Estratégia de "fast fashion" da Zara é colocada em xeque

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28 Maio 2013

Marcas espanholas de roupas como a Zara e a Mango são raras histórias de sucesso na Espanha em meio à forte crise que atinge o país. Mas agora, uma série de acidentes fatais em fábricas em países de baixo custo que produzem suas roupas está colocando em xeque o preço pago por uma boa aparência - especialmente numa época em que a indústria têxtil espanhola tem sido dilapidada por importações e terceirizações e os consumidores espanhóis estão cada vez mais pobres e não compram roupas novas como antes.

A reportagem é de Matt Moffett, foi publicada no The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 24-05-2013.

Nos escombros do desabamento do edifício Plaza Rana em Daca, Bangladesh, onde mais de 1.100 trabalhadores de confecções morreram no mês passado, os investigadores encontraram formulários de pedidos ou roupas da MNG Mango Holding SL e da rede varejista El Corte Inglés SA, ambas da Espanha. Um espanhol, David Mayor, cujo paradeiro é desconhecido, consta em documentos corporativos como diretor geral de uma das fábricas que funcionavam no Rana Plaza. A Inditex SA, dona da marca Zara e maior varejista de moda do mundo, era cliente da fábrica Smart Export, próxima a Daca, onde sete trabalhadores morreram em um incêndio em janeiro.

Os acidentes provocaram uma reavaliação dos custos do "fast fashion", tendência de design de moda da qual as marcas espanholas foram pioneiras e que promove uma substituição incessante das coleções para manter novos estilos nas vitrines. Essa estratégia ajudou a transformar a Inditex de uma empresa de garagem nos anos 60 para uma líder global. Seu fundador, Amancio Ortega, é hoje um dos homens mais ricos do mundo.

Alguns líderes sindicais espanhóis dizem que o sucesso do fast fashion gerou mais benefícios aos acionistas das empresas e aos consumidores estrangeiros do que aos trabalhadores da Espanha e de outros países. "É muito simples: eles transferiram muitos empregos para países de baixos salários com baixos padrões laborais e agora, como resultado, estamos vendo acidentes", disse Montserrat López García de la Torre, secretária de relações internacionais do Sindicato Geral de Trabalhadores da Espanha.

O outro lado da moeda, diz ela, é a crise que dura cinco anos na Espanha e a taxa de desemprego de 27%. O declínio nos setores têxtil e de vestuário, onde a mão de obra recuou de 243.000 em 2004 para 136.000 hoje, antecedeu os problemas mais amplos do país, à medida que as importações asiáticas superaram a produção local. Entre 2002 e 2011, cerca de 7.000 empresas têxteis ou de roupas, em torno de 43% do total, fecharam as portas, aponta um estudo da Faculdade de Administração EAE, da Espanha.

O sucesso global das marcas espanholas de moda apresentam um paradoxo. Na década passada, as vendas totais da Inditex quadruplicaram, para quase 16 bilhões de euros (US$ 20,65 bilhões) em 2012. Já na Espanha, a recessão diminuiu o consumo per capita de roupas dos espanhóis em 22% entre 2007 e 2011, de acordo com o estudo da EAE.

A Inditex não divulga dados para todos os países, mas ela abriu sua primeira loja Zara no Brasil em 1999. Hoje, tem 41 lojas no país, 38 de roupas e três de produtos para casa, a Zara Home.
Alguns analistas argumentam que fornecedores de fast-fashion não são responsáveis pelo mal-estar econômico da Espanha ou da indústria têxtil local.

"O fast- fashion depende muito da fabricação próxima do mercado doméstico", diz Angel Asensio, chefe da Federação Espanhola da Indústria do Vestuário. A ideia, diz ele, é reduzir o tempo que leva para as mercadorias chegarem das fábricas aos centros de design e de distribuição na Espanha.

A Inditex, por exemplo, afirma que cerca de metade da sua produção total vem da Espanha e de países vizinhos como Portugal e Marrocos. O número de funcionários da Inditex na Espanha cresceu 46%, para 39.098, em sete anos até 2011, embora a maioria tenha sido contratada para trabalhar em lojas e nas áreas de logística e administração. Apenas cerca de 1.100 das vagas criadas nesse período foram para as fábricas próprias da Inditex.

Cerca de 6% dos produtos da Inditex vêm de Bangladesh, parcela que não mudou muito nos últimos anos, segundo a empresa. Em torno de 4% das compras da Mango vieram de Bangladesh em 2011 ante 0,64% em 2007, informou a companhia.

No caso do incêndio da Smart Export, a Inditex informou que sua fabricante tinha subcontratado parte do trabalho para a fábrica em Bangladesh, onde, segundo os trabalhadores, a saída de emergência estava fechada. Em 2011, uma empresa contratada pela Inditex no Brasil subcontratou outro fabricante acusado pelo governo de manter trabalhadores imigrantes bolivianos em condições desumanas. A Inditex informou que rompeu os laços com as empresas em ambos os casos.

Inditex, Mango e El Corte Inglés estão entre vários varejistas europeus que assinaram um acordo legal para melhorar a segurança em fábricas de Bangladesh após o colapso do Plaza Rana.

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