Nona Sinfonia de Beethoven: um hino à fraternidade universal

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Papa Francisco nomeia novo secretário: um padre que trabalha com crianças de rua e viciados em drogas

    LER MAIS
  • O crime da Vale em Brumadinho: metáfora de um sistema minerário predatório

    LER MAIS
  • O papa aprova como vice Decano o argentino Sandri que se calou sobre os crimes do padre Maciel, estuprador de 60 crianças

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

02 Fevereiro 2016

Considerado por muitos a maior composição musical da história, obra-prima do imortal gênio de Ludwig van Beethoven, a Nona Sinfonia foi o tema da terceira e última rodada de “Leituras Teológicas, a misericórdia e a arte”. Encontro organizado pela Diocese de Roma.

A reportagem é de Alessandro de Vecchi, publicada por Zenit, 29-01-2016.

O evento contou com a presença do monsenhor Marco Frisina, presidente da Comissão Diocesana de Arte Sacra, o maestro Michele Dall Ongaro, superintendente da Academia Nacional de Santa Cecília, e o reitor da Universidade Sapienza Eugenio Gaudio. O debate foi presidido pelo Professor Cesare Mirabelli, Presidente Emérito do Tribunal Constitucional, com saudações finais do Cardeal Vigário Agostino Vallini, vigário geral do Papa para a diocese de Roma.

Em seu discurso monsenhor Frisina recordou como Beethoven compôs sua nona e última sinfonia quando estava completamente surdo e isso, em vez de ser um obstáculo “deu um toque especial de doçura e força a esta bem como em todas as obras da fase final de sua vida”.

O prelado, em seguida, falou dos vocais da sinfonia cujo texto, tirado do Hino à alegria do dramaturgo alemão Friedrich Schiller, “é o testamento espiritual do compositor para um mundo que precisa redescobrir sua alma, uma mensagem para a humanidade, um convite à fraternidade universal”.

“O significado profundo – disse Frisina – da Nona Sinfonia, e em particular do Hino à Alegria, ainda é atualíssimo num mundo como o nosso tão dividido pelo ódio e pela guerra e está em consonância com o espírito do Jubileu extraordinário da misericórdia desejado pelo Papa Francisco”.

“A música da Nona Sinfonia e a poesia de Schiller – disse Dall’Ongaro – eram obras inovadoras e para os jovens. Schiller queria usar a palavra liberdade, mas escolheu alegria para burlar a censura imperial. Mas o significado é o mesmo, porque não há liberdade sem alegria ou alegria sem liberdade. Esta música e este texto estão vivos”.

O maestro em seguida, fez ouvir e comentou sobre algumas partes da sinfonia, sublinhando a intensidade, a variedade e a novidade da composição. Ele se concentrou em particular sobre o papel da orquestra “que quase fala e interage com outras partes instrumentais”.

Beethoven – explicou Dall’Ongaro – leva as coisas já feitas por outros e reelabora, criando contemporaneamente outras. Todos os compositores posteriores partem, em certo sentido, já derrotados porque só podem ser inspirados por ele. ”

O maestro destacou a mensagem de paz da sinfonia que, em sua opinião, é mais evidente na parte em que a melodia do Hino à Alegria é repetida em um estilo que lembra a música turca e oriental.

“Os turcos – salientou Dall’Ongaro – atacaram Viena por duas vezes, portanto, representavam o inimigo por excelência. Beethoven, ao invés, nos diz que eles também podem tocar o Hino à Alegria e, assim, se tornam irmãos em nome da paz universal”.

O reitor da Universidade Sapienza definiu a Nona de Beethoven como “uma obra-prima de época que mudou a música para sempre, um trabalho com o qual a sinfonia desce das cortes imperiais e reais para se abrir ao mundo real e renovar-se a tempo todo”. Em sua opinião, no Hino à Alegria, Schiller fala da alegria “no sentido da lei natural, como o cumprimento final e perfeito da humanidade”.

Beethoven foi, sem dúvida, um autor cristão, mas viveu sua religiosidade em particular, imbuída de ideias iluministas. Partindo dessa premissa, segundo Gaudio, vem a ideia do compositor alemão de “um Deus pai amoroso em que todas as pessoas podem reconhecer-se como irmãos”.

Algo muito diferente “da abordagem de um Beethoven no qual prevalecia uma visão hostil do mundo e da natureza cuja beleza é realçada nas últimas obras como um símbolo do amor divino para com a humanidade”. Escolha muito justa, de acordo com o reitor da Universidade Sapienza, a da música, sem palavras, do Hino à Alegria como o hino da União Europeia.

A execução do Hino à alegria por um grupo de estudantes musicistas e coristas da Academia Nacional de Santa Cecília encerrou o encontro cuja intensidade e a genialidade da música de Beethoven se juntaram à beleza de um lugar tão importante historicamente como a “Aula della Conciliazione” para lançar uma mensagem de paz através de uma das melhores formas de comunicação que é a arte.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Nona Sinfonia de Beethoven: um hino à fraternidade universal - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV