O canto do Papa à mulher na Igreja

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02 Outubro 2016

Em seu segundo dia na Geórgia, às portas de sua sonhada viagem à Rússia, o Papa Francisco aproveitou a ocasião da missa no estádio de Tbilisi para lançar um canto à mulher georgiana e, nelas, a todas as mulheres do mundo que são as autênticas colunas da Igreja.

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada por Religión Digital, 01-10-2016. A tradução é de André Langer.

Segundo o Papa, as mulheres “são um tesouro de grande valor” para a Geórgia e para o mundo na perspectiva da fé. Primeiro, porque, como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus, “amam a Deus em número muito maior que os homens”. Uma constatação evidente em toda a geografia católica.

Em tempos de secularização, quando a prática religiosa caiu vertiginosamente, pelo menos no Ocidente, a mulher segue mantendo viva a chama da assiduidade nas missas e nos demais sacramentos. Aos domingos, as nossas igrejas estão povoadas de mulheres e de idosos.

E não participam apenas de atos religiosos, mas ocupam-se da “gestão” eclesiástica em todas as paróquias, igrejas e conventos. Um exército feminino fiel e serviçal, que entrega tudo em troca de nada, porque, apesar de sua permanência e de sua dedicação, o acesso ao altar continua sendo vetado a elas.

No catolicismo, a mulher não apenas segue praticando, mas, além disso, continua exercendo o papel de correia de transmissão da fé. Nas famílias e nas paróquias. Nestas últimas, a catequese de crianças e adolescentes está majoritariamente em suas mãos.

E, como reconhece o Papa, também nas famílias “há muitas avós e mães que continuam a guardar e a transmitir a fé”. Já mais as avós do que as mães. Estas últimas, arrastadas pelos ares da secularização, já não educam os seus filhos na fé. É o que os teólogos pastoralistas chamam de “geração perdida” de mães jovens que já não se casaram pela Igreja nem batizam seus filhos nem lhes transmitem os rudimentos da fé.

Nesta situação, são muitas as avós que assumem o testemunho da fé e suprem as mães. São as avós as que seguem ensinando aos seus netos as primeiras orações. Desde o “Jesusito de mi vida” até a Ave-Maria.

Esta é a razão da homenagem que o Papa rende a elas na Geórgia. Porque, se a infância é a pátria da vida e durante ela não se semeiam os rudimentos da fé, esta terá menos possibilidade de germinar nos corações das novas gerações.

Uma Igreja católica quantitativamente feminina, que depende da mulher para a transmissão da fé e para levar “a consolação de Deus a muitas situações de deserto e de conflito”, como disse Francisco. Uma Igreja que, apesar da dívida que contraiu com a mulher, segue sendo profundamente masculina e excluindo-a de seus órgãos decisórios. Com pequenos remendos, como este que o Papa está tentando colocar em andamento: a eventual ordenação de mulheres diaconisas. E inclusive isso lhe está custando ‘Deus e ajuda’.

Do Cáucaso, Francisco manda um recado aos rigoristas da sua própria cúria, que se opõem a que a outra metade do céu acesse o altar, e proclama que, sem a mulher, a Igreja poderá deixar de existir. A discriminação da mulher no seio do catolicismo brada ao céu e contradiz abertamente o Evangelho de Jesus.

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