Há mundo por vir? A necessidade de pensar o impossível. Entrevista especial com Déborah Danowski

Foto: Pixabay

Por: Ricardo Machado | 07 Janeiro 2019

O ano novo é sempre recheado de promessas e de votos de prosperidade, o que serve como uma espécie de consolo diante de conjunturas, no mais das vezes, pessimistas. Se por um lado o teatro dos horrores do presente mortifica nossas expectativas, de outro, a história dos povos é sempre surpreendente e imprevisível. “Já estamos vivendo em ruínas, alguns países e algumas regiões bem mais do que outras; quase todos os nossos biomas aqui no Brasil, por exemplo, já estão bastante empobrecidos ecologicamente, e ainda temos que lidar com as crises política e econômica, com o caos urbano, com as enormes desigualdades sociais”, pondera Déborah Danowski em entrevista por e-mail à IHU On-Line. “Mas, por mais paradoxal que possa parecer, há uma vantagem em se viver no Terceiro Mundo: as coisas ficam claras muito antes do que, sei lá, na Suíça. Outra é algo em que eu volta e meia penso: que a história e os povos sempre podem nos surpreender”, complementa.

Diferente do que comumente se comenta, o fim do mundo nos termos pensados por Déborah Danowski não diz respeito ao fim do planeta, mas da presença humana no planeta. “O ‘ser humano’, a espécie humana, vai certamente acabar um dia, como acabam todas as espécies. Mas creio que muita coisa ainda vai acontecer antes disso, muitas águas vão rolar. O que é muitíssimo provável é que a atual ‘civilização’, isto é, a civilização moderna, do capitalismo industrial globalizado, não vá poder se sustentar por muito tempo mais”, avalia. “O aquecimento global não é um problema para o planeta Terra, nem mesmo para Gaia, mas para nós e os incontáveis outros seres vivos que formam a biosfera presente”, ressalta.

Todos esses são sinais do esgotamento de um modo de pensar que mostra suas claras fraturas em relação aos desafios contemporâneos, mediado por uma crença radical na racionalidade. “Então é melhor que comecemos a pensar não a partir do que achamos ser possível, mas do que achamos ser impossível, do que, justamente, não conseguimos imaginar. Ou, pelo menos, do que só a ficção e o mito conseguem imaginar, mas que será a realidade de muitos”, propõe a entrevistada. Ao refletir sobre a conjuntura nacional para 2019, Débora assevera: “Sinceramente, hoje no Brasil só podemos esperar que não seja tão ruim quanto parece que será. O presidente eleito está se cercando das piores pessoas, e tudo leva a crer que farão o que puderem para beneficiar mais ainda os mais ricos. O que podemos fazer é estar muito atentos e resistir. E rezar para que a pressão econômica internacional também tenha algum efeito moderador sobre essa loucura”, frisa.

Déborah Danowski (Foto: Reprodução | Twitter)

Déborah Danowski realizou bacharelado, mestrado e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio. Também fez estágio pós-doutoral na Universidade de Paris IV - Paris-Sorbonne. Atualmente é professora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUC-Rio, membro da Comissão de Carreira Docente do Departamento e membro do Conselho Consultivo do Nima (Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio). É autora de diversas obras, dentre elas Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins (Desterro - Florianópolis: Cultura e Barbárie/Instituto Socioambiental, 2014), escrito juntamente com Eduardo Viveiros de Castro; e organizadora do número especial da revista O que nos faz pensar: Homenagem a Bento Prado Júnior (Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2007). É também tradutora da importante obra de David Hume, Tratado da natureza humana (São Paulo: Edunesp, 2001).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – No conjunto de resoluções de ano novo, o que a senhora sugeriria que incluíssemos em nosso pacote?

Déborah Danowski – Eu sugeriria muita atenção aos acontecimentos para não sermos enganados e pegos de surpresa; muita calma (tranquilidade não creio que seja uma opção para nós aqui no Brasil, infelizmente) para não sermos sugados pela tristeza e pelo ódio, nem pela inação; e alegria, que nos permita reforçar os laços de amizade, de solidariedade e de comunidade. É isso que pode nos manter fortes internamente e, externamente, ajudar a criar uma rede de segurança para os que estão no caminho do tsunami.

IHU On-Line – É comum, durante os finais de ano, sermos tomados por uma estranha espécie de nostalgia esperançosa em relação ao futuro. Inspirado pelo título de seu livro, a questão que surge é: há mundo por vir? Que mundo(s)?

