“A teoria do gênero é perigosa. Não à substituição”, afirma Papa Francisco

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10 Janeiro 2024

Mão estendida de Bergoglio à ala tradicionalista da Igreja.

A reportagem é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 09-01-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

“A teoria de gênero é perigosíssima, apaga as diferenças”. O Papa Francisco usa palavras ainda mais duras com a maternidade de substituição: "É deplorável, que seja proibida em todos os lugares." Depois de um outono de aberturas “progressistas”, em particular para o mundo LGBTQIAPN+, o Pontífice intervém em temas éticos com a firmeza pregada pelos conservadores. A ocasião é a audiência com o corpo diplomático credenciado na Santa Sé.

O Bispo de Roma afirma que “o caminho para a paz exige o respeito pela vida, por toda vida humana, a parir daquela do nascituro no ventre da mãe, que não pode ser suprimida ou se tornar objeto de comercialização”. Bergoglio considera “deplorável a prática da chamada maternidade de substituição, que fere gravemente a dignidade da mulher e do filho. É baseada na exploração de uma situação de necessidade material da mãe". Uma criança é “sempre um dom e nunca o objeto de um contrato”.

Portanto, Francisco espera “um empenho da comunidade internacional para proibir em nível universal essa prática." Em cada momento de sua existência, a vida humana deve ser preservada e protegida, embora constate com pesar, especialmente no Ocidente, “a persistente difusão de uma cultura da morte que, em nome da falsa piedade, descarta crianças, idosos e doentes". Essa é a alfinetada número um.

O golpe número dois tem uma premissa semelhante: “O caminho para a paz exige o respeito pelos direitos humanos”, segundo “aquela simples, mas clara formulação contida na Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Trata-se de princípios “racionalmente evidentes e comumente aceitos. Infelizmente, as tentativas realizadas nas últimas décadas de introdução novos direitos, não plenamente consistentes com aqueles originalmente definidos e nem sempre aceitáveis, deram origem a colonizações ideológicas, entre as quais desempenha um papel central a teoria do ‘gênero’”, que para o Papa é “perigosíssima porque apaga as diferenças na pretensão de tornar todos iguais. Tais colonizações ideológicas provocam feridas e divisões entre os Estados, em vez de favorecer a construção da paz".

Palavras que soam como um sinal, uma mão estendida, à ala tradicionalista da Igreja, da qual estão espalhando veementes protestos contra a "Fiducia suplicans", a declaração do Vaticano que abriu à bênção a casais homossexuais. Na Missa da Epifania o Pontífice invocou: na Igreja, em vez de “nos dividirmos, somos chamados a colocar Deus novamente no centro”; nada mais "ideologias eclesiásticas" que provocam divisões.

A última contestação em ordem temporal é do Cardeal Robert Sarah. Ele escreve no "X": “Tenho que agradecer às conferências episcopais que já realizaram essa obra de verdade, com a qual concordo e compartilho as decisões e a firme oposição à Fiducia suplicans”.

As afirmações papais de ontem se seguem a alguns encontros recentes de alto valor simbólico com expoentes da galáxia conservadora, em nome de um degelo, combinado com a firmeza das posições de Francisco. Com o Cardeal Raymond Leo Burke, considerado um líder dos adversários de Bergoglio. E também com Monsenhor Georg Gaenswein, ex-secretário particular de Bento XVI. Nesse interim, o Papa recebe aplausos da centro-direita política italiana. Exclama a ministra da Família, Eugenia Roccella: “Os corpos das mulheres não se alugam, as crianças não se compram”.

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