Ucrânia: danos colaterais às Igrejas

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28 Novembro 2022

"A difícil situação da Igreja pró-russa, na época favorecida e apoiada pelo patriarcado russo, que tentou tomar todas as distâncias possíveis de Moscou (ultimamente também no que diz respeito ao crisma para as ordenações), é indicada no atual duro contexto de conflito bélico, como o 'ponto fraco' da resistência interna", escreve Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, em artigo publicado por Settimana News, 26-11-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Na terça-feira, 22 de novembro, os serviços secretos ucranianos (SBU) iniciaram uma busca no mais importante mosteiro de Kiev, o Pechersk Lavra, ou das grutas, o centro religioso fundado em 1051 e localizado na margem ocidental do Dnieper.

Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da humanidade, o mosteiro também é a sede da Igreja Ortodoxa pró-Rússia (Metropolita Onufrio).

Alguns dias antes, durante uma liturgia, um padre louvava o "despertar da Rússia" com cantos da tradição do "mundo russo", a ideologia religiosa que une russos, bielorrussos e ucranianos em uma única comunidade cultural-espiritual.

A suspeita é de colaboracionismo, de um acordo com o inimigo. “Aqueles que, em condições de guerra desencadeada pela Rússia contra a Ucrânia – disse o responsável da SBU – louvam o despertar da Rússia, devem entender o dano que estão causando à segurança e aos interesses da Ucrânia e de seus cidadãos. Não vamos permitir isso."

Os pró-russos na mira

Intervenções semelhantes ocorreram em 350 edifícios eclesiásticos, no mosteiro feminino de Korets (Rovno) e Volhynie (Sarny), nas instalações administrativas da diocese de Sarny. 30 processos criminais foram iniciados contra o mesmo número de padres. Todos, institutos e pessoas, pertencentes à Igreja Ortodoxa do Metropolita Onufrio que se opõe à Igreja Ortodoxa Autocéfala (Epifânio), apesar de compartilhar a condenação da guerra russa e de ter se distanciado explicitamente do patriarcado de Moscou.

Três de seus membros que operam nos territórios ocupados pela Rússia participaram da cerimônia de sua incorporação à Rússia em um suntuoso evento no Kremlin.

Três bispos (antes da guerra eram uma centena) foram demitidos e agora estariam na Rússia. O metropolita Jonathan foi acusado de atividades subversivas que ele nega. Ele foi defendido por seu clero.

A difícil situação da Igreja pró-russa, na época favorecida e apoiada pelo patriarcado russo, que tentou tomar todas as distâncias possíveis de Moscou (ultimamente também no que diz respeito ao crisma para as ordenações), é indicada no atual duro contexto de conflito bélico, como o "ponto fraco" da resistência interna.

Em um comunicado oficial do sínodo de 23 de novembro, os bispos lamentam a suspeita de colaboracionismo e denunciam as acusações contra sua Igreja como infundadas. Defendem o clero que continua a servir nos territórios ocupados, denunciam as práticas administrativas que facilitam a transição para a Igreja autocéfala e as declarações provocativas de alguns dirigentes administrativos. Eles pedem imparcialidade nos juízos ainda em aberto e pretendem que seu clero seja envolvido no serviço pastoral aos soldados em guerra.

Foi apresentado ao parlamento um novo projeto de lei que impediria qualquer atividade para as Igrejas que tenham qualquer vínculo de subordinação com Moscou no âmbito canônico, organizacional ou similar. Se aprovada, essa lei significaria o fechamento legal da Igreja pró-Rússia.

Defesas não solicitadas

Várias vozes surgiram em sua defesa – provavelmente não solicitadas e com resultados contraditórios – da Rússia.

O porta-voz do Kremlin, Dimitry Peskov, denunciou a "cadeia de ações militares contra a ortodoxia russa".

O conselheiro do patriarca Kirill, Nicolas Balashov, atacou o projeto de lei, acusando seus promotores de confundir a Igreja com a oposição política e garantindo a fidelidade dos crentes a Onufrio.

O vice-presidente do Conselho Mundial Russo, A.V. Shchipkov, comparou a outra Igreja Ortodoxa Ucraniana aos "inovadores" que, em meio à revolução bolchevique dos anos 1920, promoveram o cisma, em combinação com o poder soviético ateu.

O responsável pela comunicação do patriarcado russo, V.R. Lgoyda, definiu as buscas como um ato de intimidação: “Como muitos outros casos de busca dos crentes na Ucrânia a partir de 2014, essas arbitrariedades passarão inobservadas para aqueles que pertencem às autoproclamadas comunidades dos direitos humanos”.

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