Déborah Danowski – Ao menos até que tudo acabe, acredito que há, sim, mundo por vir, muitos mundos sempre vindo. Quando falamos no fim do mundo, não necessariamente temos em mente aquele fim abrupto e absoluto representado em dramas cósmicos como o dos filmes Melancolia, de Lars von Trier [1], ou 2012, de Roland Emmerich [2]. Muito mais prováveis são esses iminentes fins imperfeitos, a violência das degradações e extinções, que deixam atrás de si um mundo em ruínas, mas também a vida que continua a crescer, e muitas vezes a prosperar de maneiras inesperadas, nessas ruínas. Isso não é apenas o futuro, nós já estamos vivendo em ruínas, alguns países e algumas regiões bem mais do que outras; quase todos os nossos biomas aqui no Brasil, por exemplo, já estão bastante empobrecidos ecologicamente, e ainda temos que lidar com as crises política e econômica, com o caos urbano, com as enormes desigualdades sociais, e tudo mais que já sabemos. Fora esse novo governo fascista que se abateu sobre nós.

Mas, por mais paradoxal que possa parecer, há uma vantagem em se viver no Terceiro Mundo: as coisas ficam claras muito antes do que, sei lá, na Suíça. Então por um lado a perspectiva não é tão apavorante assim, porque afinal de contas, apesar de tudo, estamos vivos, e continuamos fazendo muita coisa e tendo muitas alegrias. Essa é minha esperançazinha para o futuro. Outra é algo em que eu volta e meia penso: que a história e os povos sempre podem nos surpreender. Por isso não devemos desistir nunca.

Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins (Foto: Divulgação)

IHU On-Line – Como a hegemonia da espécie humana se transformou em sua própria catástrofe?

Déborah Danowski – Pois é, quando “finalmente” chegamos ao Antropoceno, a época do Homem, quando conseguimos nos tornar literalmente configuradores de mundo, estamos descobrindo que melhor seria se jamais tivéssemos sido humanos (pra brincar com o título do livro de Bruno Latour [3], Jamais fomos modernos), pelo menos não humanos como nós, principalmente no ocidente moderno. A perspectiva de devastação trazida pelas alterações climáticas e pelo iminente ultrapassamento de diversos limites dos ciclos biofísicos fundamentais para a vida no planeta, sem que consigamos fazer nada realmente eficaz a esse respeito, está nos obrigando a rever e problematizar muitos conceitos que orientaram nosso pensamento, e um dos principais é esse do homem enquanto um ser excepcional entre todos os seres vivos da Terra, porque seria o único capaz de razão, de ação intencional, de cultura, de valores, de tecnologia, de linguagem, de consciência etc etc. E como éramos os únicos capazes de ação racional, de política, de ciência, também nos considerávamos no direito de julgar acerca do que tinha direito a uma existência autônoma ou não, do que tinha ou não valores e interesses, do que merecia nossa consideração e cuidado ou não, do que era fim e do que era apenas meio e por isso podia ser escravizado e destruído a nosso bel prazer.

Tem esta linda frase de Gabriel Tarde [4] que resume bem nossa situação: “Em seu secular esforço para interpretar mecanicamente tudo o que está fora de nós, mesmo o que mais brilha em traços de gênio acumulados, as obras vivas, nosso espírito sopra, por assim dizer, apagando todas as luzes do mundo em benefício de sua solitária fagulha”. Mal sabia Tarde que isso era ainda uma perspectiva por demais otimista; pois o que estamos descobrindo, a contragosto, é que, solitária, a nossa fagulha também se apaga.

IHU On-Line – O que significa falar sobre o fim do mundo (o fim da relação homem-mundo)? Não seria mais próprio dizer o fim do ser humano, tendo em vista que Gaia tende a sobreviver à revelia de nosso possível fim?

Déborah Danowski – O “ser humano”, a espécie humana, vai certamente acabar um dia, como acabam todas as espécies. Mas creio que muita coisa ainda vai acontecer antes disso, muitas águas vão rolar. O que é muitíssimo provável é que a atual “civilização”, isto é, a civilização moderna, do capitalismo industrial globalizado, não vá poder se sustentar por muito tempo mais. E talvez bem pior do que isso. Os últimos relatórios científicos, do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas - IPCC e outros centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente, têm projetado cenários de aquecimento global de 3, 4, até 5ºC ainda neste século, ao mesmo tempo que reduzem o limite dito “seguro” desse aumento: até 2015 se falava em 2ºC, hoje se fala em “no máximo” 1,5ºC, e mesmo esse patamar deveria ser evitado.

