“Temos 65 milhões de deslocados”, diz secretário-geral da ONU

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11 Agosto 2016

Em visita à Argentina e para um pequeno grupo de jornalistas, incluindo o Página/12, o diplomata sul-coreano Ban Ki-moon fez um balanço de sua década à frente do organismo multilateral e deu uma visão otimista sobre a região.

A reportagem é publicada por Página/12, 10-08-2016. A tradução é de André Langer.

Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), define-se como cozinheiro. Diz que tem seus próprios segredos para fazer uma comida deliciosa e garante que como chef e “chief” (chefe) da ONU está indo na direção correta. Seguindo a metáfora culinária conta que os principais ingredientes de sua receita vencedora são uma mistura de perseverança, flexibilidade e compaixão pelos mais vulneráveis.

Tranquilo, sorridente, ao ritmo de uma voz muito suave, fala com o conhecimento de quem dirige a ONU há 10 anos, período que caracteriza como aquele que teve os maiores problemas na história da humanidade. Enquanto está nos últimos meses em seu posto, na terça-feira concluiu sua terceira visita à Argentina. “Estou orgulhoso de dizer que pudemos cumprir as expectativas, apesar de haver uma falta de satisfação por parte das pessoas que questionam se a ONU funciona corretamente”, adverte em um encontro com representantes de seis meios de comunicação, entre eles o Página/12.

Ban Ki-moon foi eleito em 01 de janeiro de 2007 pelo órgão máximo da ONU, a assembleia geral, para ser o oitavo secretário da organização. Em 2011, foi reeleito para um segundo mandado. Antes disso, tinha sido embaixador da Coreia do Sul na ONU e ministro de Relações Exteriores e Comércio de seu país. No começo do ano que vem será seu sucessor ou sucessora que estará no comando. Na semana passada, houve a segunda rodada de votação para a escolha do futuro líder da ONU, e em terceiro lugar ficou a chanceler argentina Susana Malcorra.

Devido ao fato de que todos os secretários-gerais até agora foram homens, está havendo um grande debate em torno de que o próximo ocupante deva ser uma mulher. “Apoio a ideia de que meu sucessor seja uma mulher. É a hora adequada para que o próximo secretário seja uma mulher. No entanto, o secretário-geral é eleito com base no mérito. Não há um critério ou uma regra que imponha restrições em relação à religião ou ao sexo. Na minha experiência, as melhores candidatas para ocupar postos foram mulheres. Mas, a decisão final é de responsabilidade dos Estados membros”.

Ban Ki-moon acredita que o grande problema que existe para a busca de soluções para os conflitos é que a maioria dos países assume perspectivas nacionais e não globais, o que gera divisão. Isto afeta, entre outros assuntos, a situação dos refugiados, drama que qualifica como um problema em nível global e como a pior catástrofe humanitária desde a Segunda Guerra Mundial. “Temos 65 milhões de pessoas deslocadas. Transformou-se em uma situação impossível de ser administrada. Há uma massa enorme de refugiados entrando na Europa vindos da Síria, Somália, Afeganistão, Líbia e Iraque. O número é insustentável. Por isso, a ONU vai reunir-se no dia 28 de setembro com todos os líderes europeus e alguns asiáticos para tratar deste problema”, adianta com exclusividade. O diplomata coreano assegura que estão trabalhando para ver como compartilhar responsabilidades para ajudar as pessoas que não têm outra opção senão a de deixar suas casas pelo perigo iminente das suas vidas. “Pedi a todos para mostrarem compaixão para conceder refúgio e instalar sistemas que salvem vidas”.

A modo de análise sobre a ação da organização nos últimos anos, Ban admite que a ONU teve menos presença na América Latina devido ao fato de que o continente está em paz, em comparação com outros. Embora reconheça a existência de tensões e conflitos, avalia que houve muitas situações positivas na solução dos problemas. “Um caso é a situação na Colômbia, entre o governo e a guerrilha da FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), com seu processo de paz. Outro exemplo é que Cuba seja reconhecida pelos Estados Unidos depois de tantos anos. Também as negociações para o diálogo que se estão dando na Venezuela, que espero que deem frutos”. Destaca, por sua vez, a importância dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, porque considera que mobilizam instantaneamente paixão, energia, harmonia e reconciliação. “É uma oportunidade para que os latinos estejam orgulhosos”.

No marco das Olimpíadas, Ban faz um apelo ao povo brasileiro e ao presidente interino Michel Temer. “Minha mensagem é que todo este festival da humanidade não pode ser afetado por nenhum problema constitucional e precisam se comprometer seriamente com isso”, comenta em relação à sessão do Senado brasileiro que começou na terça-feira para votar se processam a suspensa presidenta Dilma Rousseff por supostos crimes contra a lei de responsabilidade fiscal. Esta acusação foi tomada por Rousseff como um golpe constitucional. Além disso, a Promotoria federal determinou que as chamadas pedaladas fiscais, pelas quais se levou a presidenta ao julgamento de destituição no Congresso, não configuram um crime. Dilma e milhões de brasileiros consideram que houve uma interrupção da ordem democrática através da aplicação arranjada de mecanismos constitucionais por parte de uma elite golpista.

Pelo contrário, Ban parece apoiar ou consentir a utilização destes mecanismos para derrubar a presidenta. “É uma crise constitucional”, disse, marcando o campo. “Não posso me envolver, porque é um assunto interno, mas espero que todos os problemas se resolvam em concordância com o processo constitucional. O Brasil é um país muito importante em termos de tamanho, população e economia. Espero que possam superar esta crise o quanto antes e se envolvam nessa grande capacidade que têm”.

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