Ataque a bispo é um ataque contra a sociedade civil

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22 Agosto 2016

No dia 28 de julho, Dom Ramon Castro y Castro, da Diocese de Cuernavaca, no México, recebeu mais de 100 pessoas de diversas organizações civis na catedral local. Eles criticaram o governador Graco Ramírez, falando das várias dificuldades que o estado de Morelos enfrenta. Cuernavaca é a quarta cidade mais perigosa do México.

O partido político de Ramirez registrou queixa contra Castro por interferência na política, em uma violação às leis do país. Neste artigo, o colunista mexicano Jorge E. Traslosheros comenta o caso, em artigo publicado por Crux, 20-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Dom Ramón Castro y Castro é bispo de Cuernavaca, diocese no estado de Morelos, no centro-sul do país, região adjacente à Cidade do México. Quando aí chegou, três anos atrás, o religioso encontrou uma diocese desmantelada e uma população mergulhada no medo e no pessimismo, como consequência da violência e da corrupção generalizada causada pelo crime organizado e por políticos que alegam governar para o povo.

Castro é um pastor daqueles que tem o cheiro de suas ovelhas, e tem sido visado pelo governador Graco Ramirez, do Partido da Revolução Democrática, o qual afirma fazer parte da esquerda progressista.

Castro é caracterizado por sua proximidade às pessoas com quem passa a maior parte de seu tempo. Ele tem ouvido e compartilhado os sofrimentos dos fiéis e de todos os cidadãos que querem falar com ele.

A sua sensibilidade pastoral e sua coragem o fizeram ser a voz da esperança para os que não têm voz. A estratégia adotada tem sido a de seguir os passos do Santo Cura d’Ars: Reconstruir a Igreja, do santuário às ruas, com zelo missionário, a fim de servir o povo.

A voz e a abordagem pastoral de Castro provocaram a fúria de Ramirez, homem acostumado a tropeçar em seus próprios erros. O governador lançou uma campanha de difamação contra o bispo, que inclui atos de perseguição e intimidação.

A coordenação nacional do Partido da Revolução Democrática uniu-se à campanha, exigindo que o governo federal tome medidas contra Castro.

Os líderes da autodeclarada esquerda progressista mexicana nunca me surpreenderam. Eles são previsíveis, até mesmo em suas obsessões.

Quando o Papa Francisco pede aos bispos para que sejam missionários, para que sejam uma voz a clamar por justiça, convidando-os a serem pastores com cheiro de ovelhas, em seguida estes arautos da esquerda e suas lideranças celebram as palavras do papa e se enraivecem contra a Igreja Católica, como se entre nós só houvesse pastores indiferentes.

No entanto, quando na vida cotidiana eles encontram um pastor que realmente cheira a ovelhas, um alguém que, em meio à realidade dilacerante, levanta a sua voz profética, empreendem campanhas de difamação, intimidação e perseguição.

Louvam as palavras de Francisco, ao mesmo tempo perseguem os pastores.

Da forma semelhante, quando um bispo ou padre emite opiniões favoráveis aos interesses políticos de alguém, eles celebram e dedicam-lhes as primeiras páginas dos jornais, citando suas palavras na praça pública. Mas quando bispos ou padres os criticam por uma má administração e por atos ilícitos, em seguida procuram silenciá-los, criminalizando suas opiniões.

São João Batista reservava palavras duras para os governantes que, como Herodes, acreditam que cortar cabeças pode disfarçar a realidade.

Os políticos e intelectuais desta esquerda deveriam esmorecer nos seus instintos primitivos e autoritários. Eles se beneficiariam ao fazerem um esforço para compreender o verdadeiro significado de um Estado laico com aspirações democráticas, pois somente então compreenderão que as igrejas – pastores e fiéis – são parte integrante da sociedade civil.

Quando, como católicos, nos manifestamos, fazemos isso em pleno exercício dos direitos dos nossos cidadãos à livre expressão de ideias, de liberdade de associação e, acima de tudo, no exercício do direito humano à liberdade religiosa.

É chegada a hora de estes políticos entenderem que, ao atacar igrejas, estão atacando a sociedade civil, que é o fundamento singular da democracia.

Sim, é um ataque contra os cidadãos, não a partidos políticos.

A verdade é que essas pessoas não estão apenas preocupadas com liberdade com a qual os católicos agem e expressam suas opiniões. Também os enfurece ver a sociedade civil exercendo o direito de ser crítico e independente.

Não é coincidência que, juntamente com Castro, outros cidadãos estão sendo também atacados, como Alejandro Vera, reitor da Universidade Autônoma do Estado de Morelos, e o poeta católico e ativista de direitos humanos Javier Sicilia, entre muitos outros.

Aquelas pessoas no Partido da Revolução Democrática que, com a antiga intolerância que lhes caracteriza, hoje estiveram lançando as bases para a perseguição religiosa melhor fariam parar e ler as palavras de Castro que apareceram na edição de 14 de agosto do jornal Sur Digital.

 “Sou um pastor e ouvi as minhas ovelhas”, disse ele. “Não acho que isso seja crime e, se for, irei evangelizar os prisioneiros”.

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Os oito “silêncios” do Papa Francisco no México

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