‘Bolsonarismo na UTI’: recuo de Hugo Motta e posição entreguista isolam oposição, avalia cientista político

Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Agosto 2025

Anistia irrestrita não será pautada na Câmara e extrema direita tem perdido popularidade com ataque à soberania nacional

A reportagem é de Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, publicada por Brasil de Fato, 14-08-2025.

O bolsonarismo enfrenta desgaste e isolamento crescentes, segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Ele destaca que o recuo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), diante da pressão da bancada que apoia o ex-presidente evidencia essa crise interna e externa. “Diante da opinião pública, o bolsonarismo cada vez mais ilustra um ponto de vista absolutamente lunático, entreguista, de servilismo aos Estados Unidos”, indica.

“Na quarta [6] passada, ele [Hugo Motta] fez um discurso muito superficial, agradou a todo mundo, era a ideia de que todo mundo saiu ganhando, principalmente os bolsonaristas. Mas, pressionado por lideranças políticas e pelo próprio [ex-presidente da Câmara] Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta resolveu ser um pouquinho mais incisivo. A maneira que ele manifestou isso foi através da recusa de pautar a questão da anistia total e irrestrita, como querem os bolsonaristas. O que é algo benéfico para a democracia […] e vai demonstrando como a bancada bolsonarista está ficando cada vez mais isolada, com menos prestígio”, afirma Ramirez.

Ramirez critica ainda a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) fora do país, classificando como “terrorismo econômico e diplomático contra o Brasil”. “É um absurdo que ele mantenha o cargo de deputado federal”, afirma. O professor também repudia o ataque do secretário dos Estados Unidos no Brasil, Marco Rubio, ao programa Mais Médicos. “Mostra como os americanos […] agem contra os direitos humanos brasileiros. […] O governo [do presidente Donald] Trump é a mazela da sociedade norte-americana que tende a levar os EUA ao fundo do poço”, aponta.

Ele destaca que o bolsonarismo tem perdido apoio também por conta dos ataques à democracia brasileira. Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (14) mostra que 51% dos brasileiros concordam com a prisão domiciliar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe. “O resultado da pesquisa mostra o bom senso de parte considerável da população brasileira que vê a família Bolsonaro como um grande entrave à democracia brasileira […] Esse desgaste vai mostrando que o bolsonarismo se encontra hoje na UTI”, indica.

Para o professor, o julgamento da trama golpista do 8 de janeiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser concluído até o início do próximo ano, evitando que a situação interfira nas eleições de 2026. “Seria o ideal, já que ano que vem, 2026, é um ano eleitoral […] No mais tardar, [o julgamento termina no] início do próximo ano, quando voltarem os trabalhos judiciários. Mais ou menos em fevereiro, março já teremos o desfecho dessa história”, prevê.

Ele avalia que as mudanças na presidência do STF, com a saída de Barroso, abre espaço para uma atuação mais humanista na Corte. “Barroso tinha uma relação mais profunda com o mercado financeiro. […] A saída de Barroso da presidência, assim como do STF, não vai mudar muita coisa, mas pelo menos traz a possibilidade de ascensão, por indicação do Lula, de um novo ministro mais humanista e mais engajado com as pautas sociais”, analisa.

Leia mais