Novos cardeais e problemas não resolvidos

Foto: Vatican News

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Julho 2023

"Com o anúncio de ontem de um consistório para indicar 21 novos cardeais, Francisco preparou a composição do conclave que provavelmente elegerá seu sucessor. E, ao dar o título apenas para homens, acabou com qualquer hipótese de abrir para as mulheres aquele 'colégio' exclusivo".

O comentário é de Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por L'Adige, 13-07-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Com as novas nomeações, que entrarão em vigor em 30 de setembro, o plenário dos cardeais eleitores (ou seja, com menos de 80 anos de idade; uma vez atingido esse limite, perde-se o direito de voto) supera em cerca de quinze o limite máximo estabelecido por Paulo VI: cento e vinte. Indiretamente (mas nada é certo) Bergoglio indica uma perspectiva – de 150 eleitores – que canonicamente poderia ser fixada por seu sucessor.

Como para outras nomeações cardinalícias de Francisco, esta também vê prelados representantes de todos os continentes e o reitor-mor dos salesianos. Mas se veem países "premiados" e países "ignorados". Entre os primeiros, três argentinos (um, porém, com mais de oitenta anos); e entre os segundos, a Alemanha que, desta vez, não vê nenhum novo cardeal. Um sinal claro de que Bergoglio está muito descontente com o episcopado alemão. Que, ao permitir que o Synodaler Weg (o Caminho Sinodal) propusesse reformas incisivas à Santa (como o celibato opcional para os presbíteros latinos, a admissão das mulheres ao diaconato e ao sacerdócio, a bênção a casais LGBT+), irritou muito vários ambientes da Cúria Romana, e talvez até o próprio pontífice.

Entre os futuros novos cardeais podemos destacar dom Stephen Chow Sau-Yan, bispo de Hong Kong, precioso para a diplomacia vaticana em sua busca de diálogo com Pequim; e o franciscano Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém. Com esta promoção torna-se uma das personalidades mais interessantes do sagrado colégio: é italiano, nascido em 1965, e com uma experiência muito particular da situação das igrejas no Médio Oriente, e da duríssima busca pela paz entre israelenses e palestinos.

Os 21 promovidos assumirão o cargo quatro dias antes do início do Sínodo dos Bispos que, em outubro, também terá que abordar as controversas polêmicas em parte antecipadas pelo Synodaler Weg. Mas a ausência, entre as novas nomeações, de mulheres cardeais descortina uma problemática que, hoje, é difícil ocultar. De fato, mesmo sem ser admitidas às "ordens superiores" (presbiterado e episcopado), mulheres, em teoria, poderiam de fato ser cardeais. Durante séculos foram nomeados cardeais diáconos (como o Mons. Antonelli, secretário de Estado de Pio IX). E nada impede de voltar a essa norma.

No entanto, apesar das muitas propostas feitas nos últimos anos e não apenas de mulheres, para ver inserido o mundo feminino católico onde as grandes decisões são tomadas, como a eleição do Bispo de Roma e Papa da Igreja Católica, por enquanto a metade do bilhão e trezentos milhões de fiéis não está representada. Uma gritante anomalia.

Leia mais