A experiência inaciana e o caminho espiritual de Bergoglio. Entrevista especial com Marcelo Fernandes de Aquino.

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07 Junho 2015

"Esta experiência ele está propondo à Igreja como um longo e, quem sabe, sofrido colóquio em que a Igreja se reaproxima de Jesus como de um amigo misericordioso", observa o filósofo. 

Foto: caritatis.com.br
O caminho espiritual do Papa Francisco é marcado pelo reconhecimento dele próprio de que é um pecador acolhido por Deus, perspectiva que ele estende à Igreja. “Penso que em sua trajetória espiritual ele soube decantar a experiência evangélica de sentir-se pecador de estados psíquicos mais próprios de sentimentos ou complexos de culpabilidade. Esta experiência ele está propondo à Igreja”, analisa Marcelo Fernandes de Aquino, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

A origem de tal postura, explica Aquino, está relacionada aos Exercícios Espirituais de Loyola. “Esta experiência é ritmada pelo discernimento — palavra decisiva nos Exercícios Espirituais feitos em chave inaciana — das várias moções que afetam o coração humano. É o ritmo das consolações e das desolações, ou do aumento da fé, da esperança, do amor altruísta, ou do seu contraditório, a desconfiança, a desesperança e o amor autocentrado”, descreve.

Outro momento marcante da formação pessoal, política e religiosa de Bergoglio foi durante a feroz repressão militar na Argentina, momento em que foi, ainda jovem, provincial da Companhia de Jesus. “Pe. Bergoglio não desposou a tese do recurso à luta armada pela guerrilha urbana, por ele discernida como expressão de uma visão reducionista da história argentina. Nesse processo vivido por ele e pelos jesuítas argentinos, o provincial Pe. Bergoglio poderá ter sido autoritário aos olhos de quem aderia à resposta armada à violência da ditadura militar. Mas certamente nunca foi um conservador”, avalia o entrevistado.

Marcelo Fernandes de Aquino é graduado em Filosofia na Pontifícia Faculdade Aloisianum, Itália, e especialização em Filosofia na Hoschschule für Philosophie, em Munique, Alemanha. Graduado e mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma. É mestre e doutor em Filosofia pela mesma universidade. Pós-doutor em Filosofia pelo Boston College, Estados Unidos, foi reitor do Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte, MG. Atualmente é o reitor da Universidade Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS.

Confira a entrevista.

Foto: Unisinos

IHU On-Line – Seria adequado afirmar que o modo de proceder de Jorge Mário Bergoglio como Padre e, depois, como Papa Francisco corresponde à sua experiência espiritual feita na escola dos Exercícios Espirituais segundo Santo Inácio de Loyola[1]?

Marcelo Fernandes de Aquino - Penso que sim. Papa Francisco é, antes de mais nada, um mestre espiritual que embasa seu sentir mais profundo do mistério de Deus, do mistério do ser humano, do próprio mistério da Igreja, da realidade da natureza, da sociedade, da cultura a partir da meditação e da contemplação do amor de Deus em Jesus de Nazaré. Como mestre espiritual, Papa Francisco se deparou com a Igreja Católica Romana precisando do óleo do perdão de Deus e de muitas pessoas que foram feridas por ministros religiosos iníquos ou por estruturas eclesiásticas que se tornaram distantes do Evangelho de Jesus Cristo, como, por exemplo, a gestão do IOR, o chamado banco do Vaticano. Como mestre espiritual ele mesmo se reconhece pecador, acolhido pelo abraço misericordioso do Crucificado contemplado como amigo.

Penso que em sua trajetória espiritual ele soube decantar a experiência evangélica de sentir-se pecador de estados psíquicos mais próprios de sentimentos ou complexos de culpabilidade. Esta experiência ele está propondo à Igreja como um longo e, quem sabe, sofrido colóquio em que a Igreja se reaproxima de Jesus como de um amigo misericordioso. Esta experiência é ritmada pelo discernimento — palavra decisiva nos Exercícios Espirituais feitos em chave inaciana — das várias moções que afetam o coração humano. É o ritmo das consolações e das desolações, ou do aumento da fé, da esperança, do amor altruísta, ou do seu contraditório, a desconfiança, a desesperança e o amor autocentrado. Quer me parecer que Papa Francisco está redescobrindo a vitalidade do Evangelho no cotidiano da vida da Igreja mediante uma purificação do afeto que se desgarrou do Evangelho e se tornou mundano. Mas, sobretudo, penso que ele está lendo o coração de uma Igreja que se coloca em estado de eleição. Sua inteligência, sua afetividade, sua liberdade vêm sendo testadas para ver se o testemunho de Jesus ainda ressoa em todos nós. Esta é a raiz da maravilhosa liberdade interior de que Papa Francisco dá provas. Finalmente, ele vem exercendo o ministério da consolação junto aos filhos e filhas da humanidade ferida pela comunicação da alegria e da paz que emanam do encontro com o Senhor ressuscitado.

