A reinvenção política passa pela capacidade de mobilizar afetos. Entrevista especial com Icaro Ferraz Vidal Junior

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Por: João Vitor Santos | 16 Novembro 2018

Numa rápida leitura das estratégias adotadas na campanha eleitoral de 2018 e da centralidade que a internet assumiu, pode-se até afirmar que, dada a vitória, a extrema direita foi quem melhor apreendeu a cartilha das novas mídias. Mas o pesquisador Icaro Ferraz Vidal Junior pede um pouco mais de calma na análise. “A extrema direita trabalhou na construção de uma imagem antipolítica de si mesma, bem naquele estilo ‘contra tudo isso que está aí’ que vimos lá em 2013. Neste sentido, dispositivos caros à política, como Plano de Governo, participação em debates etc., puderam ser descartados”, observa. Ele também chama atenção para a mensagem em si, e não somente para a forma com que é posta em circulação. “A extrema direita teve a argúcia de trabalhar, desde 2013, na produção em massa deste regime afetivo marcado pela indignação”, aponta, ao lembrar questões de fundo como as marchas de 2013, o impeachment de Dilma Rousseff e até a polêmica em torno do Queermuseu.

Icaro, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, evidencia como se dá essa mobilização de afeto nas pessoas por meio de dispositivos como o WhatsApp. “Como o discurso indignado, as imagens chocantes, a retórica moralista repercutem a estética hipnótica de linchamento e ‘desencapetamento’ que encontramos, respectivamente, em programas de televisão (...) e em algumas vertentes das religiões pentecostais e neopentecostais”. E destaca: “me parece ingênuo atribuir ao conteúdo informativo das imagens, textos e áudios falsos o resultado destas eleições. Acho importante começarmos a fazer uma análise formal da comunicação da extrema direita”.

Enquanto isso, à esquerda, o professor observa que parece não haver um entendimento de que é preciso reinventar a forma de fazer política, levando em conta esses afetos. Neste sentido, indica que uma “reflexão sobre o lugar da técnica nas atuais configurações do poder passará necessariamente por um estudo dos efeitos do WhatsApp sobre nossa cognição e sensibilidade”, tomando como exemplo as eleições de 2018 no Brasil. Para Icaro, isso não significa pensar só na técnica e na tecnologia, menosprezando a economia política. “Significa simplesmente reconhecer que não é mais pela palavra que a política está sendo disputada, mas pelos afetos. E a esquerda ainda não inventou um modo de fazer política que não seja predominantemente pela palavra”, indica.

Icaro Ferraz | Foto: Ricardo Machado - IHU

Icaro Ferraz Vidal Junior é graduado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense - UFF, mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e doutor em Comunicação pela UFRJ. Atualmente é pesquisador colaborador do MediaLab da UFRJ.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – De que forma a experiência da campanha eleitoral de 2018 provoca outras concepções acerca das redes sociais e da própria internet e sua incidência no espaço político?

Icaro Ferraz Vidal Junior – Penso que é fundamental, em primeiro lugar, levarmos em conta a complexidade de nosso ecossistema midiático e não apenas as redes sociais e a internet como fenômenos isolados. A campanha eleitoral, o resultado das eleições e as estratégias de comunicação já levadas a cabo pelo presidente eleito antes mesmo de sua posse indicam, sem sombra de dúvidas, uma mutação importante nesse ecossistema midiático. Ao mesmo tempo, penso que a maneira como a internet, as redes sociais e o WhatsApp vêm monopolizando as narrativas em torno da eleição da extrema direita no país coloca na sombra um processo de progressiva perda de prestígio e credibilidade por parte da televisão e da imprensa.

Tais veículos se tornavam, já no contexto das manifestações de 2013, incapazes de produzir sentidos para acontecimentos que se espalhavam por várias cidades do país, catalisados muito mais pelos streamings da Mídia Ninja [1] ou pela atuação do Movimento Brasil Livre [2] nas redes sociais, do que pelo Jornal Nacional, por exemplo. Lembro que, nessa época, o Jornal Nacional protagonizava uma série de memes que ironizavam e confrontavam a escala das manifestações como presenciada e difundida nas redes sociais com os números de manifestantes noticiados pelo telejornal e supostamente informados pela Polícia Militar.

