14 Abril 2026
O presidente foi criticado por blasfêmia. Ele criticou Leão XIV por suas declarações sobre a guerra no Irã.
A reportagem é de Jesus Servulo Gonzalez, publicada por El País, 13-04-2026.
Donald Trump removeu na segunda-feira uma imagem publicada no X em que se retratava como Jesus Cristo, em resposta às suas críticas sem precedentes ao Papa Leão XIV. O presidente apagou a imagem após receber uma onda de críticas de associações e representantes católicos, bem como de outras organizações conservadoras alinhadas a ele. Na imagem gerada por inteligência artificial, Trump aparecia como Jesus Cristo curando um doente.
Trump enfrentou duras críticas após a divulgação de uma imagem sua como Jesus Cristo curando. O governo Trump tem feito proselitismo em favor da fé católica em um país cuja Constituição garante a liberdade religiosa. Dois em cada três americanos se identificam como católicos, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center.
Pouco antes de publicar a imagem controversa nas redes sociais neste domingo, o presidente escreveu uma mensagem atacando o Papa Leão XIV, chamando-o de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”. Após as críticas do pontífice à guerra no Irã, Trump afirmou que “não quer um papa criticando o presidente dos Estados Unidos” quando ele está “fazendo exatamente aquilo para o qual foi eleito, por uma maioria esmagadora”.
O Papa não se deixou intimidar e respondeu: "Não tenho medo do governo Trump (...) Continuarei a denunciar a guerra", disse ele em um voo para a Argélia, onde iniciará uma viagem apostólica.
Embora seja comum que presidentes tenham origem católica e que políticos observem tradições religiosas e louvem a Deus em geral (sem especificar qual para evitar ofender alguém), o governo Trump levou a questão da religião a outro patamar. Muitos membros do governo ostentam seu fervor religioso católico exibindo cruzes cristãs e fazendo alusão à figura de Jesus. Essa imagem, portanto, decepcionou muitos seguidores do movimento MAGA (Make America Great Again, o movimento ultraconservador que impulsionou Trump à Casa Branca), que são profundamente católicos.
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O secretário de Defesa, Pete Hegseth, é talvez o crente mais devoto e frequenta regularmente cultos religiosos e ora antes de aparições públicas. Hegseth enquadrou o conflito Irã-Contras como um conflito religioso. Ele se entregou a Jesus Cristo e invocou a "providência onipotente" de Deus. Hegseth, que renomeou seu departamento para Departamento de Guerra, pediu aos americanos, no início deste mês, que orassem "todos os dias, de joelhos, por uma vitória em nome de Jesus Cristo".
Portanto, a publicação de Trump gerou profundo desconforto entre seus apoiadores. Por exemplo, Isabel Brown, apresentadora de um podcast católico no Daily Wire e figura influente do conservadorismo, lamentou que "esta publicação é, francamente, repugnante e inaceitável, mas também uma profunda interpretação equivocada do povo americano que está vivenciando um verdadeiro e belo reavivamento da fé em Cristo em meio à nossa cultura fragmentada", segundo a agência de notícias EFE.
As tensões entre o governo Trump e o Vaticano aumentaram desde que o presidente americano ordenou o bombardeio de Teerã no fim de fevereiro. O Papa usou sua homilia de Páscoa para enviar uma mensagem clara ao republicano. "Tendemos a nos considerar poderosos quando dominamos, vitoriosos quando destruímos nossos iguais, grandes quando somos temidos", declarou Leão XIV durante a missa da Quinta-feira Santa. Ele também questionou o uso da religião como justificativa para fins que contradizem a doutrina católica.
Michael Knowles, outro podcaster católico conservador alinhado a Trump, afirmou enfaticamente que "é do melhor interesse do presidente, tanto espiritual quanto politicamente, apagar a foto, independentemente de suas intenções". Após a controvérsia e depois de permanecer na conta oficial por mais de doze horas, a imagem foi removida sem qualquer explicação de Trump ou da Casa Branca.
No ano passado, o presidente já havia publicado uma foto sua vestido de Papa que parecia ter sido gerada por inteligência artificial.
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