21 Mai 2026
"Bem-vindos a Israel, nós somos os donos daqui." (Quem impede isso?).
O artigo é de Jesús Lozano Pino, missionário e filósofo em formação, publicado por Religión Digital, 21-05-2026.
Eis o artigo.
Não é segurança, é crueldade: a humilhação intolerável de trabalhadores humanitários pelo Ministro da Segurança Nacional de Israel.
Um alto funcionário da segurança israelense provocou indignação mundial ao divulgar um vídeo zombando de ativistas europeus — incluindo vários espanhóis — que estavam amarrados e ajoelhados. Este ataque direto à dignidade humana foi condenado como "monstruoso" pelo governo espanhol.
A política da crueldade ultrapassou um novo limite. A divulgação de um vídeo gravado e compartilhado nas redes sociais pelo Ministro da Segurança Nacional de Israel chocou a comunidade internacional. Nas imagens, o chefe da polícia do país zomba e humilha publicamente dezenas de trabalhadores humanitários e ativistas da Flotilha Global Sumud (incluindo cidadãos espanhóis) após serem interceptados em águas internacionais enquanto tentavam entregar ajuda humanitária a Gaza.
Far-right National Security Minister Itamar Ben-Gvir released a video showing detained participants of the intercepted Gaza-bound flotilla being bound and dragged in Israel's Ashdod Port, writing, "That's how we welcome the terror supporters. Welcome to Israel."
— Haaretz.com (@haaretzcom) May 20, 2026
Read more here:… pic.twitter.com/Uuc9AXONsi
As imagens são devastadoras para qualquer pessoa que defenda os valores do Evangelho e os direitos humanos: homens e mulheres desarmados forçados a ajoelhar-se ao sol, com as mãos amarradas nas costas e a testa pressionada contra o asfalto. Enquanto isso, o Ministro da Segurança Nacional passeia entre eles, agitando uma bandeira e zombando: "Bem-vindos a Israel, aqui quem manda somos nós".
Uma afronta à dignidade humana
A reação da diplomacia europeia foi unânime e contundente, especialmente a da Espanha. Nosso Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, não poupou palavras diante do que considera uma absoluta falta de humanidade, classificando as imagens como "monstruosas, indignas e desumanas" e exigindo a libertação imediata de nossos compatriotas e um pedido público de desculpas.
Até mesmo dentro do próprio governo israelense, o Ministro das Relações Exteriores teve que intervir para repreender seu colega de gabinete: "Você causou um dano tremendo com esse espetáculo vergonhoso... Você não representa Israel."
O vídeo do Ministro da Segurança Nacional ofende a sensibilidade de qualquer pessoa de fé ou com um mínimo de senso de justiça. Reduzir trabalhadores humanitários pacíficos a uma posição de submissão indigna não é defender um Estado; é desumanizar o próximo.
Este episódio deplorável nos lembra que, no tabuleiro geopolítico, a propaganda de ódio é altamente valorizada. Quando trabalhadores humanitários — muitos deles movidos por profundas convicções éticas e cristãs de justiça e paz — são tratados como troféus de guerra diante das câmeras de um ministro, a comunidade internacional não pode simplesmente ignorar a situação. A solidariedade não pode ser subjugada.
Israel’s Transport Minister Miri Regev shared a video boasting about the humiliating detention of Global Sumud Flotilla activists, shown handcuffed and forced to sit with their heads to the ground after being abducted by naval forces while attempting to break the blockade on… pic.twitter.com/FCmTx8NDbp
— Quds News Network (@QudsNen) May 20, 2026
O silêncio que nos torna cúmplices da falta de escrúpulos
Este lamentável episódio não é meramente um conflito geopolítico ou mais um incidente diplomático; é um reflexo cru da alma humana quando se deixa corromper pelo poder e pelo desprezo pelo próximo. Ver trabalhadores humanitários pacíficos — motivados pela compaixão e pelo senso de justiça — desumanizados e tratados como troféus de guerra é uma flagrante contradição aos valores do Evangelho que nos chamam a reconhecer a face de Deus em nossos irmãos e irmãs, especialmente naqueles que sofrem.
A propaganda do ódio e a arrogância daqueles que se consideram "donos" da terra e da vida alheia jamais conseguirão extinguir a luz da solidariedade. Quando a crueldade se exibe com orgulho, a fé não pode ser um refúgio de neutralidade, nem a Igreja pode fechar os olhos.
Seguir Jesus de Nazaré exige uma voz profética e corajosa. Não podemos permanecer em silêncio diante da violação dos direitos mais sagrados. Hoje, mais do que nunca, confrontados pelos muros do desprezo e pelas correntes da opressão, somos chamados a erguer nossas vozes em defesa dos desarmados, a denunciar a monstruosidade da violência e a lembrar que o único caminho para a verdadeira paz é aquele construído sobre a justiça, a misericórdia e a dignidade inviolável de cada ser humano. A solidariedade, enraizada no amor evangélico, caminha de cabeça erguida; esta é uma força que nenhum golpe de orgulho pode derrubar.
Flotilla, la ministra dei Trasporti israeliana: "Attivisti drogati e sostenitori del terrorismo" - la Repubblica https://t.co/eRLzhPkaXD
— IHU (@_ihu) May 21, 2026
Leia mais
- Ben-Gvir, o líder extremista com a corda no pescoço que controla a polícia e a segurança
- Flotilha. "Abusos e violência na prisão, Israel não tem limites para sua agressão". Entrevista com Tony La Piccirella
- Ben Gvir: "Ativistas do Sumud serão tratados como terroristas"
- Ministro israelense Ben-Gvir visita os detidos da flotilha para insultá-los: "Eles são terroristas e defensores de assassinos"
- A hybris de Ben Gvir e a dignidade triunfante de Barghouti
- Quem são Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, os primeiros-ministros israelenses sob sanções internacionais?
- Ministro de Israel diz que pode ser ‘justo e moral’ matar de fome 2 milhões em Gaza
- Deus, metralhadoras e colônias: Ben Gvir afasta as esperanças de trégua. Artigo de Domenico Quirico
- Em plena luz do dia, em águas internacionais, apontando armas: foi assim que as Forças de Defesa de Israel detiveram a Flotilha
- A ofensiva israelense não é suficiente, "hoje a flotilha zarpa novamente para Gaza"
- Quando as flotilhas reacendem o debate global sobre Gaza
- Provocações e advertências. Mas a Flotilha está na rota para Gaza
- Flotilha pronta para partir novamente, por Thiago e Saif. Artigo de Andrea Sceresini