Chiara Lubich e a Economia de Comunhão

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17 Maio 2012

"O ponto fundamental desse novo jeito de “pensar a economia” é a cooperação e a ajuda mútua (na prática é a cultura do “dar” e do “doar-se”) entre os agentes e o amplo e irrestrito apoio aos projetos de cunho social que enalteçam o papel das pessoas integrando-as no sistema produtivo. O propósito é um só: levar a dimensão da fraternidade para a macroeconomia que dita, na essência, as políticas econômicas públicas. O objetivo? Fazer com que a teoria econômica tradicional seja sensível à economia social e faça valer o princípio maior dessa ciência social: proporcionar melhoria (bem-estar) de vida a todos", escreve Marcus Eduardo de Oliveira, economista, especialista em Política Internacional com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo.

Eis o artigo.

Ao contrário da economia consumista, baseada na cultura do “ter”, a economia de comunhão é a economia do “dar”. Isto pode parecer difícil, árduo, heróico. Mas não é assim, porque o homem, feito à imagem de Deus, que é Amor, encontra a própria realização justamente no amor, na doação. Esta exigência está no mais profundo do seu ser, tenha ele fé em Deus ou não. É justamente nesta constatação, comprovada pela nossa experiência, que está a esperança de uma difusão universal da economia de comunhão. (Chiara Lubich)

O distanciamento cada vez mais frequente entre as pessoas, a agressão sistemática ao meio ambiente em prol de um crescimento econômico sem limites, a consolidação de um modelo econômico que enaltece substancialmente o consumo conspícuo, a busca desenfreada pelo dinheiro como sinônimo de felicidade, o crescimento das injustiças econômicas e sociais e o desmantelamento dos princípios básicos que modelam a teia da vida. A somatória disso provoca profundo descontentamento e tem levado cada vez mais pessoas à reflexão em torno de se resgatar os laços de sociabilidade e de afirmar um compromisso em prol de um mundo melhor; de um mundo mais justo e socialmente mais equilibrado.


É nesse sentido, de se resgatar a possibilidade de se construir um mundo econômico e social menos injusto, que crescem ações buscando reverter essa tendência de distanciamento entre as pessoas, tentando aproximá-las pela prática da partilha, da comunhão (da comum união).

Tentativas de novos agrupamentos em favor de ações coletivas, cercadas de cooperação e união entre os membros tem se destacado com mais frequência numa época em que os valores monetários tem se soerguido, sobremaneira, em relação aos valores éticos, morais e sociais.

Uma tentativa nessa linha de atuação cooperativa que merece destaque é a chamada Economia de Comunhão (EdC).

A comunhão (comum união entre os membros) tem sido uma porta de entrada para a solidificação de um novo modo de fazer economia, no qual esteja presente a prática da comunhão-cooperação-fraternidade. Em poucas palavras, a Economia de Comunhão pode ser resumida como sendo a combinação de eficiência econômica com solidariedade, tendo como arrimo o princípio da cooperação.
A verdade é que a busca pela justiça social e um lugar para se viver em que “entre eles não haja necessitados” (lema da EdC) tem sido discutido amplamente entre aqueles que se põem a construir uma nova maneira de pensar a própria vida a partir das relações econômicas, tendo como elemento integrador desse sistema a participação das empresas. Esse é o modelo de atuação da Economia de Comunhão que procura, por meio de redes (conjunto de pessoas ou organizações interligadas direta ou indiretamente) pôr a economia à serviço do atendimento aos mais pobres, pois percebe claramente que os sistemas econômicos tradicionais são (e tem sido) incapazes de tirar a fome da boca de uma criança.

O ponto fundamental desse novo jeito de “pensar a economia” é a cooperação e a ajuda mútua (na prática é a cultura do “dar” e do “doar-se”) entre os agentes e o amplo e irrestrito apoio aos projetos de cunho social que enalteçam o papel das pessoas integrando-as no sistema produtivo. O propósito é um só: levar a dimensão da fraternidade para a macroeconomia que dita, na essência, as políticas econômicas públicas. O objetivo? Fazer com que a teoria econômica tradicional seja sensível à economia social e faça valer o princípio maior dessa ciência social: proporcionar melhoria (bem-estar) de vida a todos.

Nas palavras de Chiara Lubich (1920-2008), ativista social italiana, criadora desse movimento a partir de uma visita feita às comunidades carentes em São Paulo, em 1991: “a Economia de Comunhão deve canalizar capacidades e recursos para produzir riqueza em prol dos que se encontram em dificuldades. Os lucros devem ser livremente colocados em comum, divididos em três partes, no seguinte sentido: 1) Ajudar os pobres e dar-lhes sustento, enquanto não conseguirem um posto de trabalho; 2) Desenvolver estruturas de formação de ‘homens-novos’, ou seja, pessoas formadas e animadas pelo amor, capazes de viver a ‘ cultura da partilha’, e; 3) Incrementar e fortalecer a própria empresa. (CHIARA, L. em “O Movimento dos Focolares e a Economia de Comunhão”, Vargem Grande Paulista, Ed. Cidade Nova, 1.999).

Nota-se com isso que algumas ações em prol da construção de um mundo melhor estão em plena atividade; resta de nossa parte, uma maior participação, afinal, em se tratando de resgatar os mais nobres valores em torno da vida, isso não pode esperar por muito tempo.

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