IHU On-Line - Como Papa Francisco se relaciona, reconhecendo e criticando, com o legado cultural da modernidade pós-renascimental europeia?

Marcelo Fernandes de Aquino - Padre Jorge Bergoglio, antes, durante e, eventualmente, depois do exercício do ministério petrino de Bispo de Roma foi, é e será um discípulo de Jesus de Nazaré crucificado e morto por nós, e ressuscitado por Deus. Os discípulos da fé abraâmica sempre estiveram dentro das fronteiras das várias ilustrações que ciclicamente enunciam uma palavra de interpretação da presença humana no mundo com outros humanos e induzem à práxis da construção da cidade humana.

Os chamados livros deuterocanônicos do Primeiro Testamento no cânone católico-romano são páginas de finíssima literatura bíblica tocada pela ilustração do helenismo que se difundiu após Alexandre Magno [2]. Vejam-se os temas ligados aos núcleos semânticos “Sabedoria”, “Logos” e “Espírito”. Os primeiros teólogos cristãos sem dúvida se moviam nos espaços intersticiais em que se encontraram o helenismo e a apocalíptica judaica nas orlas mediterrâneas do império romano, tempo da chamada Antiguidade Tardia. Esse retrospecto é importante porque desenha o dinamismo de crítica ao ideal de captura plena da realidade na malha categorial de um sistema filosófico qualquer por parte da noética de inspiração bíblica.

Dito de outro modo, mais próximo da espiritualidade jesuíta: Deus semper maior! Agostinho e Tomás de Aquino inauguram, na tradição latina do pensamento teológico cristão, modelos de encontro com Platão,[3] Aristóteles,[4] Plotino,[5] Proclo,[6] Porfírio,[7] representantes expressivos do cognitivismo grego clássico e helenista. Ao tentarem absorver a realidade finita ou na ideia ou na forma substancial acabaram prisioneiros de um reducionismo que foi criticado pelos grandes autores cristãos. Papa Francisco é herdeiro desta atitude intelectual de crítica a qualquer forma de reducionismo intelectual.

Formação Intelectual

Ele passou pelo processo da formação intelectual que a Companhia de Jesus propunha aos seus estudantes nas décadas dos anos 1960 e 1970. Ou seja, frequentou autores das humanidades clássicas e contemporâneas (José Hernández [8], Borges [9], Guardini [10], Hopkins, passou pelo encadeamento sistemático da formação filosófica de matriz neoescolástica vigentes nos escolasticados jesuítas da época, frequentou autores da Nouvelle Théologie (de Lubac [11] e também Congar [12]). Seu percurso formativo na Companhia de Jesus o inseriu entre os que, mesmo dialogando com autores da modernidade renascimental e mesmo pós-cristã, criticam o reducionismo intelectual que se desenhou a partir da Metafísica cartesiana da subjetividade. Ou seja, a partir da desconstrução moderna da ideia de Deus pela posição autorreferencial assumida pelo eu. Sem ter sido um frequentador assíduo das obras de Kant,[13] Hegel, [14] Marx, [15] Nietzsche, [16] tomou distância do reducionismo latente ou explícito nesses autores. Seu “Mestre da Suspeita” foi sem dúvida Inácio de Loyola e sua escola de Exercícios Espirituais. Seu mestre na prática do discernimento espiritual, penso ter sido Padre Fiorito, jesuíta argentino que lhe transmitiu a afeição por Pedro Fabro,[17] o afável companheiro de Inácio de Loyola na nascente Companhia de Jesus. O mestre espiritual Padre Bergoglio tornou-se progressivamente um “Mestre da Suspeita” na perspectiva da mística inaciana.

