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11 Outubro 2016

O Grupo de Padres na Opção pelos Pobres condenou a prisão de Milagro Sala e o silêncio em casos de corrupção, como o de Michetti. Críticas à política econômica, ao Poder Judiciário e à violência da polícia.

A reportagem é publicada por Página/12, 08-10-2016. A tradução é de André Langer.

Continuando com a prática iniciada há meses, o chamado Grupo de Padres na Opção pelos Pobres divulgou a sua carta de número 17, destinada a informar aos seus fiéis e à sociedade sobre a situação social e política e, ao mesmo tempo, emitir sua própria posição. O Grupo de Padres na Opção pelos Pobres é formado por padres católicos de todo o país que trabalham em meios populares. Neste caso, os padres defendem que “as vítimas crescentes do modelo neoliberal vigente em nosso país exigem que falemos profeticamente sabendo que sua situação pode mudar e deve mudar!” E acrescentam que “acreditamos que Deus não nos perdoaria se ficássemos calados diante de tanta morte planejada”. Por isso, destacam, “queremos dizer a cada argentina e argentino que ‘sua fé o salvou’, mas para isso necessitamos de políticas, verdade, iniciativas de uma verdadeira salvação. Lamentavelmente, vemos todo o contrário”.

Em um documento de 17 páginas, os Padres começam recordando e condenando os “262 dias de prisão de Milagro Sala, presa política”, buscando “reclamar e sacudir a surdez oficial (Provincial e Federal) diante desta flagrante injustiça e abuso impune de autoridade”. Como contraface, denunciam a “impunidade flagrante” no caso dos “papéis do Panamá” e chamam a atenção para “o desembaraço oficial e a exasperante cumplicidade no silêncio de quem deveria levantar a voz (poderes judiciário, legislativo e imprensa) diante destes evidentes casos de corrupção”.

Saindo ao resgate da política, o Grupo de Padres na Opção pelos Pobres afirma que “como seguidores de Jesus, o anunciador do Reino de Deus, parece-nos muito importante valorizar a política como a forma mais ampla e profunda de amor, como busca do bem comum, como militância por mais e melhor vida para todos e todas”. Lamentam-se, ao contrário, que “muitos, colonizados pela hegemonia da comunicação, se queixaram ontem pela ‘herança recebida’ e hoje contra a sistemática mentira macrista, em virtude do que triunfa a antipolítica”. Advertem os Padres que “este é o ‘caldo grosso’ para os poderosos, desalento para os frágeis e serve para justificar a repressão dos ‘loquitos’ politizados”.

Em outras partes do documento critica-se a diferente consideração que os meios de comunicação fazem sobre a chamada “corrupção com K” ao passo que “se dissimula ou invisibiliza” o que acontece com a vice-presidente Gabriela Michetti. “Gostaríamos apenas de pedir à Sra. Michetti para que não fale em nosso nome” quando diz que “ninguém pensa que sou corrupta”, defendem os Padres.

A respeito do presidente Mauricio Macri e sobre a estratégia publicitária oficial mostrando imagens familiares do presidente, o Grupo de Padres na Opção pelos Pobres afirma que “se querem mostrar um governo de família e até o seu cachorro Balcarce, gostaríamos de vê-los vivendo e comendo nos bairros pobres e com o poder aquisitivo dos salários das vítimas deste governo que mergulhou milhares de famílias nos índices de pobreza”.

Dizem também que “o Poder Judiciário parece não fazer senão coisas que confirmam a sistemática vitória dos poderosos e o desinteresse pelos pobres”. E denunciam que a política de direitos humanos está “em perigo”. A este respeito, assinalam os Padres que “em coerência com o que foi dito oralmente e vendo como o conceito de terrorismo de Estado é alterado para o de ‘guerra suja’ ou posta em dúvida a extensão do terror e do extermínio com declarações negacionistas sobre o número de 30 mil desaparecidos, o Poder Executivo avança com sua política de dificultar o avanço da investigação e julgamento dos crimes de lesa humanidade criando situações de impunidade para o julgamento dos participantes civis do último processo militar. A redução de 12% do orçamento 2017 nesta área é um simples exemplo disto”, concluem. Pedem, além disso, à governadora bonaerense María Eugenia Vidal para que “tire do abandono em que se encontram os Espaços para a Memória e a Promoção dos Direitos Humanos na Província de Buenos Aires”.

Em outras partes do documento, os Padres descrevem de maneira minuciosa fatos de violência cometidos em diversas partes do país tanto pelas forças de segurança como por “quadrilhas armadas”, em prejuízo de jovens e trabalhadores, em alguns casos de organizações sociais.

Também não faltam alguns parágrafos duramente críticos com os dirigentes sindicais. “Já assinalamos: este modelo ‘genocida por gotejamento’ não funciona sem sindicalistas cúmplices e sem repressão”. Os Padres se perguntam: “qual é o motivo pelo qual diante da ostensiva deterioração do salário e do emprego os responsáveis pela central operária estão há meses evitando falar em greve nacional e negam a pressão das bases trabalhadoras e dos desempregados?” Para concluir de imediato que “esta demora sem argumentos nos leva a pensar que negociaram com o governo contra os trabalhadores”.

Os Padres “celebram o aparecimento do ‘neto de número 121’, o que neste caso nos toca mais de perto”, dizem, e “celebram” também “que a chanceler Susana Malcorra não foi eleita como secretária da ONU, porque não nos teríamos sentido representados”.

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