O que observar durante a viagem do Papa Francisco à Ásia

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12 Janeiro 2015

O Papa Francisco parte nesta segunda-feira para uma viagem de uma semana para o Sri Lanka e Filipinas, a sétima jornada internacional de seu papado e sua segunda para a Ásia depois de visitar a Coreia do Sul em agosto passado.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio Crux, 11-01-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Tal como a sua recente nomeação de 15 novos cardeais votantes, com 10 vindos de fora do Ocidente, esta viagem consolida Francisco como o "papa de uma aldeia global".

Se você está procurando uma medida de quão complicado esse passeio vai ser, aqui vai uma: cinco papamóveis diferentes serão utilizados, incluindo dois no Sri Lanka e três nas Filipinas. (Em um toque vintage, um deles é um jeepney convertido, um meio de transporte típico dos filipinos pobres.)

Aqui estão algumas sugestões do que observar ao longo do caminho.

Sri Lanka

No Sri Lanka, a nota superior do papa será provavelmente a harmonia entre as religiões, incluindo a luta contra o extremismo religioso. Isso é profundamente relevante em um país dividido entre budistas, hindus, muçulmanos e cristãos, onde ainda estão vivas as memórias de uma sangrenta guerra civil que durou 30 anos e terminou em 2009.

As relações inter-religiosas são sempre uma questão volátil em uma sociedade que é considerada a terceira mais religiosa do mundo, de acordo com uma pesquisa Gallup de 2008, o que significa que as diferenças religiosas são sentidas de forma mais intensa.

Francisco chega logo depois das amargamente contestadas eleições que fizeram o desafiante Maithripala Sirisena desbancar o atual presidente Mahinda Rajapaksa. Embora ambos sejam oriundos do grupo étnico de maioria cingalesa, que é em grande parte budista, Sirisena foi fortemente apoiado pela minoria hindu tâmil, e as tensões da campanha deixaram muitos cingaleses apreensivos.

Os católicos representam apenas 7 a 8% do país, mas muitos acreditam que têm uma missão de reconciliação, já que é a única fé com um número significativo de seguidores em ambos os campos, tanto cingaleses quanto tâmeis.

Em termos de política da Igreja, Francisco pode abordar o tema polêmico da "inculturação", ou seja, até que ponto o simbolismo e o culto cristão podem ser adaptados às culturas asiáticas.

O assunto tem gerado tensões profundas ao contrapor a sensibilidade cultural e o risco do relativismo religioso. Nos anos 1990 e 2000, vários teólogos asiáticos progressistas, incluindo Tissa Balasuriya do Sri Lanka, foram disciplinados pelo Vaticano por ir longe demais na mistura de práticas e conceitos orientais e o catolicismo.

Francisco, geralmente, é visto como mais flexível com relação a essas coisas, embora na sexta-feira, ele tenha sugerido que há limites.

"Uma sessão de yoga não consegue ensinar um coração a sentir a paternidade de Deus", disse ele em uma missa matinal em sua residência no Vaticano, "e um curso de espiritualidade zen não consegue torná-lo mais livre para amar".

Filipinas

Nas Filipinas, de 16 a 19 de janeiro, Francisco vai visitar uma das maiores e mais dinâmicas comunidades católicas do mundo.

Os filipinos são, hoje, os "novos irlandeses", formando a espinha dorsal da Igreja Católica em um número impressionante de lugares ao redor do mundo, assim como os imigrantes e os missionários irlandeses fizeram no século XIX.

Há uma estimativa de que 10 milhões de filipinos vivam no exterior, e eles tendem a levar a fé onde quer que vão. Estamos falando de um país, afinal, onde shoppings centers têm capelas, e onde placas de rua dizem "Cuidado: missas e orações sempre em andamento".

No entanto, a Igreja está enfrentando duros desafios em duas frentes:

• Uma delas é a transição para uma sociedade mais secular. Em 2012, uma controversa lei de saúde reprodutiva garantiu o acesso universal à contracepção, apesar da forte oposição católica, e foi confirmada em 2014 pela Suprema Corte do país.
• Outra é o aumento de evangélicos e pentecostais, simbolizado pela conversão da lenda do boxe, Manny Pacquiao, do catolicismo ao protestantismo. Um padre filipino disse que a estatística de que 85% dos filipinos são católicos é uma "ilusão de ótica", baseado em que uma grande parcela já não participa da missa dominical.

O país também está ainda se recuperando do tufão Yolanda que ocorreu em novembro de 2013, um dos mais fortes ciclones tropicais já registrados, que matou mais de 6.000 pessoas, destruíu ou danificou 1,1 milhão de casas, e deixou 4,1 milhões de pessoas desabrigadas.

No sábado, Francisco vai viajar para uma zona duramente atingida pela tempestade, a fim de confortar os desalojados e abençoar um centro para os pobres. Ele também vai almoçar com 30 sobreviventes.

A afluência deverá ser enorme. Uma pesquisa recente descobriu que 88% dos filipinos estão "super animados" com a visita do papa, 6% estão "animados" e o restante, "contentes".

Quando o Papa João Paulo II visitou Manila em 1995, ele atraiu uma estimativa de 4 a 5 milhões de pessoas para uma missa, considerado o maior público de um evento papal. Muitos filipinos gostariam de superar essa marca, embora a polícia está desencorajando o feito por razões de segurança e porque o local em que Francisco vai rezar a missa, teoricamente, pode suportar apenas 1 milhão.

A parada nas Filipinas também vai chamar a atenção para o cardeal Luis Antonio Tagle de Manila, um dos prelados católicos mais carismáticos e populares do mundo.

Tagle, de 57 anos de idade, foi apelidado de "Francisco asiático", exalando uma humildade semelhante e, como o pontífice, perfilando como um moderado político. Muitos o vêem como um candidato para assumir o cargo máximo da Igreja algum dia, e as pessoas vão estar assistindo Francisco para ver se ele transmite quaisquer sinais, sutis ou não, de que ele não teria nenhum problema com uma tal eventualidade.

Assim como fez na Coreia do Sul em agosto passado, Francisco fará seus discursos em inglês, tornando esta semana também um ensaio linguístico para a sua estreia muito aguardada nos Estados Unidos em setembro.

Tudo isso sugere que odisséia asiática de Francisco possa ser outro ponto de viragem em um papado já cheio de drama.

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