IHU On-Line - Quais são as consequências desse itinerário intelectual e espiritual?

Marcelo Fernandes de Aquino - Penso que a grande consequência se expressa na ação de Pe. Bergoglio e agora na ação de Papa Francisco. Lembro que Inácio de Loyola legou à Companhia de Jesus o itinerário de uma experiência mística de Deus que se resume em “procurar e encontrar Deus em todas as coisas, e todas as coisas em Deus”. Nadal outro grande dentre os primeiros jesuítas, cunhou a expressão “contemplativo na ação” para significar o perfil de um jesuíta. Perfil de um homem de ação. Papa Francisco não é um teórico. Não passou pela formação doutoral de um intelectual jesuíta. A ação que emana do homem Jorge Bergoglio, o Papa Francisco da Igreja Católica Romana, se arraiga em sua experiência mística de um Deus semper maior que deixa suas pegadas no coração dos homens e mulheres que o procuram. Resgatando a expressão “o divino impaciente”, já aplicada a Francisco Xavier,[18] penso que Papa Francisco é outro divino impaciente. Sua ação é sustentada por um processo de discernimento às vezes complexo, nem sempre compreensível imediatamente. Cabe perguntar-se: uma certa impaciência voluntariosa do homem Jorge Mário Bergoglio, que não age por impulsos, traria algum tipo de risco em seu processo de eleição agindo já como Bispo de Roma e Papa Francisco? E aqui se toca o tema das tensões que caracterizaram seu tempo de Superior Provincial dos jesuítas argentinos.

IHU On-Line - Em que medida o modelo decisório de Francisco se inspira no modo de proceder da Companhia de Jesus?

Marcelo Fernandes de Aquino - O modelo decisório da Companhia de Jesus passou por um tempo de volta às fontes durante o governo do Pe. Pedro Arrupe,[19] Superior Geral da Companhia de Jesus de 1965 a 1983, sendo que de 1981 a 1983 ele esteve impossibilitado de exercer plenamente sua autoridade. Ou melhor, exerceu sua autoridade pelo testemunho de sua obediência no contexto do seu sofrimento espiritual e físico. No tempo de seu governo geral, Pe. Arrupe liderou o processo de renovação conciliar da Companhia de Jesus. Liderou a implementação da formulação renovada da sua Missão como “serviço da fé e promoção da justiça” no contexto de forte tensionamento interno da Ordem. Implementou o resgate da tradição do discernimento espiritual caído em certo esquecimento. Implementou a reorganização das casas dos jesuítas que passaram a se compreender e a se denominar como comunidades. As grandes obras apostólicas passaram por processo de avaliação estratégica.

Todo esse conjunto de vivências reverberavam nos indivíduos jesuítas e suas comunidades e províncias. Como se sabe, a obediência é a pedra angular do corpo apostólico da Companhia de Jesus. Ela tensiona o encontro das liberdades em processo de encontrar a vontade de Deus. Não é um processo fácil, nem sempre dá certo, mas nos momentos maiores e mais sofridos vividos pelos jesuítas vem dando certo. Tudo leva crer que a impaciência do jovem Superior Provincial Pe. Bergoglio foi um complicador no quadro de dilaceração institucional vivido na Argentina dos anos sessenta, setenta e oitenta. Durante os anos de feroz repressão de qualquer forma de oposição por parte do regime militar argentino, Pe. Bergoglio não desposou a tese do recurso à luta armada pela guerrilha urbana, por ele discernida como expressão de uma visão reducionista da história argentina. Nesse processo vivido por ele e pelos jesuítas argentinos, o provincial Pe. Bergoglio poderá ter sido autoritário aos olhos de quem aderia à resposta armada à violência da ditadura militar. Mas certamente nunca foi um conservador. Nem entregou nenhum de seus coirmãos jesuítas, nem qualquer outra pessoa, ao aparato repressor argentino. Antes, hoje as evidências apontam para sua ação silenciosa de resgate de muitos das malhas da tortura.

IHU On-Line - Poderia explicitar melhor sua afirmação?

Marcelo Fernandes de Aquino - Reconheço que me movo com dificuldade neste terreno, cuja topografia espiritual e cultural não conheço em toda sua profundidade, e no qual desponta a figura emblemática de Perón [20]. Hoje pode se dizer com mais serenidade que Perón desencadeou o primeiro processo histórico de formação de uma consciência de classe pela população pobre, pelos descamisados argentinos, mantidos apartados do bem-estar de uma economia que era das mais pujantes nos inícios do século XX.

