07 Julho 2026
Como diferentes agentes influenciam ou restringem a atuação da imprensa local, como políticos, empresários, forças de segurança, facções criminosas e outros grupos capazes de exercer pressão sobre jornalistas e empresas de comunicação? Esta a pergunta que a jornalista Gabi Coelho e o jornalista Igor Soares, com o apoio de Repórteres Sem Fronteiras, levou, entre fevereiro e maio, para editores e profissionais de 38 veículos de imprensa fora das capitais nas cinco regiões do Brasil.
O artigo é de Edelberto Behs, jornalista.
O estarrecedor é que apenas 15,8% do universo pesquisado consideram que há liberdade de imprensa plena em suas localidades; 89% relataram ter sofrido algum tipo de hostilidade no exercício profissional; 65% deixaram de publicar alguma pauta por medo de represálias e 46,1% alteraram, em função das pressões, sua linha editorial. Nas regiões Centro Oeste e Sul, pesquisados e pesquisadas disseram que a liberdade plena é zero.
E quem são os agressores nessa história?
Em primeiro lugar aparecem, assim mencionados e com 12 menções, políticos corruptos, que usam o controle de publicidade, processos judiciais e intimidação direta para silenciar veículos locais. A seguir, com 7 indicações, vêm empresários, via publicidade e ameaças a donos de veículos locais que dependem de anunciantes. Forças de segurança tiveram 6 menções e facções criminosas 5 menções.
Dos agredidos e agredidas, 76,3% nunca denunciaram uma ameaça sofrida ou agressão; 16% disseram que não o fizeram por falta de confiança nas autoridades e 9% por medo de represálias. As pressões e ataques acontecem via redes sociais, intimidação presencial, ameaça indireta, pressão de autoridades, restrição de circulação, perseguição digital e censura explícita.
A maior parte da violência sofrida pelo jornalismo local no Brasil não existe em nenhum registro oficial.
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