O "Déjà Vu" do Vaticano: Trump contra o Sucessor de Pedro. Artigo de Jesús Lozano Pino

Foto: Daniel Torok/White House

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14 Abril 2026

"De Francisco a Leão XIV: a eterna batalha entre o nacionalismo político e o humanismo cristão", escreve Jesús Lozano Pino, missionário e filósofo em formação, em artigo publicado por Religión Digital, 13-04-2026.

Eis o artigo.

Política e fé sempre foram vizinhas difíceis, mas o que estamos testemunhando entre Donald Trump e o Papa Leão XIV não é apenas uma divergência diplomática; é um choque de titãs pela alma da opinião pública global.

Este confronto parece estranhamente familiar. É quase um déjà vu das tensões que definiram o pontificado de seu antecessor, o Papa Francisco. O que Trump hoje rotula como interferência ou uma postura "excessivamente política" por parte de Leão XIV é precisamente o mesmo motivo pelo qual Francisco foi atacado durante anos.

O eco de Francisco: Por que eles estão sendo atacados?

Leão XIV é criticado hoje pelo mesmo motivo que Francisco: a humanidade acima da ideologia. Eis os pontos de divergência que unem ambos os pontífices sob fogo republicano:

Globalismo versus nacionalismo: Trump vê o Vaticano como um concorrente. Assim como Francisco, Leão XIV defende um mundo sem muros, o que entra em conflito direto com a retórica do "América em Primeiro Lugar". Para seus críticos, isso não é caridade, mas uma agenda política internacionalista.

Justiça social como "socialismo": Francisco foi rotulado de "comunista" por se concentrar na desigualdade econômica. Leão XIV enfrentou o mesmo rótulo quando apontou que o acúmulo excessivo de riqueza ignora o mandamento cristão de ajudar os necessitados.

A crise migratória: o ponto crítico. Quando o Papa fala da dignidade dos migrantes, Trump interpreta isso como uma fragilidade nas fronteiras. É um choque entre segurança nacional e compaixão humana.

Duas versões de "Poder"

O ataque de Trump não é sem motivo. Como a imprensa corretamente aponta, Leão XIV é talvez o único americano — devido ao seu peso moral e midiático — capaz de ofuscá-lo no cenário mundial. "Enquanto um constrói seu poder na exclusão e na força, o outro o faz na inclusão e na vulnerabilidade."

Um reflexo de uma sociedade fragmentada

Este ataque frontal não é apenas contra um homem de batina; é contra uma visão de mundo. Trump está usando Leão XIV como um adversário ideológico para mobilizar sua base mais conservadora, a mesma base que antes se sentia alienada pelos gestos de abertura de Francisco em relação à comunidade LGBTQ+, ao meio ambiente e aos refugiados.

Em suma, o que vemos é uma repetição da história, onde o dogma político tenta silenciar a mensagem humanista. Leão XIV, assim como Francisco, descobriu que, no século XXI, pregar o Evangelho do acolhimento é, para alguns, o ato de guerra mais desafiador de todos.

A urgência de chegar à raiz do problema

Para além da assistência imediata, o verdadeiro desafio reside na vontade de analisar as causas profundas da desigualdade. Ignorar a origem da divisão social apenas perpetua o ciclo de vulnerabilidade. Como bem salientou Dom Hélder Câmara, ao destacar a resistência das estruturas de poder à busca da justiça: “Quando dou comida aos pobres, chamam-me de santo. Quando pergunto por que os pobres não têm comida, chamam-me de comunista”. As suas palavras convidam-nos a refletir se estamos dispostos a simplesmente prestar apoio ou se temos a coragem de também sermos agentes de mudança.

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