O jovem Jorge Bergoglio certamente se alimentou culturalmente deste processo de conscientização de classe vivido pelo povo mantido nas periferias do bem-estar de uma burguesia mais voltada para a Europa. Povo, pobres, periferia, piedade popular são categorias que emergem dos encontros existenciais do Pe. Bergoglio desde sua juventude. Povoarão a Teologia da Libertação em seu viés argentino, mais distante da Analítica Crítica da economia capitalista feita por Marx e posteriores seguidores. O viés mais cultural-popular proposto por Pe. Bergoglio cheirava mais, por assim dizer, o barro e a lama das favelas portenhas que o perfume da razão ilustrada dos centros e salões de discussão da classe média argentina. Hoje alguns tendem a analisar o embate entre a direita argentina via forças armadas e segmentos empresariais, por um lado, e guerrilha urbana, por outro lado, como uma verdadeira guerra civil da classe média argentina. Quer me parecer que entre a lama e a pobreza que ele via nas periferias e uma razão instrumental desarraigada da nutrição do afeto, Pe. Bergoglio provavelmente terá optado entre as duas primeiras.

Em todo caso, lembro que se é verdadeira esta leitura, como Provincial jesuíta Pe. Bergoglio organizou um verdadeiro corredor ou rota de fuga para inúmeras pessoas ameaçadas de tortura e de morte pela repressão militar. Hoje é bem mais seguro fazer este tipo de análise. A grande maioria das pessoas envolvidas no drama histórico da Argentina dos anos sessenta, setenta, oitenta eram pessoas honradas — excetuando os torturadores e assassinos —, que queriam o bem e o progresso de seu país.

IHU On-Line - A partir de suas afirmações, como entender melhor as linhas programáticas do pontificado de Papa Francisco?

Marcelo Fernandes de Aquino - Para ele trata-se de voltar ao Evangelho de Jesus o Cristo da fé da Igreja. Quer me parecer que a abóboda da Teologia bergogliana, por assim dizer, seu princípio superior e inspirador é o princípio Misericórdia, que inclusive aparece em seu brasão pontifício. Há sinais de sua proximidade ao legado espiritual de Papa Paulo VI.[21] Este grande e humilde artesão da implementação das linhas programáticas do Vaticano II.

Destaco brevemente alguns encaminhamentos: 1) reconhecimento da frequente omissão da hierarquia eclesiástica frente à chaga da pedofilia, responsabilização criminal dos padres pedófilos e responsabilização canônica de bispos que acobertaram estes abusos; 2) distensionamento e atitude evangélica para com a Associação de religiosas norte-americanas postas sob injustas acusações por segmentos adversos a elas nos Estados Unidos e Roma; 3) saneamento das zonas cinzentas do IOR, o Banco do Vaticano, e construção de políticas de controle antimáfia na gestão do mesmo; 4) progressiva reconfiguração teológica do múnus petrino do Bispo de Roma, vivido menos no espírito de um “Soberano Pontífice”, chefe de uma monarquia absolutista, e mais no espírito de uma ainda incipiente e não totalmente articulada estrutura sinodal da Igreja; 5) serena e misericordiosa atenção às novas configurações individuais e familiares hoje amparadas por legislação civil respeitosa de conflitantes diferenças a modelos culturais do existir pessoal e familiar.

Concluo, lembrando que a recepção de um Concílio Ecumênico se distende num arco de tempo muito longo. Papa Francisco está retomando um dos fios importantes da meada que tece a comunhão eclesial, e que tinha ficado abandonado nestas últimas décadas. A beatificação de D. Oscar Romero já é um bom sinal desta retomada.

