre quer, e, creio, é isso que está em jogo no Ano da Misericórdia”, afirmou. Esta postura de entendimento é mais urgente do que nunca, disse, no contexto da divergência de alguns cardeais com certos aspectos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, já que “as pessoas podem falar de qualquer problema teológico do mundo, mas se não for feito em um espírito de caridade, é oco”.

Blase Cupich, arcebispo de Chicago, também se referiu ao descontentamento dos cardeais Burke, Caffarra, Meisner e Brandmüller, declarando-se partidário da perspectiva adotada pelo próprio Papa Francisco, em sua entrevista na sexta-feira passada à Avvenire, de que o discernimento acontece “no fluxo da vida” e não no pensamento “preto e branco”.

“A vida é cheia de ambiguidades”, declarou Cupich aos jornalistas reunidos no sábado no Colégio Norte-Americano de Roma, situação que o Papa está abordando com seriedade e autenticidade suficiente para não ter que se desculpar a ninguém. “Creio que há vozes suficientes para que o Santo Padre não precise defender absolutamente um documento magisterial da Igreja”, continuou o novo cardeal de Chicago. “Cabe aos que têm dúvidas ou perguntas ter conversas em suas vidas”, disse.

Já o cardeal Joseph Tobin – atual arcebispo de Indianápolis, mas a partir de janeiro próximo o novo pastor da Arquidiocese de Newark – refletiu, na sexta-feira passada, em conversa com America, sobre as brisas que estão sendo experimentadas na Igreja do Papa Francisco.

“Creio – se poderia discutir – que em pontificados anteriores não houve a liberdade para dizer este tipo de coisas”, disse o cardeal Tobin, sobre o constante impulso ao diálogo e entendimento, e não ao confronto e divisão, na era Bergoglio. “O Papa ensina. Como se interpreta corresponde a outro”, afirmou, citando como exemplo de fiel intérprete do Papa o cardeal Christoph Schönborn, na sua opinião, “um dos grandes intelectos no Colégio Cardinalício”.

Sobre as críticas dos cardeais mais reacionários à aproximação da Igreja às pessoas feridas pelos fracassos de seus matrimônios, o cardeal Tobin asseverou que estes representam uma parcela minoritária na Igreja e que este Papa tem muito mais admiradores que detratores.

“Penso que as pessoas intuem que o Papa não está falando de uma espécie de catecismo com perguntas e respostas”, declarou Tobin, sobre as cinco dubia – perguntas que requerem um “sim” ou um “não” – enviadas ao Papa pelos quatro cardeais rebeldes. Pelo contrário, com o magistério de Francisco – como evidencia a Amoris Laetitia, sobretudo – trata-se, na sua opinião, do “reconhecimento da santidade da consciência, assim como da obrigação de formá-la na população católica”.

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