Como o índice de acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e nos mares só tem feito aumentar, por causa da queima de combustíveis fósseis e outros fatores, as perspectivas são realmente catastróficas. Um relatório especial da Organização das Nações Unidos - ONU, publicado há alguns meses, estimou em apenas 12 anos o prazo para os diversos países implementarem medidas efetivas de corte radical em suas emissões, sem o que as mudanças climáticas sairão do nosso “controle”. Isso significa que aquela interação e equilíbrio, ou antes, para falar mais precisamente, a continuidade daquele exato desequilíbrio ativo, improbabilíssimo e extremamente frágil entre os gases que formam a nossa atmosfera, a composição química dos oceanos, o intemperismo das rochas e o metabolismo dos organismos vivos que James Lovelock [5] e Lynn Margulis [6] chamaram de Gaia está prestes a se romper e dar lugar a um outro estado de desequilíbrio, que ainda fará parte da história de Gaia, mas que não será nada bom para nós, nem para a maior parte das outras espécies vivas atuais. Então, você tem toda razão, o aquecimento global não é um problema para o planeta Terra, nem mesmo para Gaia, mas para nós e os incontáveis outros seres vivos que formam a biosfera presente.

IHU On-Line – Em termos políticos, temos dois comportamentos relativamente comuns, de um lado os negacionistas climáticos favoráveis à irrestrita exploração ambiental e de outro ambientalistas com pouca imaginação política. O que seria capaz de explicar a síndrome de Estocolmo de uns e de outros, os primeiros em relação ao Mercado e os últimos ao Estado?

Déborah Danowski – Os negacionistas do aquecimento global que são favoráveis à irrestrita exploração ambiental não me parecem vítimas da síndrome de Estocolmo. Eles sabem exatamente o que estão fazendo, têm uma agenda, não foram sequestrados a contragosto pelo Mercado, fazem parte da gangue. Eles sabem que as mudanças climáticas estão aí, mas mentem, e lucram ou acreditam poder lucrar com suas mentiras enquanto ainda restar algum recurso a ser explorado ou enquanto puderem especular com commodities. Os outros sim, os ambientalistas com pouca imaginação política, como você bem diz, é como se eles tivessem tido a mente capturada, tanto pelo Estado como pelo Mercado, por mais que isso possa parecer contraditório para quem acredita que o Mercado só prospera se deixado em paz pelo Estado, ou mesmo inversamente, que o Estado está aí para conter os exageros do Mercado. Esses são os defensores do desenvolvimento sustentável, da precificação dos serviços ambientais, das ações políticas possíveis, realistas, assimiláveis pela população em geral e, de preferência, que se traduzam em empregos e em votos no curto prazo. Não querem assustar, mas sobretudo não querem se assustar demais, só um pouquinho. Mas as transformações que estamos imprimindo ao clima na Terra são de tal magnitude que ultrapassam qualquer coisa que já tenhamos visto, ou que tenha sido testemunhada pela civilização humana. Então é melhor que comecemos a pensar, não a partir do que achamos ser possível, mas do que achamos ser impossível, do que, justamente, não conseguimos imaginar. Ou, pelo menos, do que só a ficção e o mito conseguem imaginar, mas que será a realidade de muitos.

Um exemplo simples, que costumo dar aos meus alunos. Hoje, nos EUA e na Europa, várias instituições de ensino e pesquisa, além de grandes museus e outras instituições culturais, têm “desinvestido”, ou seja, têm se recusado a receber financiamento de grandes companhias de combustíveis fósseis e empresas que lucram com a devastação de florestas tropicais e outros biomas. É óbvio que aqui no Brasil nós devíamos também, urgentemente, começar a “desinvestir” dessas companhias, nos livrar dos combustíveis fósseis a fim de diminuir nossas emissões de gases de efeito estufa. Mas, como disse o historiador da universidade de Chicago Dipesh Chakrabarty [7], “A mansão das liberdades modernas assenta sobre um consumo permanentemente crescente de combustíveis fósseis”, de maneira que nos parece impossível abrir mão dessa fonte de energia relativamente barata. Qual a solução? Não sei. Só sei que é a partir daí que temos que pensar, pois, de qualquer maneira, se continuarmos desse jeito, em algumas décadas estaremos vivendo em um mundo muito diferente, e pior, do que o atual. Mas pouquíssimos, mesmo entre os ambientalistas, têm coragem hoje no Brasil de admitir isso.

IHU On-Line – Diante do atual contexto político brasileiro, o que podemos esperar para o futuro?

Déborah Danowski – Sinceramente, hoje no Brasil só podemos esperar que não seja tão ruim quanto parece que será. O presidente eleito está se cercando das piores pessoas, e tudo leva a crer que farão o que puderem para beneficiar mais ainda os mais ricos às custas dos direitos trabalhistas dos mais pobres, para facilitar a grilagem de terras indígenas, para destruir os direitos das minorias e as poucas conquistas sociais das últimas décadas, para minar as proteções ambientais a florestas, aos rios, ao cerrado, arruinar a educação básica, o ensino médio e a universidade pública, a lista é grande demais e deprimente demais. Como eu dizia no início, o que podemos fazer é estar muito atentos e lutar. E rezar para que a pressão econômica internacional também tenha algum efeito moderador sobre essa loucura.