Por Márcia Junges e Ricardo Machado

Notas:

[1] Inácio de Loyola (1491-1556): fundador da Companhia de Jesus, a Ordem dos Jesuítas, cuja missão é o serviço da fé, a promoção da justiça, o diálogo inter-religioso e cultural. (Nota da IHU On-Line)

[2] Alexandre III da Macedônia ou Alexandre o Grande ou Magno 356-323 a.C.): foi um príncipe e rei da Macedônia, e um dos três filhos do rei Filipe II e de Olímpia do Épiro — uma fiel mística e ardente do deus grego Dioniso. Alexandre foi o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em sua juventude, teve como preceptor o filósofo Aristóteles. Tornou-se o rei aos vinte anos, na sequência do assassinato do seu pai. (Nota da IHU On-Line)

[3] Platão (427-347 a.C.): filósofo ateniense. Criador de sistemas filosóficos influentes até hoje, como a Teoria das Ideias e a Dialética. Discípulo de Sócrates, Platão foi mestre de Aristóteles. Entre suas obras, destacam-se A República (São Paulo: Editora Edipro, 2012) e Fédon (São Paulo: Martin Claret, 2002). Sobre Platão, confira a entrevista As implicações éticas da cosmologia de Platão, concedida pelo filósofo Marcelo Perine à edição 194 da revista IHU On-Line, de 04-09-2006,disponível aqui. Leia, também, a edição 294 da Revista IHU On-Line, de 25-05-2009, intitulada Platão. A totalidade em movimento, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[4] Aristóteles de Estagira (384–322 a.C.): filósofo nascido na Calcídica, Estagira. Suas reflexões filosóficas — por um lado, originais, por outro, reformuladoras da tradição grega — acabaram por configurar um modo de pensar que se estenderia por séculos. Prestou significativas contribuições para o pensamento humano, destacando-se nos campos da ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia e história natural. É considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental. (Nota da IHU On-Line)

[5] Plotino (205-270 d.C.): filósofo egípcio, discípulo de Amônio Sacas e mestre de Porfírio, que nos legou seus ensinamentos em seis livros de nove capítulos cada, chamados de As Enéadas. Acompanhou uma expedição à Pérsia, onde tomou contato com a filosofia persa e indiana. Regressou à Alexandria e aos 40 anos estabeleceu-se em Roma. Desenvolveu as doutrinas aprendidas de Amônio numa escola de filosofia com seleto grupo de alunos. Pretendia fundar uma cidade chamada Platonópolis, baseada nos ensinamentos da República de Platão. Plotino dividia o universo em três hipóstases: o Uno, o Nous (ou mente) e a alma. (Nota da IHU On-Line)

[6] Proclo Licio Diadoco (410–487): filósofo neoplatônico cujo mérito foi desenvolver a corrente de pensamento baseada em Platão, iniciada por Plotino e depois expandida por Porfírio e Jâmblico. Proclo combina os seus próprios pontos de vista com os de seus mestres — Plutarco, Siriano, Porfírio e Jâmblico. (Nota da IHU On-Line)

[7] Porfírio (232-304 d.C.): filósofo neoplatônico e um dos mais importantes discípulos de Plotino, responsável por organizar e publicar 54 tratados do mestre na obra As Enéadas, composta por seis livros. Escreveu ainda uma biografia de Plotino (A Vida de Plotino) e comentários às obras de Platão e Aristóteles. Seu livro Introductio in Praedicamenta foi traduzido para o latim por Boécio e transformou-se num texto padrão nas escolas e universidades medievais, possibilitando desenvolvimentos na filosofia, teologia e lógica durante a Idade Média. (Nota da IHU On-Line)

[8] José Hernández (1834-1886): foi um poeta, político e jornalista argentino, conhecido, principalmente, pelo livro Martín Fierro, considerado o livro pátrio da Argentina. (Nota da IHU On-Line)

[9]Jorge Luiz Borges (1899-1986): escritor, poeta e ensaísta argentino, mundialmente conhecido por seus contos. Sua obra se destaca por abordar temáticas como filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), metafísica, mitologia e teologia. Sobre Borges, confira a edição 193 da IHU On-Line, de 28-08-2006, intitulada Jorge Luiz Borges. A virtude da ironia na sala de espera do mistério, disponível para download aqui (Nota da IHU On-Line)

[10] Romano Guardini (1885-1968): teólogo, filósofo, pedagogo e literato italiano. Lecionou na Universidade de Bonn e na Universidade de Berlim, onde permaneceu até a década de 1930, quando o Terceiro Reich impediu suas atividades docentes. Em 1945, reassumiu na Universidade de Tübingen, passando, pouco depois, à de Munique. Escreveu muitas obras, entre elas, De La Mélancolie, traduzida por Jeanne Ancelet-Hustache, Paris: Points, 1953, e La Fin des temps modernes, Paris: Seuil, 1952. (Nota da IHU On-Line)

