A missa que o Papa não quer

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Por: André | 13 Abril 2012

É a missa segundo o rito do Caminho Neocatecumenal. Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que a examine a fundo. Sua condenação parece certa.

A reportagem é de Sandro Magister e está publicada no sítio italiano Chiesa, 11-04-2012. A tradução é do Cepat.

Com uma carta autografada ao cardeal William J. Levada, Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que examine se as missas neocatecumenais estão ou não conformes com a doutrina e a práxis litúrgica da Igreja católica.

Um “problema” que o Papa julga “de grande urgência” para toda a Igreja.

Há tempos que Bento XVI está preocupado com as modalidades particulares com as quais as comunidades do Caminho Neocatecumenal celebram suas missas, no sábado à noite, separados das celebrações da comunidade.

Sua preocupação aumentou também com a trama tecida às suas costas na cúria no inverno passado.

Aconteceu que o Pontifício Conselho para os Leigos, presidido pelo cardeal Stanislaw Rylko, havia preparado o texto de um decreto de aprovação global de todas as celebrações litúrgicas e extralitúrgicas do Caminho Neocatecumenal, que tinha que ser publicado no dia 20 de janeiro, por ocasião de um encontro previsto pelo Papa com o Caminho.

O decreto havia sido redigido por indicação da Congregação para o Culto Divino, presidida pelo cardeal Antonio Cañizares Llovera. Os fundadores e líderes do Caminho, Francisco “Kiko” Argüello e Carmen Hernández, foram informados disso e adiantaram felizes aos seus seguidores a iminente aprovação.

Tudo sem o conhecimento do Papa.

Bento XVI tomou conhecimento do texto do decreto poucos dias antes do encontro de 20 de janeiro. Teve acesso a um texto desconexo e equivocado. Ordenou que fosse anulado e que se voltasse a escrever outro seguindo suas indicações.

De fato, no dia 20 de janeiro, o decreto que tornou público se limitou a aprovar as cerimônias extralitúrgicas que marcam as etapas catequéticas do Caminho.

O Papa em seu discurso destacou que apenas estas haviam sido convalidadas, ao passo que sobre a missa deu aos necocatecumenais uma verdadeira e própria aula – quase um ultimatum – sobre como celebrá-la em plena fidelidade com as normas litúrgicas e em efetiva comunhão com a Igreja.

Nesses mesmos dias Bento XVI recebeu em audiência o arcebispo de Berlim, Rainer Maria Woelki, homem de sua confiança, a quem em breve faria cardeal. Woelki lhe falou, entre outras coisas, precisamente sobre as dificuldades que os neocatecumenais criavam em sua diocese, com suas missas em separado do sábado à noite, presididas por cerca de 30 sacerdotes.

O Papa pediu a Woelki que fizesse uma nota escrita sobre este assunto. No dia 31 de janeiro Woelki lhe enviou uma carta com informações mais detalhadas.

Dias depois, no dia 11 de fevereiro, o Papa enviou uma cópia desta carta à Congregação para a Doutrina da Fé, junto com seu pedido de examinar o quanto antes a questão, que “diz respeito não apenas à arquidiocese de Berlim”.

Segundo as indicações do Papa, a comissão examinadora presidida pela Congregação para a Doutrina da Fé teria que ter a colaboração de outros dois dicastérios vaticanos: a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e o Pontifício Conselho para os Leigos.

E assim foi feito. No dia 26 de março, no Palácio do Santo Ofício, sob a presidência do secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer, jesuíta, se reuniram para um primeiro exame da questão os secretários dos outros dois dicastérios – o arcebispo Augustine J. Di Noia, dominicano, Para o Culto Divino, e o bispo Josef Clemens, Para os Leigos – e quatro especialistas por eles designados. Um quinto especialista, ausente, dom Cassiano Folsom, prior do mosteiro de São Benedito em Norcia, enviou sua opinião por escrito.

Os juízos expressos sobre as missas dos neocatemunais foram todos críticos. Muito severo foi também aquele que a própria Congregação para a Doutrina da Fé havia pedido, antes da reunião, ao teólogo e cardeal Karl J. Becker, jesuíta, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana e consultor do dicastério.

O dossiê preparado para a reunião pela Congregação para a Doutrina da Fé incluía a carta do papa de 11 de fevereiro, a carta do cardeal Woelki ao Papa no original alemão e em versão inglesa, o parecer do cardeal Becker e um guia para a discussão na qual se colocava em dúvida de forma explícita a conformidade com a doutrina e a práxis litúrgica da Igreja católica do art. 13 § 2 do estatuto dos neocatecumenais, esse com o qual eles justificam suas missas em separado dos sábados à noite.

Na realidade, o perigo temido por Bento XVI e muitos outros bispos – como resulta pelas numerosas denúncias que chegaram ao Vaticano – é que as modalidades particulares com que as comunidades neocatecumenais de todo o mundo celebram suas missas introduzam de fato na liturgia latina um novo “rito”, composto de forma artificial pelos fundadores do Caminho, alheio à tradição litúrgica, cheio de ambiguidades doutrinais e fator de divisão na comunidade dos fiéis.

O Papa confiou à comissão por ele desejada a tarefa de averiguar o fundamento destes temores, em vista das consequentes decisões.

Os juízos elaborados pela comissão serão examinados em uma próxima reunião plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, na quarta-feira da segunda metade de abril.

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