O futuro da Igrejá está na África, logo chegará um Papa negro

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28 Abril 2015

O Papa Francisco pode ser apenas o primeiro de uma nova tradição de papas provenientes do Hemisfério Sul. Entre as linhas do recente estudo da Pew Research, de fato, isso também existe: se o cristianismo nos próximos 50 anos irá abandonar cada vez mais o Hemisfério Norte, a Europa e a América do Norte, isso irá fazer com que ele aumente em outros lugares, principalmente na África, tanto que já existe a hipótese que o sucessor do primeiro Papa latino-americano será negro.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada pelo jornal La Repubblica, 27-04-2015. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Não é somente uma questão demográfica. Não é considerado o fato que os cristãos ocidentais fazem menos filhos do que os africanos, asiáticos e latino-americanos. É também uma questão de conversão. A Europa cristã, que ainda olha a secularização como um inimigo provocando dessa forma uma maior distância nas próprias relações, verá cada vez mais pessoas deixarem em favor da indiferença ou de outras religiões, enquanto o cristianismo criará prosélitos e irá se expandir somente no Hemisfério Sul.

Entre os continentes do Hemisfério Sul, o que terá maior crescimento do cristianismo é a África. Se até pouco tempo a maior parte dos analistas do futuro da Igreja católica e do cristianismo estavam na América Latina, hoje seria preciso mudar a perspectiva. E admitir que o futuro está na África.

Em 1910 os cristãos do continente negro eram apenas 1,4% do total, hoje este número já está em 23,9% e em 2050 serão 38,1%. Isso significa que as nações guia da cristandade, daqui às próximas gerações, não se chamarão mais Itália, Espanha, Áustria, Polônia, como era nos primeiros anos do século XX, mas Nigéria, República Democrática do Congo, Tanzânia, Etiópia e Uganda, países que irão aparecer entre as 10 maiores populações cristãs do mundo.

O Papa Francisco demonstrou várias vezes ter entendido essa tendência.

A sua Igreja é deslocalizada, sinodal, promove os bispos para enviá-los a campo, e escolhe os novos membros do colégio de cardeais não com base aos velhos esquemas nos quais Roma e Europa ficavam no centro da cristandade, mas pescando novas levas nas periferias do mundo, onde a vida é difícil mas a fé é viva.

O cardeal Luis Tagle, arcebispo de Manila, afirma seguidamente: “Na Europa todos dizem que a Igreja está cansada. No entanto têm tudo, recursos, meios. Nós na Ásia somos pobres e em minoria, mas o cansaço não nos atinge”.

No consistório de fevereiro passado foram bem representados 18 países. Entre as 14 nações de proveniência dos novos cardeais eleitores, seis não tinham um cardeal ou não o queriam, como Cabo Verde, Tonga e Birmânia, ou por serem pequenas comunidades eclesiásticas ou por estarem em minoria.

A diocese de Santiago de Cabo Verde, por exemplo, é uma das mais antigas dioceses africanas, enquanto que a de Morelia no México se encontra em uma região perturbada pela violência. Não somente, se ainda hoje a Europa tem o maior número de cardeais eleitores (56), seguida da América do Norte (17), África (14), Ásia (14). O colégio é fechado pela América do Sul (12), Central (6) e Oceania (3).

Em 2012 o Papa Bento XVI disse que, “de maneira reducionista e humilhante, se descreve a África como o continente dos conflitos e dos problemas infinitos e insolúveis”. Enquanto “a África é para a Igreja o continente da esperança, é o continente do futuro”.

No último dia 07 de fevereiro foi o Papa Francisco que falou da África e do “estupendo testemunho de caridade” dado pela Igreja do continente para com os mais necessitados, acima de tudo nas regiões mais remotas e isoladas.

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