Univaja em audiência no Senado: “Quantos Brunos e quantos Doms têm que morrer?”

Foto: Pedro França/Agência Senado

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Junho 2022

 

Diretoria da Univaja está “marcada” para morrer, alerta ativista em audiência: “Isso não é vida”.

 

A reportagem é publicada por Rede Brasil Atual, 22-06-2022.

 

“Que país é esse que nós estamos vivendo, excelências? Quantos mais Brunos e quantos mais Doms têm que morrer? É público e notório que a diretoria da Univaja toda está marcada com a mesma marca que Bruno e o Dom. Temos que andar com segurança, temos que andar com carro blindado. Isso não é vida, nós não estamos em um país em guerra.” O desabafo é do procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliesio Marubo, em depoimento na audiência pública conjunta das comissões de Direitos Humanos (CDH) e Temporária sobre a Criminalidade na Região Norte do Senado, nesta quarta-feira (22). O tema central da reunião – convocada por iniciativa do senador Humberto Costa (PT-PE), presidente do colegiado – foi a violência na Amazônia.

 

“Estou afirmando que nós teremos mais. É importante que o Parlamento acompanhe essa situação”, disse Marubo (Foto: Pedro França/Agência Senado)

 

Marubo pediu à Polícia Federal que faça uma investigação mais ampla sobre os assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo. Ele afirmou que, além de a diretoria da Univaja estar “marcada” e ameaçada de morte, a tensão e a violência se intensificaram a partir de 2019. Não por acaso, foi o primeiro ano do atual governo de Jair Bolsonaro.

 

“O que o MP fez com as denúncias?”

 

Segundo Marubo, a atuação da Univaja é pautada pelo interesse das comunidades da região, já que o Estado vem atuando de forma omissa. “Gostaria muito de ouvir o que a Funai tem a dizer. O que o Ministério Público fez com tantas denúncias que temos feito?”, questionou.

 

O dirigente se mostrou pessimista. “Certamente teremos mais casos na região”, alertou. “Trouxemos nossas preocupações que não foram ouvidas e o resultado foi esse: essa catástrofe que nós tivemos no Javari e certamente teremos mais. Eu estou afirmando que nós teremos mais. É importante que essa Casa atue! É importante que o Parlamento acompanhe essa situação”, pediu.

 

É unânime a denúncia pelos representantes de entidades indigenistas de que os assassinatos de Bruno e Dom não foram fatos isolados, mas fazem parte de um cenário de criminalidade na região amazônica, em especial no Vale do Javari, que não para de crescer. Segundo o presidente do Indigenistas Associados (INA), Fernando Vianna, há um quadro de invasão de pessoas “que ingressam nas terras para atividades ilegais”.

 

“Junto com os crimes ambientais mais costumeiros, como pesca e caça ilícitas, há articulações com forças do crime muito mais complexas, com conexões com o narcotráfico internacional e o comércio de armas”, disse Vianna. Ele afirmou ainda que a atual diretoria da Funai não está comprometida com direitos indígenas, mas com grupos econômicos interessados na posse de terras e nos recursos naturais.

 

Premonição

 

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), entre as denúncias feitas pela Univaja há um ofício de abril em que já há informações sobre pesca ilegal naquela região da Amazônia com a participação de um homem conhecido como Pelado, que foi agora apontado como um dos assassinos de Bruno e Dom.

 

“Esse ofício é quase uma premonição. Dá informações sobre quem faz a atividade ilegal, onde mora, como atua e que está armado. Não demorou 60 dias, mataram Bruno e Dom”, disse o senador. “Deixaram ocorrer esses homicídio, no mínimo, com a prevaricação criminosa do Estado brasileiro”, acrescentou.

 

Leia mais