Argentina. Francisco, referência política obrigatória. Artigo de Washington Uranga

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18 Agosto 2016

“Por diferentes vias, na Argentina de hoje se visualiza o espaço do religioso como um âmbito propício à resistência e à promoção de direitos. É ao mesmo tempo um recurso, um refúgio, uma alternativa, como também uma clara manifestação da crise que a política atravessa. O mesmo ocorre com as lideranças. Por isso, Francisco, vivendo longe da Argentina, se transforma em referência política obrigatória, a partir do magistério religioso”, escreve o jornalista argentino Washington Uranga, em artigo publicado por Página/12, 16-08-2016. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A marcha que percorreu a cidade de Buenos Aires, do Santuário de São Caetano, em Liniers, até a Praça de Maio, reivindicando “paz, pão e trabalho” foi o resultado de uma conjunção pouco comum entre o político e o religioso, sintetizado e entrelaçado pela mobilização popular. Na frente da marcha se alinharam dirigentes sociais, sindicais e políticos, junto a padres que trabalham nos meios populares. Um dos lemas que mais se mostrou foram os “três T” (teto, terra, trabalho) do Papa Francisco. Da mesma maneira, a imagens da máxima referência do catolicismo se multiplicaram ao longo das colunas. Em Liniers, no templo de São Caetano, o cardeal Mario Poli leu uma carta enviada pelo Papa, para a ocasião, demonstrando sua preocupação com o desemprego.

A cada quinze dias e há seis meses, o Grupo de Padres em Opção pelo Pobres emite uma carta dirigida a seus fiéis e à sociedade, na qual oferece informação sobre a realidade – com o argumento de superar o “bloqueio informativo” – e fazem considerações políticas sobre todos os aspectos da realidade do país.

Uma pergunta possível: diante da falta de respostas e alternativas políticas, o religioso se transforma em uma espécie de “refúgio” da política e de seus atores?

Frente à interrogação, certamente, não há respostas contundentes ou categóricas pelo sim ou pelo não. Mas, cabe traçar alguns elementos que podem contribuir para a reflexão coletiva.

O primeiro que resulta importante destacar é que estamos falando da religião como manifestação de fé popular e não da institucionalidade religiosa incorporada nas igrejas e em suas instituições. A fé popular católica que move os peregrinos a São Caetano supera a institucionalidade católica expressada em seus ministros, com os bispos. Dito de outra maneira: nem os bispos e nem os sacerdotes são porta-vozes dos fiéis que vêm a São Caetano expressar suas preocupações, exteriorizar suas orações, pedir trabalho e agradecer pelos “benefícios” recebidos. Estas manifestações religiosas têm sua própria dinâmica que, embora não confrontam com a institucionalidade, se situam à margem dela. Ao contrário, a Igreja institucional e os bispos, em especial, são aqueles que buscam persistentemente se apresentar como intérpretes, porta-vozes e representantes dessas correntes religiosas.

Não menos certo também é que, quando as estruturas políticas entram em crise e não conseguem expressar o sentir dos setores populares, estes acorrem à Igreja institucional buscando afinidades, apoios, garantias. E assim se produzem sociedades como as que historicamente, na Argentina, geraram os Padres para o Terceiro Mundo, que agora expressam os Padres em Opção pelos Pobres, aquelas que na América Latina colocaram em evidência os diferentes representantes da chamada “Teologia da Libertação” e que hoje, em outros termos, expressa o Papa Francisco, com cujas posições os migrantes, os pobres, os excluídos e marginalizados em geral se identificam.

É possível dizer que todas estas são manifestações políticas? Sim, na medida em que se entenda a política como construção coletiva para dar a devida resposta aos interesses e necessidades da maioria. Seria possível dizer, então, que o ponto de contato entre política e religião está precisamente em um conceito difícil para as ciências sociais, mas que habitualmente a doutrina católica denomina como “bem comum”. Como defini-lo? Os “três T” de Francisco, considerados como condição básica para todos os homens e mulheres, poderiam ser o início de uma síntese. Principalmente se, como se sustenta, os “três T” estão relacionados com a justiça e os direitos em todas as ordens da vida. No ano passado, falando nas Nações Unidas, Bergoglio disse que “os governantes precisam fazer tudo o que é possível para que todos possam ter a mesma base material e espiritual para sustentar sua dignidade e sua família” e que isto está dado pelo “teto, trabalho e teto, pela liberdade espiritual, religiosa e o direito à educação e a todos os outros direitos cívicos”.

Tanto a política como esta mensagem religiosa que se conecta com o social possuem em comum a superação do individualismo e a construção de solidariedade entre as pessoas. Qual a diferença? O protesto religioso busca impregnar de sentido (transcendente, mas também terreno) os atos humanos e, ao menos nesta versão, não pretende a tomada direta do poder, mas incidir no rumo dos acontecimentos. Ao contrário, as organizações políticas, embora possam se inspirar em princípios semelhantes, tem como propósito chegar ao poder para cumprir com tais objetivos.

Em muitos sentidos, uma visão do religioso centrada no homem e em sua dignidade não pode se afastar da ação política e, como sustentaram reiteradamente os teólogos latino-americanos da libertação, como também o magistério social católico, religião e política se entrecruzam e se alimentam mutuamente. A América Latina está cheia de exemplos de militantes políticos que chegaram, inclusive, a posições muito radicalizadas, a partir de seu compromisso religioso, de sua fé.

O olhar na história também manifesta ao menos duas questões (entre outras): quando se aprofunda a crise política, de propostas e de liderança, o espaço religioso aparece como substitutivo e como refúgio para a ação. Porque impregna de sentido as reivindicações, porque permite superar o individualismo e porque, dado que não pretende o acesso ao poder de maneira direta, pode conter as demandas e expressá-las sem gerar os inevitáveis enfrentamentos que produz discutir estratégia e tática para a política conjuntural.

É ruim? Nada indica que assim seja. Contudo, também as experiências que tentaram – por exemplo através das diferentes versões democrata-cristãs – transferir os postulados religiosos à política demonstraram, na grande maioria dos casos, a inviabilidade de tais propostas, fundamentalmente porque a institucionalidade religiosa (seja católica ou de outras confissões) acaba se impondo acima do poder político e estabelecendo normas que avassalam a liberdade daqueles que pensam diferente.

Por diferentes vias, na Argentina de hoje se visualiza o espaço do religioso como um âmbito propício à resistência e à promoção de direitos. É ao mesmo tempo um recurso, um refúgio, uma alternativa, como também uma clara manifestação da crise que a política atravessa. O mesmo ocorre com as lideranças. Por isso, Francisco, vivendo longe da Argentina, se transforma em referência política obrigatória, a partir do magistério religioso. O mesmo poderá ocorrer com alguns bispos argentinos, se forem capazes de fazer eco de suas palavras. No entanto, nem o Papa e nem os padres são, nem devem ser, uma resposta política, ainda que possam inspirar alguns caminhos e facilitar sua busca.

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