O Papa abençoou e deixou de fora a política

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Por: Jonas | 23 Setembro 2015

O papa Francisco visitou, ontem à tarde, o Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, e choveu abundantemente em Santiago de Cuba, após oito meses. “Precisávamos dessa chuva, claro que sim”, comenta Adelmar, aposentado, mas que ganha algo extra por transportar turistas em seu velho automóvel. Não podia começar melhor a visita papal a Santiago, no leste da ilha, onde hoje encerrará sua visita a Cuba. Antes, pela manhã, foi o primeiro papa a visitar a cidade de Holguín, a 770 km de Havana, curiosamente terra natal de Raúl e Fidel Castro, ainda que no Vaticano se tenha afirmado que essa não foi a razão da escolha. Raúl, com chapéu de palha e ‘guayabera’, acompanhou com atenção a missa na Praça da Revolução Calixto García, na qual não houve referências políticas. Apenas se fez menção ao “esforço e sacrifício” da Igreja Católica em Cuba para trabalhar em condições pouco propícias.

 
Fonte: http://goo.gl/4EBRjY  

A reportagem é de Fernando Cibeira, publicada por Página/12, 22-09-2015. A tradução é do Cepat.

Alguns meios de comunicação internacionais já começam a ver nessa ausência de referências políticas, paradoxalmente, uma decisão importante do Papa, que é a de evitar realizar questionamentos ao governo cubano pela situação interna da ilha. Inclusive, afirmam que já é a visita papal mais acrítica, caso se compare com as realizadas por João Paulo II e Bento XVI. A boa sintonia entre o Pontífice e os Castro ficou evidenciada, mais uma vez, nos encontros que teve no domingo, em separado, com Fidel e com Raúl. No entanto, no Vaticano desmentiram que a passagem por Holguín tenha algo a ver com o fato deles terem nascido nesse local.

Holguín é a capital da província na qual desembarcou Cristóvão Colombo, em 1492. Com ele, veio a cruz e a tarefa dos evangelizadores espanhóis. E foi também na baía de Holguín que apareceu a Virgem da Caridade do Cobre, que o Papa não deixa de mencionar em cada momento público, desde que colocou os pés em Cuba. Além disso, a Igreja cubana explicou que em cada ocasião os pontífices vão a uma cidade diferente, e que desta vez se escolheu Holguín.

Francisco abençoou a cidade a partir do Morro da Cruz, arquitetado no século XVIII por um frei franciscano. A homilia da missa, na qual seguiu o discurso que tinha preparado, foi religiosa e se referiu à conversão do apóstolo São Mateus. Disse que Deus “sabe olhar para além das aparências, para além do pecado, do fracasso, da indignidade. Sabe olhar para além da categoria social a qual nós podemos pertencer”. As cerimônias do Papa, aqui, seguem com uma característica comum: o calor sufocante e a multidão.

Hoje, será o último dia de Francisco em Cuba. Voltará à Basílica do Santuário da Virgem da Caridade do Cobre para celebrar uma missa às 8h. A última atividade será às 11h, na Catedral de Santiago de Cuba, que ontem à noite já estava cercada e iluminada, com as filas de assentos preparadas para os convidados especiais. Do exterior da Catedral, o Papa fará um discurso e abençoará a cidade. Em seguida, será conduzido ao aeroporto para a cerimônia de despedida e, após o meio-dia, viajará para Washington D.C., para iniciar suas atividades nesse local, que incluirá uma reunião na Casa Branca com Barack Obama.

Segundo os especialistas, a despedida no aeroporto, na qual Raúl Castro voltará a falar, seria a oportunidade para que Francisco apresente alguma reivindicação de maior abertura ao governo da ilha, algo no qual vem insistindo um setor da imprensa internacional. Ontem, como todos os dias, no início e no término das jornadas, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, voltou a se apresentar na sala de imprensa para responder as perguntas dos enviados que cobrem a viagem. Lombardi tem uma vocação louvável para oferecer a todos uma resposta. Algumas dessas perguntas são abertamente anticastristas, com a de uma jornalista que ontem disse que reconhecia os gestos do Papa, mas que era necessário que tivesse uma postura mais enérgica contra o governo de Raúl Castro no tema dos direitos humanos. Lombardi, então, recordou algumas das mensagens que Francisco deixou até agora, que era necessário saber interpretar como uma contribuição nessa direção, como quando considerou que o homem tinha que estar a serviço das pessoas e não das ideologias, ou quando se apresentou no encontro dos jovens, em Havana, e falou da necessidade de uma maior participação e diálogo. “Amizade social”, recordou, que é um termo que o Papa costuma utilizar para falar da confluência de pessoas de diferentes orientações em objetivos comuns. “Isto é o que o Papa pode indubitavelmente fazer”, considerou Lombardi. No entanto, para um setor, é pouco.

Será necessário aguardar para ver, hoje, qual será o discurso do Papa antes de abandonar a ilha. Contudo, alguns vaticanistas prognosticaram que as mensagens de Francisco assumirão maior envergadura a partir desta tarde, quando iniciar sua atividade nos Estados Unidos. Advertem que o discurso no Parlamento norte-americano ou na Assembleia Geral das Nações Unidas serão momentos ideais para que apresente algumas de suas últimas preocupações, como o desastre pela migração e as políticas que promovem as desigualdades sociais e a degradação do meio ambiente.

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