Em 2013, os regimes de produção de verdade já apresentavam fissuras visíveis e não é possível negligenciar, em uma reflexão sobre as eleições de 2018, que foram muito intensos os tremores nos solos institucionais e midiáticos brasileiros nestes últimos cinco anos – da censura à exposição Queermuseu [3] ao controverso processo de impeachment de Dilma Rousseff, passando pela espetacularização da Operação Lava Jato. Olhando retrospectivamente, esses processos parecem ter testado os limites e potencialidades do uso das redes para criação de uma governabilidade que prescinda de um regime de produção de verdade assentado sobre instituições caras à democracia, como a justiça e a mídia, por exemplo.

Um olhar sobre a história recente

Em um artigo recente publicado na Folha de São Paulo [4], o filósofo Vladimir Safatle [5] diagnosticou argutamente que as manifestações de 2013 desempenharam um papel fundamental na consolidação da extrema direita no Brasil, análogo àquele desempenhado pelo 11 de setembro americano e pela crise de 2008 na Europa. Neste contexto que Safatle descreve, chamo a atenção para o fato de que a mediação tecnológica das disputas em torno das narrativas dessas manifestações – que congregavam reivindicações que iam da desmilitarização da PM a uma intervenção militar – parece ter apontado, talvez pela primeira vez no contexto brasileiro, para o poder de criação de uma massa de sujeitos indignados a partir da gestão da circulação de fluxos de imagens, informações e fake news pelas redes.

Então, respondendo à tua pergunta, eu acho que o processo eleitoral de 2018 ajuda-nos a olhar para nossa história recente reconhecendo que, em alguma medida, havia pistas ali de que este resultado eleitoral seria, no mínimo, uma possibilidade. A questão que resta em aberto diz respeito às formas que encontraremos para resistir a este novo regime de governabilidade articulada em torno destas milícias digitais, expressão que devo à Ivana Bentes [6].

IHU On-Line – Podemos compreender esse processo eleitoral de 2018 desde a perspectiva da “totalização digital” [7]? Como?

Icaro Ferraz Vidal Junior – É possível, mas não sei se é estratégico compreender o processo eleitoral de 2018 desde a perspectiva da “totalização digital”, que é um conceito mais ou menos preciso formulado por Eric Sadin [8] e ao qual tenho alguma ressalva, no sentido de que pensar qualquer processo nos termos de uma “totalização” me parece profundamente desmobilizador do ponto de vista político. Entretanto, as controvérsias em torno de disparos em massa de fake news no WhatsApp através de um programa que, como descrito com detalhes em matéria do The Intercept Brasil [9], não apenas envia as mensagens, mas produz conteúdos diferenciados para diferentes perfis de usuários e potenciais eleitores, encontram-se em perfeita consonância com o cenário descrito no livro de Sadin, no qual a extração de dados encontra-se cada vez mais presente no curso de nossas vidas cotidianas, ao mesmo tempo em que a propriedade, o processamento e o uso desses dados permanecem no interior de caixas-pretas às quais não temos acesso, nem do ponto de vista técnico, nem político, nem econômico.

IHU On-Line – Corremos o risco de a “totalização digital” suprimir o espaço político? Quais os riscos de se gerar apenas debates pautados pelo algoritmo?

Icaro Ferraz Vidal Junior – Essa pergunta dá uma pista do “porquê” da minha resistência ao conceito de “totalização digital”. O espaço político, da forma como eu o entendo, não é algo dado, um a priori, é uma construção complexa que para se manter de pé depende de muitos atores, inclusive não humanos, atuando em tempo integral. Acredito que os algoritmos podem, sim, orquestrar uma agenda pública de debates, mas acho que não dá para menosprezar o fato de que a política também é feita por corpos que trabalham ou não têm emprego, têm ou não têm acesso à saúde e à educação, têm ou não têm direito a existir enquanto minoria étnica, religiosa, de gênero etc.

José Murilo de Carvalho [10] estuda com rigor a lacuna que, na nossa história, separou as reivindicações por direitos sociais daquela por direitos políticos. A não elaboração social, política ou cultural da escravidão, somada às políticas de branqueamento que sucederam sua suposta abolição, produziu um contexto no qual as batalhas políticas ainda são travadas em defesa de direitos sociais muito básicos, como moradia, alimentação, direito a existir etc. Então, eu acredito que quando aventamos o risco do fim do espaço político a partir de uma suposta “totalização digital”, não estamos nos dando conta, por exemplo, do número inédito de candidatos e candidatas negros, pobres e favelados que se elegeram como deputados e deputadas com pautas progressistas e que, não dispondo de tempo de televisão e verba de campanha, também lançaram mão de redes sociais para difundir seus projetos para o Brasil. Agora, é claro que novas ferramentas e mediações algorítmicas terão de ser inventadas na medida em que as atualmente disponíveis forem se mostrando corrompidas e controladas por corporações, Estados, partidos etc.

