Se está em jogo a “propinocracia”, TSE deve julgar chapa Dilma-Temer

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15 Setembro 2016

Há poucas coisas tão dolorosas nesta crise política como as oportunidades perdidas. Um impeachment casuístico e fatiado é a desculpa perfeita para o PT se esquivar do profundo exercício de mea culpa que deve à sociedade brasileira e à esquerda, em particular, pelos erros no poder. Era a hora e o momento de um debate sério sobre privilégios e desigualdades com o facão dos cortes sobre as nossas cabeças. O Governo Temer acha, aliás, que está tudo bem com os mais pobres pagando o pato. É muito provável que a questão da Previdência acabe com um grupo pequeno e coeso tentando empurrar goela abaixo um projeto enquanto outro grupo maior é liderado por uma cúpula que esperneia e tenta, se der, garantir umas vantagens setoriais e corporativistas.

O comentário é de Flávia Marreiro, jornalista, publicada por El País, 14-09-2016.

É com a mesma desolação que vemos a elite de umas das principais carreiras do serviço público brasileiro, a do Ministério Público Federal, abraçar sem dó o espetáculo para apresentar a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato. Ele foi descrito como fundador e "maestro" do "Governo das propinas", mesmo que entre os crimes a ele atribuídos na acusação formal não estivesse o de formação de quadrilha.

Não é a primeira vez que a grandiloquência acomete os procuradores de Curitiba na hora de falar sobre Lula. Em março, na nota em que explicavam porque pediram à Justiça que o obrigasse a depor, o petista já era apontado como "maior beneficiado" do esquema de desvios na Petrobras (no qual só o ex-diretor Pedro Barusco devolveu 100 milhões ao erário, lembre-se).

Mas vá lá que à mais admirada geração da procuradoria seja dada a liberdade de uma abordagem mais profunda e totalizante da corrupção no Brasil, para efeitos da construção da acusação. Aí ficam faltando peças bastante eloquentes. Qualquer pessoa razoavelmente esperta no país encontra eco no termo "propinocracia" para descrever o "modelo de negócios" da política brasileira. Pelo já fartamente publicado, não há nenhuma dúvida do papel do PT e - pela lógica do senso comum, não de um julgamento - o de Lula na engrenagem. No entanto, os mesmos delatores que Deltan Dallagnol usou para embasar sua tese sobre Lula - Néstor Cerveró e Delcídio do Amaral entre eles -, poderiam ter servido para uma menção a esquemas de propina que vieram antes de 2003, durante o Governo FHC, ou para frisar o papel do partido que provavelmente segue se beneficiando deles, o PMDB de Michel Temer, que agora governa. Ou a "propinocracia" terminou em 31 de agosto?

As menções seriam saudáveis não porque nomes do passado ou ainda no poder fossem parte desse acusação - se conhece bem as limitações sobre prescrição dos crimes da Lava Jato -, mas porque para parte dos observadores ainda resta uma prova de fogo para a Lava Jato: a de que a força-tarefa é capaz de agir de maneira sóbria e equânime com todo os atores envolvidos. Essa parte espera desesperadamente poder tirar o PT do lugar de vitimismo que a apresentação de hoje volta a alimentar.

Se estamos há tanto tempo no Governo das propinas, é um escárnio que os sócios dela - minoritários antes, se querem, mas agora definitivamente donos do espólio - possam ver esta quarta-feira como um trunfo. As escolhas narrativas dos procuradores da Lava Jato em Curitiba só reforçam o escárnio que é ver mofar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer, quando se avolumam as acusações de fundos ilegais no caixa comum de campanha - não apenas pela via petista, mas também diretamente ligadas ao atual presidente (ver reportagem da equipe do Buzzfeed). A "propinocracia" agradece.

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