Tagle, o cardeal com futuro de pontífice

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21 Janeiro 2015

"O senhor, Santo Padre, esteve aqui conosco e parte amanhã [segunda-feira]. Nós gostaríamos de ir com o senhor." Um instante de suspensão, de curiosidade. Depois, o cardeal retoma a sua saudação: "Ir com o senhor não para Roma, mas para as periferias do mundo".

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 19-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quando o arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle, pronuncia essas palavras evocativas, é a apoteose na missa final de Francisco. O olhar do pontífice, já benevolente, se pousa, então, sobre o seu cardeal com aquela atenção acima de tudo reservada aos pensamentos, aos projetos. Bergoglio não olhava para Tagle, como o faz, só com estima. Sopesava-o, projetava-o.

Já agora, entre os observadores mais credenciados, há quem fale dele como do "próximo papa". E quem, como o vaticanista norte-americano John L. Allen, codiretor do novo site de informações sobre questões católicas, Crux, escreve sobre ele como "o Papa Francisco asiático".

Certamente, Tagle tem do seu lado muitas possibilidades no futuro. Bergoglio, aos 78 anos, por sorte, está com grande saúde, projeta reformas na Igreja e novas viagens ao exterior, mesmo que nunca tenha escondido que quer permanecer "dois, três anos" e depois "ir para a Casa do Senhor". Que, segundo algumas interpretações, significaria não partir deste mundo, mas, eventualmente, renunciar, se necessário, como aconteceu com Ratzinger em 2013.

E, embora a intenção do papa de reformar a Igreja encontre resistências e favores, o próprio Francisco, escolhendo, na véspera do consistório de fevereiro, uma série de purpurados provenientes do "fim do mundo", ele parece determinado a moldar o conclave futuro.

Tagle é um candidato perfeito para a sucessão: jovem, 57 anos, vem de um continente que o catolicismo olha com grande favor pela sua energia e representa uma linha de continuidade com as ideias do papa argentino. O sucessor do cardeal Sin, grande aliado dos filipinos na defenestração dos Marcos, é um homem humilde, mas de grande flexibilidade e inteligência, e próximo dos últimos. O discurso feito nessa segunda-feira, na partida de Francisco, chamou a atenção de todos.

"Eu o saúdo – disse, alternando italiano, inglês e filipino – em nome das crianças de rua, órfãos, viúvas, sem casa, moradores de favelas, operários, agricultores, pescadores, doentes, idosos abandonados, famílias das pessoas desaparecidas, vítimas de discriminações, violências, abuso, exploração, trabalhadores migrantes, sobreviventes de calamidades naturais e conflitos armados, cristãos não católicos, seguidores de religiões não cristãs, promotores da paz." Tudo ao final de uma visita cuidadosamente preparada, com músicas de grande beleza, para uma festa do povo, de sabor genuíno.

Comenta John L. Allen: "Os jornalistas filipinos não têm hoje o equivalente da figura do vaticanista. Talvez porque seja um trabalho complicado de se fazer longe de Roma. Mas, apesar dessa deficiência, eu suspeito que o primeiro verdadeiro vaticanista filipino possa se tornar uma estrela absoluta".

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