“Mal-estar” por conta de reformas do Papa, segundo bispo da Cúria que vê o momento como “delicado”

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Por: André | 25 Junho 2015

O presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Claudio María Celli, admitiu nesta quarta-feira que vive-se na Igreja um momento “delicado”, com a existência de “certo mal-estar”, sobre o qual o Papa Francisco, que prossegue com seu plano de reformas, “está consciente”.

A reportagem é publicada por Agência Efe, 24-06-2015. A tradução é de André Langer.

Dom Celli, que se encontra por estes dias na capital da Biscaia (Bilbao), participou de um café da manhã no Fórum Europa-Tribuna Euskadi, após ser apresentado pelo bispo de Bilbao, Mario Iceta, e na presença de representantes do mundo político, econômico, da judicatura e da Igreja do País Basco.

Em sua intervenção, assinalou que o Papa enfrenta mudanças no Vaticano, como a reforma da cúria, para torná-la “mais atenta e disponível”, e afirmou que o Pontífice “sabe de muitos blogs” que são contra ele e que “há um certo mal-estar” e “tensões” neste momento.

Segundo disse, algo se move e “uma coisa grande” está acontecendo na Igreja, que “não é um museu, nem um quarto fechado” no qual “nada acontece”.

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Indicou que os acidentes podem acontecer quando se começa a andar e recordou a posição do Papa a favor de “uma Igreja acidentada, em vez de uma na qual nada acontece”, antes de assinalar que “em um quarto fechado, depois de algum tempo, começa a haver um cheiro ruim”.

Perguntado sobre a intermediação da Igreja e da Comunidade de Santo Egídio, uma organização italiana que mediou conflitos internacionais, no fim da violência do ETA, disse que esse grupo “exerceu há um tempo um papel na mediação” e reconheceu seu trabalho em alguns âmbitos africanos.

Afirmou ter “muita estima” pelo fundador desse grupo, o historiador italiano Andrea Riccardi, de quem é amigo, mas pontualizou que, às vezes, não se sente à vontade com “certas coisas”, embora tenha recusado esclareceu se tal divergência está relacionada com o ETA.

Sobre o apoio de uma monja ao processo de independência catalão, indicou que a vida religiosa não deveria estar envolvida em atividades “de tipo político” e que a atividade de clausura deve estar restrita a “rezar e amar a Deus profundamente”.

Dom Celli, que centrou sua intervenção em falar da atual “cultura digital”, chamou a atenção para o risco dos menores navegarem sozinhos na internet e censurou que a pastoral familiar da Igreja não trate da “responsabilidade dos pais de acompanhar os seus filhos” na internet.

Destacou, neste sentido, a elevada porcentagem de crianças e adolescentes (70% na Europa, de acordo com dados por ele apresentados) que navegam sozinhos, sem a presença de um adulto, e advertiu que em torno de 50% dos casos de pedofilia “começam na internet”.

Dom Celli lamentou que, “às vezes”, a pastoral familiar da Igreja “está carente deste aspecto”, já que “não falamos da responsabilidade dos pais de acompanhar os seus filhos na internet”.

O presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais – que vaticinou que o Papa visitará a Espanha futuramente, embora não saiba “quando” – considerou o Pontífice “um fenômeno de comunicação”.

Opinou que sua última encíclica “não é apenas uma encíclica verde, mas uma reflexão sobre a casa comum na qual todos vivemos” e instou a se perguntar: “que mundo deixo para os meus filhos?”

O Papa, segundo indicou, conta com mais de 22 milhões de seguidores no Twitter. Felicitou-o por manter sua presença nessa rede, apesar dos tuits com ofensas “gratuitas” ao Papa, que, segundo disse, são apagados, deixando apenas as críticas respeitosas.

Assinalou que uma tuit é, atualmente, “um grande meio de comunicação” e evidenciou a brevidade de algumas mensagens do Evangelho que “mudaram o mundo”.

Na sua opinião, em momentos de “desertificação espiritual” como o atual um tuit pode representar “uma gota de água que dá sentido ao meu caminho”.

Por outro lado e sobre a intenção do Papa de estabelecer uma data comum para a Semana Santa, dom Celli considerou “difícil” pela postura das “Igrejas ortodoxas”, embora tenha considerado que seria “bonito” poder celebrá-la “todos juntos”.

Perguntado sobre o pagamento milionário de contratações para a Rádio Vaticano, da Igreja, indicou que “se queremos funcionários profissionalmente valiosos, devemos pagá-los”.

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