[11] Henri de Lubac (1896-1991): teólogo jesuíta francês. Foi suspenso pelo Papa Pio XII. No seu exílio intelectual, escreveu um verdadeiro poema de amor à Igreja que são as suas Méditations sur l'Eglise. Foi convidado a participar do Concílio Vaticano II como perito e o Papa João Paulo II o fez cardeal no ano de 1983. É considerado um dos teólogos católicos mais eminentes do século XX. Uma de suas importantes contribuições foi o modo de entender o fim sobrenatural do homem e sua relação com a graça. (Nota da IHU On-Line)

[12] Yves Marie-Joseph Congar (1904:1995): teólogo dominicano francês, conhecido por sua participação no Concílio Vaticano II. Foi duramente perseguido pelo Vaticano, antes do Concílio, por seu trabalho teológico. A isso se refere o seu confrade Tillard quando fala dos “exílios”. Sobre Congar a IHU On-Line publicou um artigo escrito por Rosino Gibellini, originalmente no site da Editora Queriniana, na editoria Memória da edição 150, de 08-08-2005, lembrando os dez anos de sua morte, completados em 22-06-1995. Também dedicamos à editoria Memória da 102ª edição da IHU On-Line, de 24-05-2004, à comemoração do centenário de nascimento de Congar. (Nota da IHU On-Line)

[13] Immanuel Kant (1724-1804): filósofo prussiano, considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, representante do Iluminismo. Kant teve um grande impacto no romantismo alemão e nas filosofias idealistas do século XIX, as quais se tornaram um ponto de partida para Hegel. Kant estabeleceu uma distinção entre os fenômenos e a coisa-em-si (que chamou noumenon), isto é, entre o que nos aparece e o que existiria em si mesmo. A coisa-em-si não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como até então pretendera a metafísica clássica. A ciência se restringiria, assim, ao mundo dos fenômenos, e seria constituída pelas formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas categorias do entendimento. A IHU On-Line número 93, de 22-03-2004, dedicou sua matéria de capa à vida e à obra do pensador com o título Kant: razão, liberdade e ética, disponível para download aqui. Também sobre Kant foi publicado o Cadernos IHU em formação número 2, intitulado Emmanuel Kant - Razão, liberdade, lógica e ética, que pode ser acessado aqui. Confira, ainda, a edição 417 da revista IHU On-Line, de 06-05-2013, intitulada A autonomia do sujeito, hoje. Imperativos e desafios, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[14] Friedrich Hegel (Georg Wilhelm Friedrich Hegel, 1770-1831): filósofo alemão idealista. Como Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, tentou desenvolver um sistema filosófico no qual estivessem integradas todas as contribuições de seus principais predecessores. Sobre Hegel, confira a edição 217 da IHU On-Line, de 30-04-2007, intitulada Fenomenologia do espírito, de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1807-2007), em comemoração aos 200 anos de lançamento dessa obra. Veja ainda a edição 261, de 09-06-2008, Carlos Roberto Velho Cirne-Lima. Um novo modo de ler Hegel, disponível aqui, e Hegel. A tradução da história pela razão, edição 430, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[15] Karl Marx (Karl Heinrich Marx, 1818-1883): filósofo, cientista social, economista, historiador e revolucionário alemão, um dos pensadores que exerceram maior influência sobre o pensamento social e sobre os destinos da humanidade no século XX. Leia a edição número 41 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Leda Maria Paulani, tem como título A (anti)filosofia de Karl Marx, disponível aqui. Também sobre o autor, confira a edição número 278 da IHU On-Line, de 20-10-2008, intitulada A financeirização do mundo e sua crise. Uma leitura a partir de Marx, disponível aqui. Leia, igualmente, a entrevista “Marx: os homens não são o que pensam e desejam, mas o que fazem”, concedida por Pedro de Alcântara Figueira à edição 327 da IHU On-Line, de 03-05-2010, disponível aqui. A IHU On-Line preparou uma edição especial sobre desigualdade inspirada no livro de Thomas Piketty O Capital no Século XXI, que retoma o argumento central da obra de Marx O Capital, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[16] Friedrich Nietzsche (1844-1900): filósofo alemão, conhecido por seus conceitos além-do-homem, transvaloração dos valores, niilismo, vontade de poder e eterno retorno. Entre suas obras figuram como as mais importantes Assim falou Zaratustra (9. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998), O anticristo (Lisboa: Guimarães, 1916) e A genealogia da moral (5. ed. São Paulo: Centauro, 2004). Escreveu até 1888, quando foi acometido por um colapso nervoso que nunca o abandonou até o dia de sua morte. A Nietzsche foi dedicado o tema de capa da edição número 127 da IHU On-Line, de 13-12-2004, intitulado Nietzsche: filósofo do martelo e do crepúsculo, disponível para download aqui. A edição 15 dos Cadernos IHU em formação é intitulada O pensamento de Friedrich Nietzsche, e pode ser acessada aqui. Confira, também, a entrevista concedida por Ernildo Stein à edição 328 da revista IHU On-Line, de 10-05-2010, intitulada O biologismo radical de Nietzsche não pode ser minimizado, na qual discute ideias de sua conferência A crítica de Heidegger ao biologismo de Nietzsche e a questão da biopolítica, parte integrante do Ciclo de Estudos Filosofias da diferença — Pré-evento do XI Simpósio Internacional IHU: O (des)governo biopolítico da vida humana. Na edição 330 da revista IHU On-Line, de 24-05-2010, leia a entrevista Nietzsche, o pensamento trágico e a afirmação da totalidade da existência, concedida pelo Prof. Dr. Oswaldo Giacoia e disponível para download aqui. Na edição 388, de 09-04-2012, leia a entrevista O amor fati como resposta à tirania do sentido, com Danilo Bilate, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[17] Pedro Fabro (1506-1546): jesuíta francês, primeiro discípulo e companheiro de Santo Inácio de Loyola. Foi ordenado em 1534. Com Francisco Xavier e Inácio de Loyola é reconhecido como um dos fundadores da Companhia de Jesus. Leia o artigo “O modelo de Papa Francisco: Pedro Fabro, «padre reformado» publicado no sítio do IHU, disponível aqui.(Nota da IHU On-Line)