 

Notas:

[1] Lars Von Trier (1956): Cineasta dinamarquês. Ficou conhecido após fundar o manifesto Dogma 95, no qual há 10 regras para a produção de filmes, como: não usar cenários, não usar trilha sonora, usar apenas câmera de ombro etc. Seu único filme que segue essas regras é Os Idiotas, de 1998. Trabalha em um projeto pessoal em que roda 3 minutos de filme todo dia em diferentes locações da Europa. Sua intenção é realizar este trabalho durante 33 anos e, como ele teve início em 1991, a previsão é que o filme seja lançado apenas em 2024. (Nota da IHU On-Line)

[2] Roland Emmerich (1955): produtor de filmes, diretor e escritor alemão. Entre outros, escreveu, dirigiu e produziu The day after tomorrow (2004). (Nota da IHU On-Line)

[3] Bruno Latour (1947): filósofo francês, é um dos fundadores dos chamados Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT). É reconhecido, entre outros trabalhos, por sua contribuição teórica - ao lado de outros autores como Michel Callon e John Law - no desenvolvimento da ANT - Actor Network Theory (Teoria ator-rede) que, ao analisar a atividade científica, considera tanto os atores humanos como os não humanos, estes últimos devido à sua vinculação ao princípio de simetria generalizada. (Nota da IHU On-Line)

[4] Jean-Gabriel de Tarde (1843 —1904): foi um filósofo, sociólogo, psicólogo e criminologista francês. Começa a sua carreira de investigação primeiro na Criminologia publicando vários artigos, nos quais entra em polémica com o criminologista italiano César Lombroso. Publica também artigos nas áreas da Sociologia, Filosofia, Psicologia Social e Economia. Em 1894, é nomeado director da secção de estatística criminal do Ministério da Justiça em Paris, cargo que conserva até à morte. Teve uma vida intensa ligada à investigação nas Ciências Sociais e Humanas. A partir de 1896, foi regente de disciplinas na École Libre de Sciences Politiques e deu lições no Collège Libre des Sciences Sociales. Em 1900, aceita a regência da cátedra de Filosofia Moderna no Collège de France. (Nota da IHU On-Line)

[5] James Ephraim Lovelock (1919): cientista e ambientalista inglês, conhecido por ser o autor da Teoria de Gaia. Atualmente vive no centro de uma polêmica por defender que apenas usinas nucleares podem os livrar de um desastre. É membro honorário da Associaton of Environmentalists for Nuclear Energy (para maiores informações, consulte o sítio www.ecolo.org). A IHU On-Line nº 171, de 13-03-2006, publicou o artigo A vingança de Gaia, de autoria de Lovelock. De sua bibliografia em português, citamos A vingança de Gaia (São Paulo: Intrínseca, 2006) e Gaia, alerta final (São Paulo: Intrínseca, 2009). (Nota da IHU On-Line)

[6] Lynn Margulis (1938-2011): bióloga e professora na Universidade de Massachusetts. Seu trabalho científico mais importante foi a teoria da endossimbiose, segundo a qual a mitocôndria teria surgido por endossimbiose: a mitocôndria seria um organismo separado que teria entrado em simbiose com células eucarióticas. Foi casada com Carl Sagan e com ele teve seu filho Dorion Sagan, jornalista e escritor especializado em divulgação científica. Muito menos aceitação do meio científico tem a hipótese de Gaia, com que Margulis começou a trabalhar no ano de 1972. A hipótese de Gaia fora apresentada por James E. Lovelock, químico inglês e inventor. Gaia é uma deusa, a Mãe terra grega. Na sua hipótese, Lovelock sustentava que a Terra é um organismo vivo e Margulis especificou que a Biota terrestre – o agregado de toda a matéria viva do planeta – é habilitada para o crescimento e tem um metabolismo e uma interação química apropriada à manutenção da temperatura do planeta e da composição atmosférica nos níveis desejáveis para a eclosão e a existência da vida na Terra. (Nota da IHU On-Line)

[7] Dipesh Chakrabarty (1948): é um historiador e pesquisador que centra seus estudos nas teorias poscoloniais. Foi agraciado com o prêmio Toynbee Prize, em 2014. Seus temas de pesquisa são história moderna do Sul da Ásia e historiografia, histórias subalternas, indígenas e minorias políticas, descolonização, história ambiental e as implicações da mudança climática para a história humana.(Nota da IHU On-Line)

 

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