Cardeal Tagle será uma força no catolicismo durante muito tempo

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20 Mai 2015

Neste momento, a empresa irlandesa de apostas Paddy Power tem o Cardeal Luis Antonio “Chito” Tagle, das Filipinas, como o favorito para ser o próximo papa, dando-lhe uma probabilidade de 11 por 2. Já apelidado de o “Francisco asiático”, Tagle recebeu um novo reforço esta semana com a sua eleição para liderar uma federação mundial de organizações católicas dedicadas a caridade.

A reportagem é Joh L. Allen Jr., publicada por Crux, 15-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

(Para constar: a Paddy Power tem o Cardeal Sean P. O’Malley, de Boston, como o americano com as melhores chances: 10 por 1.)

Temos de confessar, números como estes não têm particularmente um bom histórico. As eleições papais ocorrem somente quando o incumbente ou morre ou renuncia, e no momento Francisco parece perfeitamente saudável sem nenhum sinal de querer se aposentar.

Uma dose de cautela, no entanto, raramente faz com que os rumores sobre quem vai ser o “novo papa” deixe de ser o assunto favorito em certos círculos sociais. Então, se formos entrar na brincadeira, há muitos motivos para pensarmos seriamente sobre o Cardeal Tagle, pessoa que seria um forte candidato se existir, num conclave futuro, um desejo de continuidade para com o atual papado.

Considerado o principal religioso católicos da Ásia, Tagle foi eleito, nesta quinta-feira (14), presidente da Caritas Internationalis – uma rede de 165 organizações católicas de caridade presente em todo o mundo e sediada em Roma.

Construir uma “Igreja pobre para os pobres” é o lema da era Francisco, e agora principalmente Tagle está prestes a se tornar um dos arquitetos mais influentes para a realização deste objetivo.

Atuar como presidente da Caritas não quer dizer que Tagle vá se mudar para Roma ou abandonar o seu cargo em Manila. Significa, isto sim, que ele frequentemente será requisitado a visitar regiões onde ocorrerem desastres ou áreas em conflito, articulando uma resposta católica. Ele terá mais pedidos de palestras, será mais procurado pela mídia e, em geral, desfrutará um grau ainda mais alto de visibilidade.

No Vaticano, significa que Tagle estará mais envolvido na concretização da agenda papal em termos sociais, políticos e humanitários.

Tagle venceu a votação durante a Assembleia Geral da Carita por ampla margem de votos, o que reflete dois pontos: primeiro, que ele desfruta de grande respeito e afeto entre os líderes dos programas sociais e de caridade da Igreja; segundo, que estes líderes são espertos o suficiente para saber que Tagle tem a atenção do papa e pode fazer a diferença nesse sentido.

O cardeal filipino não se encontrava em Roma no dia de sua eleição, pois estava em Chicago recebendo um título de doutor honorário pela Catholic Theological Union. Ele conhece bem os EUA, tendo, entre outras coisas, feito doutorado em Teologia na Universidade Católica da América, em 1991.

A eleição de Tagle pela Caritas vem apenas dois depois de ele também ter sido nomeado o novo presidente da Federação Bíblica Católica. (Na verdade, ele foi eleito para este cargo em outubro de 2014, porém a confirmação papal só aconteceu em 5 de março.)

Tendo recebido uma visita papal triunfante nas Filipinas em janeiro deste ano, que atraiu uma multidão de 6 milhões de pessoas para a missa encerramento, Tagle é o mais importante aliado do papa na Ásia.

De fato, os paralelos com Francisco são muitos.

Antes de assumir como arcebispo de Manila em 2011, Tagle trabalhou como bispo da menor diocese filipina: a Diocese de Imus, onde ficou conhecido por não possuir automóvel, preferindo caminhar ou andar em um dos miniônibus – transporte muito usado pelos trabalhadores filipinos em geral. Ele também ficou conhecido por convidar mendigos, que se encontravam nas proximidades da catedral, para comer com ele.

Em termos teológicos e políticos, Tagle é um moderado. Mostrou-se aberto à ideia de que os católicos divorciados e casados novamente no civil retornem à Comunhão após uma análise de caso, e resistiu aos apelos para uma linha mais combativa durante um recente debate nacional nas Filipinas sobre uma polêmica lei de “Saúde Reprodutiva”, que tinha como destaque o apoio ao uso de métodos contraceptivos.

Ninguém que se encontra no nível hierárquico de Tagle fica isento de críticos; este líder tem recebido críticas de vários círculos.

Alguns questionam a sua formação teológica, observando que ele era membro do conselho editorial de uma publicação polêmica progressista sobre Concílio Vaticano II, criticada pelo Papa Bento XVI. No mês passado, Tagle criticou o que chamou de “palavras severas” que, às vezes, a Igreja tem usado para se referir aos gays, às mães solteiras e aos católicos divorciados e recasados. Tal comentário fez surgir reações críticas por parte de grupos católicos pró-vida.

Independentemente do que se pensa sobreo o Cardeal Tagle, por causa de sua idade jovem (57 anos) bem como pelos múltiplos cargos de liderança que tem, ele será uma força no catolicismo durante muito tempo.

Esta afirmação, aliás, é válida independentemente se o “Francisco asiático” vier a ser visto como o próximo papa.

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