Papa diz a grupo marxista que boas políticas não podem ser ditadas pelo mercado

Foto: Vatican Media

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12 Janeiro 2024

"As políticas a serviço da humanidade não podem se deixar ser ditadas pela finança e pelos mecanismos internos do mercado", afirmou o Papa Francisco.

A reportagem é de Justin Mclellan, publicada por National Catholic Reporter, 10-01-2024.

Em vez disso, as sociedades devem considerar como seu povo pode compartilhar desafios e recursos, disse o Papa a representantes de um projeto de diálogo que reúne socialistas, marxistas e cristãos.

Durante uma reunião no Vaticano em 10 de janeiro, Francisco disse ao grupo que, além de ser uma virtude moral, a solidariedade é uma exigência de justiça que requer corrigir as distorções e purificar as intenções de sistemas injustos, inclusive por meio de mudanças radicais de perspectiva no compartilhamento de desafios e recursos entre as pessoas.

O projeto de diálogo, conhecido como DIALOP, foi formado após uma reunião de dois políticos europeus de esquerda, um membro do movimento Focolare e Francisco em 2014, na qual discutiram a necessidade de um diálogo contínuo entre a esquerda europeia e os cristãos. O DIALOP agora tem parcerias com várias universidades europeias, instituições educacionais e organizações católicas, e lançou um projeto para desenvolver um currículo acadêmico integrando o ensino social cristão, a crítica social marxista e o feminismo.

Francisco incentivou os representantes do projeto a estarem abertos a novos caminhos e a "quebrar o molde" de seu pensamento por meio do diálogo. "Num tempo marcado por vários níveis de conflitos e divisões, não percamos de vista o que ainda pode ser feito para reverter as coisas", disse ele.

O Papa pediu que trabalhassem "contra abordagens rígidas que separam" as pessoas e, em vez disso, tivessem corações abertos em seu diálogo e cultivassem sua capacidade de ouvir, "excluindo ninguém no nível político, social e religioso".

"Hoje, num mundo dividido por guerras e polarização, corremos o risco de perder a capacidade de sonhar", disse o Papa ao grupo. "Esta é a convocação que também faço a vocês, não recuem, não se rendam, não parem de sonhar com um mundo melhor".

"Quantas vezes ao longo dos séculos grandes sonhos de liberdade e igualdade, dignidade e fraternidade - um reflexo do sonho de Deus - produziram avanços e progresso", disse ele.

O Papa pediu que não se esquecessem das pessoas marginalizadas pela sociedade, observando que "a medida de uma civilização é vista pela forma como os vulneráveis são tratados".

E ele insistiu que as pessoas precisam lembrar das ditaduras do passado como um alerta para o presente. Francisco usou o exemplo dos nazistas: "eles descartaram os vulneráveis, mataram, rejeitaram: os  obres, desempregados, sem-teto, imigrantes, explorados e todos aqueles que a cultura do descarte transforma em resíduos".

Francisco também enfatizou que mudar a sociedade requer "um compromisso de combater o flagelo da corrupção, abuso de poder e falta de lei".

"É apenas na honestidade que relacionamentos saudáveis podem ser estabelecidos", e as pessoas podem "cooperar de maneira fiel e eficaz na construção de um futuro melhor", disse ele.

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