IHU On-Line – Diante do resultado da eleição e da grande adesão às ideias de Jair Bolsonaro, podemos afirmar que a extrema direita apreende melhor as lógicas da política atravessada pelos ambientes digitais? Por quê?

Icaro Ferraz Vidal Junior – Não sei se eu diria que a extrema direita apreende melhor estas transformações na política em virtude das novas redes de comunicação. O que me parece que aconteceu aqui foi que a extrema direita trabalhou na construção de uma imagem antipolítica de si mesma, bem naquele estilo “contra tudo isso que está aí” que vimos lá em 2013. Neste sentido, dispositivos caros à política, como Plano de Governo, participação em debates etc., puderam ser descartados. Em vez de uma disputa política tradicional que, como sabemos, apresenta inúmeros problemas, mas parece, em alguma medida, criar um campo de visibilidade e vulnerabilidade simétrico para cada candidato, a extrema direita teve a argúcia de trabalhar, desde 2013, na produção em massa deste regime afetivo marcado pela indignação. E este afeto, já muito desgastado, como formulou Jacques Rancière [11], encontrou nas redes sociais e, sobretudo no WhatsApp, um campo fértil para se disseminar e se intensificar.

IHU On-Line – Como o senhor compreende o fenômeno do WhatsApp nas eleições de 2018? O que o distingue frente a outras ferramentas como Twitter e Facebook?

Icaro Ferraz Vidal Junior – Penso que a principal diferença consiste no fato de que o WhatsApp não é, em princípio, uma rede social, mas um software de troca de mensagens textuais, imagéticas e em áudio. Neste sentido, acredito que talvez haja um certo relaxamento por parte do usuário quanto ao conteúdo postado em comparação com o que acontece nas redes sociais, nas quais existe um controle mínimo, por parte dos próprios usuários, que podem denunciar publicações ofensivas ou falsas à própria plataforma.

As políticas de dados do WhatsApp são ainda bem pouco discutidas e isso se deve, em parte, à impossibilidade de navegarmos pelo conteúdo compartilhado entre usuários em grupos dos quais não participamos, o que faz com que nos sintamos seguros e com certo controle sobre o conteúdo que compartilhamos. Evidentemente, não se trata aqui de fazer uma defesa de uma publicização de discussões pessoais ou dos grupos fechados abrigados na plataforma. Mas o fato é que, aparentemente, esta privacidade não existe. Embora as informações compartilhadas no WhatsApp não sejam de acesso público, não temos nenhum controle de para quem elas estão sendo vendidas e com que propósitos.

O papel do WhatsApp nestas eleições criou novos desafios para a pesquisa em torno das mediações tecnológicas da política. Redes sociais como Facebook e Twitter apresentam portas de entrada para o mapeamento de determinados temas, como é o caso das hashtags, que não nos ajudam muito a entender o que se passa no WhatsApp. O grupo de pesquisa em Tecnologias da Comunicação e Política - TCP da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj monitorou uma série de grupos de apoio a diferentes candidatos no WhatsApp durante estas eleições [12], e uma diferença que me chamou a atenção em relação ao mesmo tipo de pesquisa realizada no Twitter ou no Facebook é que o pesquisador precisa estar inserido nos grupos como membro para ter acesso a esses fluxos de mensagens.

IHU On-Line – As eleições deste ano evidenciam que vivemos o império do tecnopoder? Por quê?

Icaro Ferraz Vidal Junior – As eleições deste ano evidenciam que nós humanos não estamos sozinhos, que a política contemporânea se organiza em uma rede que conta com atores humanos e com atores não humanos (algoritmos, bancos de dados, grandes corporações etc.). Esta agência de não humanos nos processos políticos não é exatamente uma novidade, mas ainda é muito negligenciada pela esquerda de tradição humanista, que não consegue compreender a técnica para além de seus usos. Evidentemente que a produção e a difusão de fake news precisam ser combatidas em todas as frentes institucionais possíveis, mas suspeito de que estas eleições deram pistas suficientes de que o conteúdo das mensagens falsas foi tão determinante quanto suas formas e seus meios de difusão na construção desta polarização sem precedentes na nossa recente história democrática.

