“Os 500 desaparecidos barrados na Líbia”. As ONGs: as autoridades sabem tudo

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29 Mai 2023

A denúncia das organizações não governamentais que procuraram o barco durante dois dias. "Os familiares dizem que estão presos em Bengasi".

A reportagem é de Daniela Fassini, publicada por Avvenire, 27-05-2023.

Naufrágio na Grécia: pelo menos três mortos e 12 desaparecidos (incluindo uma menina de 7 anos).

Barrados na Líbia. Naufraga o sonho de uma nova vida, sem mais torturas nem violências, para os 500 desesperados que mantiveram durante três dias em suspenso as ONGs envolvidas no Mediterrâneo no salvamento de vidas.

Os 500 migrantes que desapareceram teriam sido barrados na Líbia, informa o Alarm Phone no meio da tarde. “Segundo parentes, as 500 pessoas foram barradas na Líbia e agora estão presas em Bengasi. Se for verdade, foi um ato criminoso de impedimento de entrada pelo centro das autoridades maltesas. Pedimos esclarecimentos. Quem era o responsável?”, escreve a ONG em um tuite, que dois dias atrás recebeu um pedido de socorro do barco à deriva na costa da Líbia e depois disso não conseguiu mais se comunicar com as pessoas a bordo.

Elas haviam desaparecido. Entre as ondas do mar, num barco avariado. Após 48 horas de busca na área, o navio Life Line da ONG Emergency teve que abandonar a busca por aqueles 500 migrantes que partiram há vários dias da Líbia e que foram sinalizados em condição de perigo ao longo da rota do Mediterrâneo central.

Entre eles também estão 56 crianças, uma de poucos dias, nascida durante a travessia. "Continua desconhecido o destino das 500 pessoas que o navio da Emergency, Life Support, estava indo socorrer em águas internacionais, zona de busca e salvamento maltesa, em 23 de maio. Depois de dias de busca, a hipótese de que as pessoas foram levadas de volta para a Líbia, mesmo que as autoridades líbias até agora o neguem”, comenta a Emergency.

"A Life Support", explica a ONG, "não encontrou os restos de um naufrágio e as 500 pessoas não constam como desembarcadas na Itália. É difícil acreditar que nenhuma autoridade costeira saiba onde estão as 500 pessoas. As autoridades maltesas no passado já contrataram uma embarcação privada para mandar de volta à Líbia migrantes, e não se pode excluir que também desta vez se trate de um mecanismo semelhante”. São pelo menos 24 mil, recorda a ONG, “as pessoas levadas de volta à Líbia contra sua própria vontade em 2022 e mais de 5.000 em 2023”.

Na Líbia, segundo os últimos relatórios das Nações Unidas, as pessoas migrantes são vítimas de crimes contra a humanidade. “Os náufragos resgatados pela Emergency, uma vez a bordo, denunciam ter sofrido detenções arbitrárias, violências sexuais e torturas perpetradas diariamente nas prisões líbias oficiais e não oficiais". No momento da sinalização, em 23 de maio, a embarcação em perigo tinha 500 pessoas a bordo, das quais 56 crianças, incluindo uma recém-nascida, e 45 mulheres, algumas grávidas. A Life Support então navegou a toda velocidade e por mais de 30 horas em direção ao navio, usando a posição indicada pelo Alarm Phone, de onde veio a sinalização. Ao chegar, já haviam se perdido os rastros e após 24 horas de busca ativa, e sem conseguir encontrar a embarcação, o navio teve que deixar a área.

“É realmente inaceitável que sejam as ONGs e não os Estados costeiros a salvar as vidas no mar Mediterrâneo - acusa o chefe da missão da Life Support de Emergency Albert Mayordomo - Pedimos a Malta e à Itália que assumissem a responsabilidade pelas operações de socorro, mas elas se recusaram a compartilhar qualquer informação. A Life Support continuou até quinta-feira à noite as operações de busca da embarcação. Também a ONG Sea Watch, informa a Emergency, "efetuou uma busca durante dois dias consecutivos com o seu avião, Sea Bird, sem encontrar indícios da presença da embarcação. Por isso e face ao agravamento das condições meteorológicas, o navio foi obrigado a deslocar-se para outra zona, em águas internacionais, para a área de busca e salvamento da Líbia".

Mas também há outro drama no mar: pelo menos três pessoas morreram e doze estão desaparecidas num naufrágio que ocorreu na madrugada de ontem em frente à ilha de Mykonos, na Grécia. Um homem e dois mulheres foram encontrados mortos pela guarda costeira grega enquanto duas pessoas foram resgatadas. As operações de resgate começaram ontem de manhã, quando a guarda costeira avistou duas pessoas nadando perto da costa da ilha.

Os dois migrantes, após serem resgatados, informaram as autoridades sobre o naufrágio e informaram que 17 pessoas viajavam com eles numa embarcação que partiu da Turquia. De acordo com relatos de testemunhas, os passageiros não usavam coletes salva-vidas. A maioria deles vinha da Síria. Entre os desaparecidos estariam também 5 mulheres e uma menina de 7 anos.

88 migrantes foram resgatados ontem de manhã pela Humanity1 em águas internacionais. "Os migrantes", informa a ONG, "estavam em um barco de madeira superlotado e impróprio para navegar e estava começando a chover. As pessoas resgatadas estavam no mar há três dias sem coletes salva-vidas e agora estão seguras". O navio foi designado para o porto de Livorno.

Segundo a organização, “são 1.400 quilômetros, quatro dias de navegação. Os sobreviventes dizem que há um segundo barco à deriva, mas as autoridades italianas obrigam-nos a retornar”. De fato, trata-se de um segundo barco com 105 pessoas a bordo em dificuldade na Sar de Malta. Que afirma isso é o Alarm Phone, relatando que os migrantes estão “sem água para beber e precisam urgentemente de socorro”.

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