O Papa se encontrará com o patriarca Kirill. Começa a aparecer a mediação do Vaticano

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01 Abril 2022

 

O encontro acontecerá ainda deste ano, fala-se até antes do verão europeu, com toda a probabilidade em território neutro. Não em Roma nem mesmo em Moscou, portanto. A notícia é de fato confirmada pela embaixada russa junto à Santa Sé que relança um artigo da "Ria Novosti" no qual o Metropolita Hilarion, chefe das relações internacionais do patriarcado de Moscou, diz que "está trabalhando" em um encontro entre o patriarca ortodoxo Kirill e o Papa Francisco, mesmo que devido ao desenvolvimento dos eventos na Ucrânia, os dois líderes espirituais já precisaram se comunicar à distância.

 

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 31-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O anúncio é significativo. Especialmente pelo momento em que foi divulgado. "É um sinal importante", confirmou do Vaticano não por acaso. Até hoje, a Santa Sé não conseguiu mediar o "não" de Moscou. Mas o movimento de Kirill, muito próximo de Putin, diz que talvez uma janela esteja se abrindo e que as coisas poderiam mudar efetivamente nos próximos dias. Além disso, pouco antes do início do conflito, o arcebispo católico de Moscou, monsenhor Paolo Pezzi, havia dito ao Repubblica que "mesmo que não seja um caminho fácil de seguir, a hipótese da mediação não é de forma alguma abstrata".

 

E novamente: "Basta lembrar o que o Papa fez e o que a Santa Sé fez para aumentar os processos de paz, por exemplo no Sudão do Sul, quando convidou os dois líderes do país para o Vaticano e, quebrando o protocolo, beijou-lhes os pés. Ou o que ele fez pela África Central, o encontro no Vaticano com Shimon Peres e Abu Mazen, o trabalho pelo fim do conflito na Colômbia”.

 

Hilarion diz que "foi muito importante o encontro que ocorreu em vídeo no dia 16 de março passado entre Kirill e o papa Bergoglio". Já naquela ocasião os dois falaram extensivamente sobre a crise na Ucrânia. Francisco disse que a mediação política não cabe à Igreja e expressou a necessidade de fazer tudo para promover caminhos de paz.

 

Ainda assim, sua disposição de mediar permanece, assim como sua disposição de fazer uma viagem rápida a Kiev após o convite de Zelensky, se as condições permitirem. "Todo esforço deve ser feito para que as divergências sejam resolvidas pacificamente", haviam concordado os dois na conversa. Mas "a Igreja não deve usar a língua da política, mas a linguagem de Jesus", explicou a Santa Sé em uma nota.

 

No Vaticano há muita preocupação pelos desdobramentos do conflito. A Secretaria de Estado mantém todas as portas abertas, mas no momento não há uma troca real e efetiva com Moscou. Os verdadeiros interlocutores são os ortodoxos e, ao mesmo tempo, a embaixada russa junto à Santa Sé, liderada pelo amigo do Papa, Alexander Avdeev. Existem relações com a Igreja Ortodoxa Ucraniana, mas as divergências desta última com Kirill não permitem a construção de pontes importantes.

 

Francisco da Casa Santa Marta acompanha a evolução do conflito dia após dia com particular atenção. Daqui a dois dias partirá para uma viagem a Malta, de onde provavelmente não deixará de falar mais uma vez da necessidade de chegar a uma trégua. Suas palavras esta semana têm sido cada vez mais importantes e alarmantes sobre isso. Ontem, no final da audiência geral, dirigiu "uma saudação particularmente afetuosa" às crianças ucranianas acolhidas pela Fundação "Aiutiamoli a vivere". "E com esta saudação às crianças, vamos voltar a pensar nessa monstruosidade da guerra e renovar nossas orações para que acabe essa crueldade selvagem que é a guerra", disse ele.

 

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