Quero com isso dizer que me parece ingênuo atribuir ao conteúdo informativo das imagens, textos e áudios falsos o resultado destas eleições. Acho importante começarmos a fazer uma análise formal da comunicação da extrema direita. Como o discurso indignado, as imagens chocantes, a retórica moralista repercutem a estética hipnótica de linchamento e “desencapetamento” que encontramos, respectivamente, em programas de televisão como Brasil Urgente [13], apresentado pelo Datena [14], e em algumas vertentes das religiões pentecostais e neopentecostais. E, nesta direção, penso que uma reflexão sobre o lugar da técnica nas atuais configurações do poder passará necessariamente por um estudo dos efeitos do WhatsApp sobre nossa cognição e sensibilidade. O que, nessa interface, teria favorecido a produção massiva desta indignação cega contra a própria política?

Isso não significa menosprezar toda a economia política por detrás da criação e venda de perfis psicológicos de usuários do WhatsApp, do impulsionamento de mensagens e da criação de fake news; significa simplesmente reconhecer que não é mais pela palavra que a política está sendo disputada, mas pelos afetos. E a esquerda ainda não inventou um modo de fazer política que não seja predominantemente pela palavra.

IHU On-Line – As redes sociais foram vistas como o principal canal de disseminação de ódio e de supressão ao pensamento do outro. Essas ações acabaram vazando para o mundo não virtual, culminando em casos de violência. Como compreender esses movimentos que começam num ambiente virtual e transbordam para as relações humanas?

Icaro Ferraz Vidal Junior – Em primeiro lugar, é importante não perder de vista que as relações que têm lugar nas redes sociais também são relações humanas. Sob a hegemonia de um discurso liberal bastante cínico, perdemos a capacidade de reivindicar os limites, bastante claros do ponto de vista jurídico, entre a liberdade de expressão e os crimes de ódio que efetivamente se proliferaram nos últimos tempos. Esse tema já vinha aparecendo em uma série de controvérsias no campo do humor, por exemplo, e a partir dos próprios discursos do presidente eleito. Acho que a impunidade, no caso das agressões verbais contra grupos inteiros, tanto nas redes sociais quanto dentro das próprias instituições políticas, autorizou, em alguma medida, a ocorrência destes crimes de ódio no espaço off-line.

IHU On-Line – O ambiental digital é capaz de suprimir as utopias revolucionárias? E como nutrir essas utopias diante dos atuais contextos?

Icaro Ferraz Vidal Junior – O ambiente digital não é uma entidade estabilizada, um a priori ao qual estamos irremediavelmente sujeitados. A história da internet é marcada por tensões entre projetos de controle, a serviço de governos e grandes corporações, e projetos de compartilhamento e constituição de redes de colaboração. Acredito, sim, que estamos diante de impasses inéditos e de um cenário bastante distópico. Mas não penso que conseguiremos sair disso até conseguirmos, lançando mão dessas mesmas ferramentas, inventar modos de vida, cognição e sensibilidade que se apresentem como uma alternativa mais interessante do que o ódio.

Notas

[1] Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação): é uma rede descentralizada de mídia de esquerda, com atuação em mais de 250 cidades no Brasil. Sua abordagem é conhecida pela militância sociopolítica, declarando-se ser uma alternativa à imprensa tradicional. O grupo ganhou repercussão internacional na transmissão dos protestos no Brasil em 2013. (Nota da IHU On-Line)

[2] Movimento Brasil Livre (MBL): movimento político brasileiro que defende o liberalismo econômico e o republicanismo, ativo desde 2014. Em seu manifesto, cita cinco objetivos: "imprensa livre e independente, liberdade econômica, separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios diretos e indiretos para ditaduras". (Nota da IHU On-Line)

[3] Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira: foi uma exposição artística brasileira apresentada no Santander Cultural, na cidade de Porto Alegre. A exposição gerou polêmica devido a inúmeras acusações de apologia à pedofilia, à zoofilia e ao vilipêndio religioso. O IHU, na seção Notícias do Dia, em seu sítio, publicou uma série de textos sobre a polêmica. Entre eles Queermuseu e o avanço da direita na rede; e “Caso Queermuseu mostra que são tempos de intolerância. Da direita, mas também da esquerda”. (Nota da IHU On-Line)

[4] O texto está disponível aqui. (Nota do entrevistado)

