05 Agosto 2026
De acordo com a agência Reuters, situação pode obrigar Trump a recorrer a missões tripuladas e de maior risco no caso de ofensivas à República Islâmica.
A reportagem é publicada por DW, 04-08-2026.
Os Estados Unidos gastaram "quase todo" o estoque dos seus principais mísseis táticos de longo alcance nos cinco meses de guerra contra o Irã, informou a agência de notícias Reuters, citando fontes anônimas das forças armadas americanas.
A redução do arsenal tem gerado preocupações sobre a capacidade do país para futuros conflitos, já que pode forçar o presidente Donald Trump a recorrer a missões de bombardeio tripuladas – e de maior risco – caso retome ataques de grande escala contra a República Islâmica.
Segundo a Reuters, os mísseis que estão se esgotando são, principalmente, os do tipo superfície-superfície conhecidos como Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM). Os EUA utilizaram "praticamente todas" essas armas, disseram duas das fontes com acesso aos dados.
Esses mísseis de longo alcance, que custam mais de 1 milhão de dólares cada, são parte importante do arsenal do Pentágono, permitindo ataques precisos a uma distância segura. O PrSM é uma geração mais nova e mais avançada que substituirá os ATACMS, cujo alcance é menor.
Entre os consultados há receios de que a situação possa limitar a capacidade de Washington de dissuadir adversários como Rússia e China. Já outra fonte ouvida pela Reuters afirmou que os EUA poderiam reabastecer o arsenal de armas de alta precisão, a partir de estoques militares espalhados pelo mundo.
Casa Branca diz que EUA têm munição de sobra
Questionada, a Casa Branca divulgou uma declaração de Trump em que o presidente afirma que os EUA têm "muito mais munições do que qualquer país do mundo" e "muito mais do que precisamos". "Nossas empresas do setor de defesa estão, neste momento, produzindo mais munições do que jamais produziram, além de expandir suas fábricas e equipamentos em níveis recordes, disse Trump.
Já o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o exército americano "dispõe de tudo que precisa para agir no momento e no local que o presidente decidir". "Garantimos que as Forças Armadas dos EUA possuem um vasto arsenal de capacidades para proteger nosso povo e nossos interesses", disse Parnell.
Na semana passada, vários veículos noticiaram que Trump havia optado por não lançar outra ofensiva em grande escala no Irã, em parte porque tinha sido alertado sobre a situação dos estoques dos EUA. Outras fontes também afirmam que a decisão ocorreu devido à pressão de países do Golfo Pérsico.
Uma das nações da região, o Omã, está em negociações com o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado desde o início do conflito entre Teerã e EUA, em fevereiro deste ano. De acordo com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, Washington também está envolvido nessas tratativas.
🇺🇸🇮🇷 Desde 21 de março, Trump ameaçou lançar grandes ataques contra o Irã 10 vezes. Após cada ameaça, o preço do petróleo subiu, e a cada cancelamento dos ataques, o petróleo caiu. Cerca de US$ 9 bilhões de lucros foram feitos com operações financeiras entre esses ciclos. pic.twitter.com/Tj8QGp4ARl
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) August 4, 2026
Ele disse que houve avanços, mas que ainda não se chegou a um acordo definitivo. "Esperamos que isso aconteça em breve", disse Rubio, em Washington. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi mais otimista. "Estamos falando com os iranianos e acho que há uma chance de que possamos chegar a um acordo hoje [terça-feira, 4 de agosto] ou amanhã para reabrir o estreito e alcançar uma posição mais normalizada no conflito", afirmou Bessent à emissora CNBC.
Já o Catar, que atua como mediador entre Washington e Teerã ao lado do Paquistão, afirmou que os esforços diplomáticos continuam, mas que ainda não foi alcançado nenhum acordo.
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