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14 Outubro 2016

“As cartas, que não são dirigidas exclusivamente aos católicos, transformaram-se em uma experiência de comunicação alternativa digna de ser analisada na perspectiva religiosa, certamente, mas também na perspectiva de quem se ocupa dos temas da comunicação”, escreve Washington Uranga, jornalista, em artigo publicado por Página/12, 12-10-2016. A tradução é d e André Langer.

Eis o artigo.

Há quase nove meses, o chamado Grupo de Padres na Opção pelos Pobres começou a publicar quinzenalmente uma Carta ao Povo de Deus na qual fazem um apanhado de informações nacionais de toda ordem e aproveitam para expor suas opiniões sobre a situação do país. O Grupo de Padres na Opção pelos Pobres é formado por sacerdotes católicos que trabalham em meios populares e costumam expressar-se com autonomia em relação à instituição eclesiástica e suas autoridades.

As cartas, que não são dirigidas exclusivamente aos católicos, transformaram-se em uma experiência de comunicação alternativa digna de ser analisada na perspectiva religiosa, certamente, mas também na perspectiva de quem se ocupa dos temas da comunicação.

“Pouco antes de o governo do Mudemos completar dois meses (começo de fevereiro) estávamos preocupados com a falta de informação”, afirma o Pe. Eduardo de la Serna, coordenador do Grupo de Padres na Opção pelos Pobres, em conversa com Página/12 sobre a iniciativa. “As vozes da oposição eram muito poucas e o aparato midiático de publicidade era muito forte”, disse. E relata que “um grupo de padres reuniu-se nesse momento em Berazategui, em uma paróquia, para ver o que se podia fazer e dizer... e surgiu a ideia de escrever uma carta quinzenal – que chamamos “ao Povo de Deus” – informando aqueles que quisessem ouvir algumas coisas que aconteciam e não recebiam a devida importância”.

Por que agora e não antes?, pergunta-se a ele. “Não negávamos que aconteciam coisas em tempos anteriores, mas havia centenas de vozes que informavam sobre isso, ou – com frequência – deformavam. Antes não faltavam vozes que mostrassem coisas questionáveis do governo anterior”, afirma o sacerdote.

E lá já vão 17 edições da Carta ao Povo de Deus e nelas se pode encontrar um compêndio de informações e vozes que não têm repercussão no sistema midiático. Com o passar do tempo, a carta também cresceu em extensão devido às informações que os padres recolhem aqui e ali entre seus fiéis, mas também pela contribuição de organizações e grupos que apreciam a existência deste canal aberto de comunicação alternativa. As cartas são cada vez mais longas. A última tem 17 páginas.

“A questão seguinte que nos propusemos foi não nos preocuparmos com a extensão da carta”, disse De la Serna, sabedor de que os textos excessivamente longos dificilmente conseguem espaços nos meios de comunicação. “É do conhecimento de todos que a extensão atenta contra a leitura, mas orientou-nos o exemplo de dom (Óscar) Romero (arcebispo salvadorenho assassinado no dia 24 de março de 1980) que domingo a domingo, pela rádio diocesana (ou outras quando as bombas interrompiam o sinal), informava a todos sobre tudo o que acontecia na semana anterior em termos de violações dos direitos humanos, em atentados, no que atingia os pobres”.

Está claro que o propósito do Grupo de Padres na Opção pelos Pobres não é aparecer principalmente nos meios massivos de comunicação, mas serem lidas, nas redes sociais, na forma impressa e circulando de mão em mão, nas capelas e paróquias. Para muitos, estas cartas são documentos que servem para debater a realidade do país na perspectiva dos pobres.

“As homilias de Romero eram longuíssimas, o contrário do que se espera de uma homilia, mas o país inteiro parava para ouvi-lo. Ter uma voz profética foi o critério, provavelmente pouco jornalístico”, acrescenta a este respeito o coordenador do Grupo de Padres na Opção pelos Pobres.

Também existe o cuidado para que a informação seja veraz e comprovada. “Nos comunicamos nas redes para que toda a informação, devidamente checada, pudesse ser reunida para depois distribuí-la por temas na carta”, sustenta o sacerdote.

Não se recusa o debate e o posicionamento político. “Há alguns temas que são recorrentes, especialmente porque nos negamos ao esquecimento, como a prisão política e injusta de Milagro Sala e seus companheiros e companheiras e o escândalo dos Panamá Papers”, assegura De la Serna.

Nem ele nem os demais companheiros sacerdotes seus desconhecem a importância política e comunicacional do que estão fazendo. “Sabemos que as cartas têm uma grande importância. Fiéis ou não, de diferentes grupos e regiões, tomam-nas como ponto de referência. E isso incomoda o Governo. Incomoda e infectaram com trolls os nossos espaços, ou inclusive nos perseguiram, ou mesmo apareceu gente ‘mordida’ ou simpática para nos encantar, seduzir e fazer ‘pisar na bola’”, avaliou.

“Sabemos que o Governo e seus amigos estão incomodados, como vemos em algumas reações e publicações. Um Governo que segue tentando calar todas as vozes possíveis, espiar jornalistas, não pagar pauta publicitária, mostra todo o seu autoritarismo, e como padres, a partir da Palavra de Deus e olhando a realidade, ‘com um ouvido no Evangelho e outro no coração do povo’, seguimos decididos a fazer ouvir a nossa voz”, conclui Eduardo de la Serna.

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