Assunção de Nossa Senhora - Ano B - Maria, assumida por Deus no amor

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17 Agosto 2018

"Esta solenidade, portanto, nos recorda e nos estimula no hoje da história a ser  o que somos a partir de Deus. Recorda que somos criadas, criados para uma vida plena no amor, e nos estimula para que esse desejo de Deus seja por nós correspondido no empenho por um viver tão amoroso que nos torna inabaláveis. A partir do amor e no amor, podemos experimentar que não existe fracasso, rancor e angústia que não possa se transformar em vida. Também para nós a vida assunta por Deus não é um prêmio a receber no futuro pela boa conduta, mas a acolhida de um dom de amor de Deus Pai/Mãe que não quer que nenhum de seus filhos pereça (Jo 6,39)."

A Reflexão é de Maria Monica Gomes Coutinho, smr, religiosa da Congregação Servas de Maria Reparadoras - SMR. Ela é bacharel em Teologia pelo Instituto Santo Inácio/BH (1998) (atual FAJE), e mestre em mariologia pela Pontifícia Faculdade Marianum, Roma, 2000. Atualmente dedica-se a cursos e atividades de formação pastoral no Rio de Janeiro/RJ e em Belo Horizonte/MG.

Referências bíblicas
1ª Leitura – Ap 11,19ª; 12,1.3-6ª.10ab
Salmo 44(45), 10b.11.12ab.16
2ª Leitura – 1Cor 15,20-27ª
Evangelho – Lc 1,39-56

Celebrar a Assunção é olhar para Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, a partir desse ângulo maravilhoso: dentro da comunidade dos seguidores e seguidoras do Filho. Ela assumia/acolhia a nova proposta de Jesus.

Quem acolhe, assume e é assumido. Por isso saboreando a primeira leitura (Ap 11,19ª; 12, 1-6ª.10), perceba a força de cada verbo. No versículo 19 lemos:“abriu-se o Santuário de Deus que está nos céus”. Nesta cena, o Santuário abriu-se para que fosse vista a arca da Aliança. Para o judeu a Arca contém a memória da presença e comunicação de Deus com os ancestrais, os patriarcas e as matriarcas. Pois bem, na tradição mariana, a mãe de Jesus é evocada “arca da nova aliança”.

Nos outros versículos há um convite a circular no amor revelado e visto: este amor é libertação, e esta é carne, é ser humano gerado. É Jesus o Salvador, a definitiva Presença, não mais em pedras, nem pergaminhos, mas na existência humana que salva, e faz nova aliança. Por isso esta mulher é cuidada, protegida, assumida no amor, por amor, com amor, ela é a ASSUNTA.

E neste lindo caminho de reflexão sobre gestação relembro os correspondentes versículos do livro do Apocalipse 12, v.1- aparece no céu uma mulher vestida de sol... ; v.2- estava grávida em dores de parto...; v.5- ela deu à luz um filho homem.... v. 6- a mulher fugiu para o deserto onde Deus lhe tinha preparado um lugar.

No evangelho (Lc 1, 39-56) podemos ver Maria de Nazaré como arca, não só como gestante, mas também como quem acolhe Jesus em todo o seu ser. Ela sobe as montanhas da Judeia, vai ao encontro de Isabel, sua prima, também grávida, mantendo a fidelidade do resto de Israel, biblicamente ditos “anawin”. Envergam-se, dobram-se, na prática da Lei - colocada na arca, mas trazem no coração e na prática a esperança messiânica experimentada no seguimento a Jesus de Nazaré o Cristo. E justamente Maria é apresentada à comunidade e a nós hoje, como mulher que escolhe levar a alegria, a felicidade. Expressão que aparece cinco vezes – no evangelho da celebração de hoje.

O mesmo evangelista, na sequência, narra no cântico de Maria “todas as gerações me proclamarão feliz”, nos revela a certeza de que na ressurreição do Filho, o Cristo, Maria fez parte do que Paulo escreveu aos Coríntios na segunda leitura (1ªCor 15,20-26). Saliento v.20: “O filho é ressuscitado dos mortos como primícias”. E o v. 26 “a morte será vencida”. Entendemos com esses versículos a bem-aventurança de Maria, com Cristo, por Cristo e em Cristo. Ela, Maria, é na sua existência assumida/assunta por Deus.

A Assunção de Maria é a culminância e plenificação de sua existência, que desde Nazaré viveu, como mãe e discípula de seu Filho, uma vida tecida de escolhas de serviço, de amor.

Esta solenidade, portanto, nos recorda e nos estimula a ser no hoje da história o que somos a partir de Deus. Recorda que somos criadas, criados para uma vida plena no amor, e nos estimula para que esse desejo de Deus seja por nós correspondido no empenho por um viver tão amoroso que nos torna inabaláveis. A partir do amor e no amor, podemos experimentar que não existe fracasso, rancor e angústia que não possa se transformar em vida. Também para nós a vida assunta por Deus não é um prêmio a receber no futuro pela boa conduta, mas a acolhida de um dom de amor de Deus Pai/Mãe que não quer que nenhum de seus filhos pereça (Jo 6,39).

Podemos assumir em nossa meditação que não é privilégio o ser assumida por Deus, mas que todo o ser humano pode percorrer o caminho de experimentar ser amado incondicionalmente pelo Criador no Filho amado e intensificar o caminho do discipulado como a celebração de hoje nos apresenta a pessoa de Maria.

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