[5] Vladimir Pinheiro Safatle (1973): filósofo, professor no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo - USP. É filho de Fernando Safatle e Ilmeide Tavares Pinheiro, militantes da Aliança Libertadora Nacional que tiveram que deixar o país natal, o Chile, quando o ditador Augusto Pinochet assumiu o poder. Nascido em Santiago, Vladimir veio para o Brasil com poucos meses de vida. Por isso se considera brasileiro. É mestre em Filosofia pela USP e doutor em Filosofia pela Universidade Paris VIII. Em 9-6-2016 o Prof. Dr. Nythamar de Oliveira, da PUCRS, esteve no IHU falando sobre O Circuito dos Afetos. Corpos Políticos, desamparo e o Fim do Indivíduo. Discussão do livro de Vladimir Safatle, cuja entrevista poderá ser conferida na edição especial sobre Baruch Spinoza, a ser publicada em breve pela revista IHU On-Line. O próprio Safatle falou sobre sua obra em 15-6-2016, em evento intitulado O Circuito dos Afetos. Corpos Políticos, desamparo e o Fim do Indivíduo, cuja entrevista O Brasil na era dos esgotamentos da imaginação política. Uma nação de zumbis que têm na melancolia seu modo de vida. (Nota da IHU On-Line)

[6] O texto está disponível aqui. (Nota do entrevistado)

[7] O conceito é tratado por Icaro em outra entrevista concedida à IHU On-Line, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[8] Eric Sadin: escritor e filósofo francês. Fundou a revista éc/artS (1999-2003), dedicada a práticas artísticas e novas tecnologias. É professor regular do Sciences Po Paris e trabalha em numerosas universidades e centros de pesquisa na Europa, América do Norte e Ásia. Foi professor na escola de arte de Toulon e professor visitante na ECAL Lausanne e IAMAS (Japão). (Nota da IHU On-Line)

[9] O texto está disponível aqui. (Nota do entrevistado)

[10] José Murilo de Carvalho (1939): Cientista político e historiador brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras. É autor, entre outras obras, de A formação das almas: o imaginário da República no Brasil (São Paulo: Companhia das Letras, 1990) e Cidadania no Brasil – o longo caminho (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001). Concedeu as entrevistas Independência do Brasil: Um movimento socialmente conservador, na edição 234, da revista IHU On-Line, e Os desafios à construção da cidadania brasileira, na edição 428 da revista IHU On-Line. (Nota da IHU On-Line)

[11] Jacques Rancière (1940): filósofo argelino, professor da European Graduate School de Saas-Fee e professor emérito da Universidade Paris VIII (Vincennes-Saint-Denis). Seu trabalho se concentra sobretudo nas áreas de estética e política. Pensa a história, a sociedade, os movimentos políticos e o cinema. Colaborador frequente da lendária revista Cahiers du Cinéma. Foi um dos colaboradores do pensador Louis Althusser no volume Lire le Capital (Ler o Capital), de 1965, antes de romper com seu antigo professor na École normale supérieure. No final dos anos 1970, Rancière organiza, com outros jovens intelectuais, como Arlette Farge e Geneviève Fraisse, o coletivo Révoltes Logiques que, sob a inspiração do poeta Rimbaud, questiona as representações tradicionais do social e publica a revista Les Révoltes logiques. Paralelamente, voltou sua atenção para a emancipação operária e os utopistas do século XIX (notadamente Étienne Cabet), com uma reflexão filosófica sobre educação e política. Desse trabalho nasceu sua tese de doutorado, publicada em 1981, sob o título La Nuit des prolétaires. Archives du rêve ouvrier, sobre os operários saint-simonianos. Alguns de seus livros lançados no Brasil são Nomes da História. Ensaio de Poética do Saber (Unesp, 2014), O Ódio à Democracia (São Paulo: Boitempo, 2014), O Inconsciente Estético (São Paulo: Ed. 34, 2009), A noite dos proletários: arquivos do sonho operário (São Paulo: Cia. das Letras, 1988), O desentendimento –Política e Filosofia (São Paulo: Ed. 34, 1996) e Políticas da Escrita (São Paulo: Ed. 34, 1995). Esteve no Brasil em 2005, quando participou do Congresso Internacional do Medo, que aconteceu em São Paulo e no Rio de Janeiro. (Nota da IHU On-Line)

[12] O texto está disponível aqui. (Nota do entrevistado)

[13] Brasil Urgente: programa de televisão jornalístico brasileiro apresentado pela Rede Bandeirantes. Apresentado por José Luiz Datena, o programa exibe o seu noticiário com casos policiais. Trata-se de um telejornal com uma linha popular, tendo bastantes entradas ao vivo de repórteres de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre. Além de entrevistas, também é muito utilizado o helicóptero para a cobertura de tragédias, e são exibidas matérias gravadas sobre crimes hediondos e bizarros. (Nota da IHU On-Line)

[14] José Luiz Datena (1957): jornalista, locutor esportivo, apresentador de televisão e radialista nascido em Ribeirão Preto (SP). (Nota da IHU On-Line)

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