[18] São Francisco Xavier (1506-1552): missionário cristão espanhol e apóstolo das Índias, um dos pioneiros e cofundador da Companhia de Jesus. Morreu na China, onde se preparava para cristianizar essa vasta região. Foi canonizado pelo Papa Urbano VIII. Leia também Francisco Xavier: o aventureiro de Deus. Entrevista especial com o jornalista espanhol Pedro Miguel Lamet sitio do IHU, disponível aqui (Nota da IHU On-Line)

[19] Pedro Arrupe (1907-1990): sacerdote católico espanhol, da Companhia de Jesus. Depois de estudar quatro anos medicina, a contragosto de muitos professores e colegas entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em Loyola. Sempre teve grande desejo de ir para o Japão. No Japão, logo aproximou-se das pessoas, e chegaram a pensar que Arrupe seria um espião americano. Saindo de Yamagushi, foi para o noviciado do Japão, em Hiroshima, como mestre de noviços. Aí se destacou pelo seu serviço incondicional quando da queda das bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial. Criou um hospital improvisado nas instalações semidestruídas do noviciado e foi com os noviços à cidade resgatar os sobreviventes, entre outros atos heroicos. Em seguida foi eleito provincial do Japão e em 1963 Superior Geral da Companhia de Jesus, posto que ocupou até 1983. O centenário de Pedro Arrupe foi lembrado nas Notícias do Dia 14-11-2007, na nossa página eletrônica. O material está disponível em www.unisinos.br/ihu. (Nota da IHU On-Line)

[20] Juan Domingo Perón (1895-1974): foi um militar e político argentino, presidente de seu país de 1946 a 1955 e de 1973 a 1974. (Nota da IHU On-Line)

[21] Papa Paulo VI: nascido Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, Paulo VI foi o Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica de 21 de junho de 1963 até 1978, ano de sua morte. Sucedeu ao Papa João XXIII, que convocou o Concílio Vaticano II, e decidiu continuar os trabalhos do predecessor. Promoveu melhorias nas relações ecumênicas com os Ortodoxos, Anglicanos e Protestantes, o que resultou em diversos encontros e acordos históricos. (Nota da IHU On-Line)

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